Apostar no desenvolvimento de competências

Por a 8 de Maio de 2005

Os Recursos Humanos e a sua gestão têm uma importância crescente para as empresas. Há uma construtora que parece querer «fazer escola» neste domínio. Conheça o caso…

A entrada de José Bancaleiro para a Comissão Executiva da OPCA e a sua designação para a direcção do departamento de recursos humanos da construtora é o paradigma da aposta que a empresa liderada por Filipe Soares Franco tem feito neste domínio. Afinal, a OPCA tinha acabado de garantir, em Setembro, a colaboração daquele que meses mais tarde viria a ser distinguido com o «Prémio RH 2005», o reconhecimento da dedicação de mais de 20 anos na área. A ideia é clara: criar um espírito de grupo, de valorização pessoal, consubstanciada na máxima «Ser Opca».

Segundo José Bancaleiro, «o “SerOPCA” foi um projecto de intervenção na cultura da OPCA, construído durante muitos meses, com a colaboração de muitas pessoas, e cujo objectivo é, a partir de uma base já existente, criar uma cultura que contribua para o sucesso do nosso negócio e também para o sucesso das nossas pessoas».

«Mesmo com as dificuldades próprias de um processo de mudança, a aceitação e o envolvimento de todos neste projecto tem sido “fantástico”, sendo hoje um dos factores que mais “aglutina” e orgulha as pessoas da empresa», garante.

O prémio, atribuído pela primeira vez pela «Recursos Humanos Magazine», foi entregue a José Bancaleiro pela «consistência do currículo, realizações profissionais, dificuldade do desafio, reconhecimento do trabalho realizado e ética», cinco critérios que se revelaram fundamentais e dos quais o profissional não abdica no seu quotidiano.

Esta distinção volta a acentuar a importância que os recursos humanos e a sua eficaz gestão têm para as empresas, sobretudo num sector marcado pela baixa qualificação, quer da maioria dos empresários quer mesmo do quadro de funcionários. A criação de mais-valias numa situação de valorização face à concorrência passa, em muitos casos, pelo valor e competência da componente humana. Enquadrada no processo de reestruturação e de reposicionamento estratégico da empresa, a estratégia da OPCA no domínio dos recursos humanos passa por assumir esta área como um dos factores estratégicos de gestão, tornando-a numa empresa de conhecimento, reforçando e valorizando o seu capital humano.

Em declarações ao Construir, José Bancaleiro salienta que «num mundo onde o capital financeiro tem um custo historicamente baixo (as taxas de juro rondam um por cento), onde os recursos operacionais (máquinas) estão facilmente acessíveis, a competência e a motivação dos seus colaboradores é o factor que distinguirá as empresas de sucesso das que o não têm». «As organizações que não acreditarem neste princípio, estarão, inevitavelmente, num processo de morte anunciada», salienta aquele responsável.

Planos de Competências

«Competências + atitudes = comportamentos mais eficazes». Este é o princípio pelo qual se rege o Plano de Desenvolvimento de Competências da OPCA. «O primeiro e mais importante passo é perceber e acreditar verdadeiramente (significa acreditar nos discursos e nos actos) na importância das pessoas para o sucesso da empresa. Depois, é só procurar um especialista que a ajude a definir, de uma forma ou de outra, qual o caminho que melhor responde aos problemas/oportunidades daquela empresa em concreto», diz José Bancaleiro.

Para o ano de 2005, a construtora tem já previstas cerca de 142 horas de formação e valorização dos seus recursos humanos por forma a desenvolver neles competências críticas, fundamentais para «o sucesso dos negócios».

As directrizes dos novos responsáveis pelos recursos humanos da OPCA passam, este ano, pela implementação do Plano de Desenvolvimento de Competências, dentro do qual se insere o primeiro Programa Integrado de Gestão. O plano foi concebido, segundo a empresa, para facilitar e promover os objectivos estratégicos e as áreas de excelência da empresa, de forma integrada, contribuindo para reforçar hábitos e comportamentos que fortaleçam capacidades, tanto a nível profissional como pessoal».

O projecto interno desenvolvido pelos responsáveis da OPCA está organizado pelos chamados «grupos funcionais». Assim, as sessões de trabalho que serão desenvolvidas no seio da empresa visam, essencialmente, directores de obra, encarregados e administrativos de obra. Contudo, estão previstas ainda acções de formação complementares, que vão ao encontro das necessidades de todos os grupos envolvidos.

Entre Março e Dezembro, a OPCA está a promover o primeiro plano de gestão destinado a um grupo de 23 directores de obra. Formadores internos e externos à empresa vão desenvolver um programa organizado por módulos. Nestas sessões de trabalhos, realizadas por norma às sextas-feiras e sábados na sede da OPCA, pretende-se dotar os directores de obra integrados nos quadros da empresa de competências de gestão mais alargadas e abrangentes, «tendo em conta várias áreas que vão além da esfera técnica da sua actividade», refere o comunicado da empresa. De Abril a Novembro, os visados serão encarregados e arvorados, num total de 80 horas.

Indicadores positivos

No seguimento da valorização da política de recursos humanos da OPCA, projecto implementado pela equipa liderada por José Bancaleiro, a construtora divulgou também os resultados do inquérito de clima organizacional. Os dados recolhidos, demonstrativos da opinião dos funcionários da empresa em relação a diversos parâmetros relacionados com o clima de trabalho, revelam que os melhores resultados estão associados com o nível geral de satisfação, com a motivação, bem como a opinião positiva dos trabalhadores em relação às chefias. O parâmetro «a chefia trata-me com respeito e consideração» é o que apresenta melhores resultados, numa escala entre 1 e 4, sendo também considerados valores intermédios.

Definida ficou já a inclusão de medidas que visam o melhoramento dos aspectos menos favoráveis no plano estratégico, a implementar ainda este ano.