Barreirense com nova «casa» na Verderena

Por a 8 de Maio de 2005

O clube da margem Sul apresentou já o projecto do novo estádio que prevê a criação de um edifício habitacional e comercial nos terrenos do campo D. Manuel de Melo

O futuro do Futebol Clube Barreirense vai ser «jogado» no próximo dia 3 de Maio, quando forem apresentadas aos sócios, em Assembleia Geral, as melhores propostas para a compra dos terrenos onde actualmente está implantado o campo D. Manuel de Melo. Desta decisão, mesmo por questões de financiamento, está dependente o avanço dos trabalhos para a construção do novo complexo desportivo do Barreirense, na Verderena, e o desenvolvimento do projecto imobiliário, a implementar nos terrenos do actual campo de jogos.

Não havendo ainda qualquer decisão sobre a adjudicação dos trabalhos, sabe-se de antemão que este conjunto de projectos é «estruturante para a cidade», como referiu ao Construir o vereador do Desporto da câmara do Barreiro, Amilcar Romano. «Penso que o projecto do novo estádio, é importante sobretudo para o Barreirense. O complexo poderá vir a responder aos desafios do clube não só pelos campos proporcionarem outro tipo de condições de treino e de jogo, como o próprio pavilhão responder ao desenvolvimento de outras modalidades do clube. Portanto é um projecto pensado sobretudo para o futuro», salienta o responsável autárquico. Contudo, o conjunto de transformações não se resume apenas à demolição do actual estádio, passa também por revitalizar o centro da cidade do Barreiro com um conjunto habitacional e áreas de serviços.

Campo na Verderena

O projecto apresentado pelos arquitectos José Manuel Matos, António Prazeres Soares e Carina Sousa contempla a criação de dois campos, sendo que um será utilizado para jogos e outro, em piso sintético, servirá para treinos e para acolher os escalões de formação do clube barreirense. Com data de início de arranque dos trabalhos prevista para 2006, o novo complexo desportivo contempla ainda uma área para a construção de um novo pavilhão e de uma piscina, equipamentos que não estão previstos para a primeira fase dos trabalhos. Desta forma, o Barreirense garante a sua própria viabilidade dado, que à partida, estarão criadas condições para que o clube tenha forma de disponibilizar espaços para a prática de desportos. «Esta medida, só em relação ao campo sintético, vai beneficiar cerca de 400 jovens», garante o arquitecto José Manuel Matos. A capacidade máxima do novo estádio da Verderena será de sete mil espectadores, embora na primeira fase das obras só estejam disponíveis cerca de 3500, numa componente estética

Casas na Manuel de Mello

Contudo, o arranque das obras de construção da nova «casa» do Barreirense está ainda dependente da venda dos terrenos onde está implementado o «velhinho» D. Manuel de Melo. Ao que o Construir apurou, os terrenos estão avaliados em cerca de 5,5 milhões de euros, verba mínima da qual a direcção do clube não deverá abdicar. Para os terrenos agora ocupados pelo campo, o Barreirense tem já uma proposta, que passa pela criação de um edifício de habitação, com capacidade para absorver áreas comerciais, zonas de serviços e ainda estacionamento em cave.

A proposta apresentada também pela equipa liderada pelo arquitecto José Manuel Matos, prevê dois corpos isolados de seis pisos. «Pretendemos com este edifício uma intervenção urbanística que possibilite a sedimentação e valorização de tecido urbano, que possa também servir de elo de ligação entre o indivíduo e o meio», pode ler-se na memória descritiva do projecto.

A ideia é também «atribuir ao equipamento um papel de maior importância no sistema de comutação e mobilidade urbana, dotando-o de meios técnicos e estrutura espacial adaptados a várias valências, associando-lhe toda uma gama de usos complementares que superem o simples estatuto de espaço de passagem. Pretende-se também que se criem condições para um pólo de vida urbana, com dinâmicas ao nível das áreas de comércio de serviços, de vivência social e de tempos livres e ainda de lazer».

Ao todo serão construídos cerca de 80 fogos, podendo mesmo chegar aos 100. O avanço desta proposta está também dependente da vontade dos novos proprietários dos terrenos. Contudo, e como fez questão de frisar o arquitecto responsável pelo projecto, «a minha proximidade vivencial com este local permitiu-me conceber um projecto que vai ao encontro das necessidades deste espaço, ou seja, projectei de acordo com o que considerei ser mais importante para aquela zona». De salientar que a proposta apresentada por José Manuel Matos prevê a cedência de algumas áreas comerciais e de estacionamento que seriam geridas pelo Barreirense, e que estariam localizadas no piso 0 da nova estrutura.