Hercesa investe 330 milhões em Loures e Odivelas

Por a 8 de Maio de 2005

A proximidade destas áreas à zona de expansão da Expo terá sido um dos factores determinantes para fixar o investimento do grupo espanhol

Portugal volta a ser escolhido no processo de internacionalização das promotoras imobiliárias espanholas, nomeadamente a Hercesa. A empresa presidida por Juan José Cercadillo escolheu a zona oeste de Lisboa, entre Loures e Odivelas, para investir cerca de 330 milhões de euros, verba essa que reflecte as expectativas que os investidores espanhóis têm sobre o potencial do mercado nacional. O facto de considerarem esta uma zona em expansão e que alberga hoje em dia maioritariamente população jovem, levou a que a opção de investimento tenha recaído sobre esta zona do país.

O projecto do grupo espanhol para Loures e Odivelas, designado como Casal do Monte, será apresentado oficialmente em Madrid no próximo dia 10 de Maio, mas são já conhecidos alguns contornos do projecto que a Hercesa pretende implementar em Portugal.

Depois de concluído o processo de construção, que se desenrolará por cerca de 390 mil metros quadrados de área bruta, a Hercesa pretende vir a controlar cerca de 1718 habitações, aproximadamente cinco mil lugares de estacionamento e diversas zonas comerciais complementares. Com este investimento, a Hercesa vai tentar obter benefícios com a proximidade da área onde será construído o novo complexo da zona do Parque das Nações, uma das áreas com maior potencial de crescimento na região de Lisboa. A juntar a estes factores, os investidores espanhóis terão tido em consideração as características do parque industrial localizado entre Odivelas e Loures, um factor de atracção de população, tal como as características dos terrenos que estão disponíveis naquela região, marcadamente voltados para ocupação por habitações, escolas e para o sector terciário. O recente crescimento da rede do Metro de Lisboa até Odivelas, é mais um dos factores a considerar na valorização daquela área.

Aguirre é parceira

De acordo com informações recolhidas pelo Construir, dos 390 mil metros quadrados, perto de 210 mil serão destinados à componente residencial, 33 mil estão assegurados para o sector terciário e comercial enquanto que as garagens vão ocupar perto de 35 mil metros quadrados de área. O restante espaço será ocupado com usos diversificados. A Hercesa escolheu ainda a Aguirre Newman como parceira para a promoção deste novo empreendimento.

À margem de Portugal, a Roménia é outro dos países onde a empresa liderada por Juan José Cercadillo está representada, sendo que a meta para os próximos quatro anos nestes dois mercados, passa pela entrega de 18 mil habitações. À margem da internacionalização, a empresa está envolvida no desenvolvimento urbanístico e na gestão de terrenos que ascende a 12 milhões de metros quadrados, sobretudo nas zonas de Madrid, Castela-La Mancha, Catalunha, da comunidade valenciana, Castilha e Leão, Aragão e Andaluzia.

Segundo o grupo espanhol, no ano de 2004 o volume de negócios ascendeu aos 167,7 milhões de euros, um aumento de 25,32 por cento face ao ano anterior, e que representa ganhos líquidos na ordem dos 28 milhões de euros. Esta verba, face aos resultados obtidos em 2003, significa um crescimento de 45,64 por cento, e que para a Hercesa permitiu aumentar os fundos próprios em cerca de 40 por cento, alcançando 97,7 milhões de euros. Até final de 2004, o valor do mercado imobiliário gerido pela Hercesa ascendia aos 1.207 milhões de euros. Para 2005, a Hercesa prevê um aumento na facturação em cerca de 80 por cento, alcançando os 305 milhões de euros, da mesma forma que prevê entregar perto de 2100 habitações e iniciar a construção de mais 2600.

Roménia a crescer

Do mesmo modo que as construtoras portuguesas se estão a voltar para o mercado do Leste e Centro da Europa, também o grupo espanhol está a apostar nessa região do Velho Continente, mas na componente imobiliária.

O investimento do grupo liderado por Cercadillo, que poderá ascender a 60 milhões de euros nos próximos dois anos, está bem definido e assenta no aproveitamento das colónias de cidadãos romenos que permanecem em Espanha e que um dia vão querer regressar ao seu país de origem. A Hercesa adquiriu um antigo hotel no centro da capital romena e vai tentar aproveitar o aumento do poder de compra das comunidades romenas em virtude da melhoria das condições de vida garantidas em Espanha. O projecto para o emblemático hotel em Bucareste prevê a reabilitação do edifício para a comercialização e para colocar os novos apartamentos no mercado de arrendamento com rendas baixas.

Contudo, Roménia e Portugal não deverão ser as únicas apostas do grupo espanhol no domínio da internacionalização. As oportunidades de crescimento do mercado imobiliário na Bulgária estão também nos horizontes dos responsáveis da Hercesa.