OPCA garante construção do Centro de Artes da Covilhã

Por a 8 de Maio de 2005

A construção do novo complexo cultural da cidade beirã não tem ainda data definida para o início da construção. A Empreiteiros Casais vai interpor uma providência cautelar sobre a decisão da autarquia

A OPCA, em consórcio formado com a Construtora do Lena e a Lambelho e Ramos, garantiu recentemente a adjudicação do novo Centro de Artes da Covilhã, uma obra promovida pela autarquia beirã.

Este complexo, que promete revitalizar a componente cultural daquela região, está avaliada em cerca de dez milhões de euros e deverá estar concluída dentro de 13 meses, de acordo com a proposta apresentada pelo consórcio.

O projecto, assinado pelo arquitecto Tomás Taveira e cujos trabalhos de engenharia estarão a cargo da Proengel, prevê a construção de uma importante estrutura no centro urbano da cidade e, de acordo com a OPCA, «com capacidade para acolher eventos de dimensão nacional e internacional». A ideia passa por concentrar na Covilhã, destino turístico que beneficia da proximidade com a Serra da Estrela, um conjunto de actividades artísticas e culturais que atraiam público não só da região, como também população espanhola. À partida estão criadas condições para «a produção e o intercâmbio cultural de âmbito regional e internacional».

O Construir tentou junto do arquitecto Tomás Taveira obter informações mais detalhadas sobre o teor do projecto, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.

Complexo de edifícios

Contudo, o projecto aprovado não deve diferir daquele que inicialmente havia sido apresentado à autarquia da Covilhã. Mais do que criar uma estrutura única, Taveira optou por criar um conjunto de edifícios que permitirão agilizar as actividades do Centro de Artes. A área de construção ronda os 8.300 metros quadrados, ao passo que a área de espaços exteriores ronda os 8.500 metros quadrados. A área central servirá de núcleo do Centro de Artes e, além da zona de recepção, que fará a ligação entre todo o edifício através de um átrio, prevê ainda a criação de um auditório ao ar livre. O edifício localizado mais a sul vai acolher o estacionamento, sendo que o elemento sombra será criado através da arborização do local. A norte será criado um lago artificial, para contemplação do elemento «natureza».

A decisão está contudo envolta em alguma polémica, com o consórcio concorrente, liderado pela Empreiteiros Casais e onde também está presente a Somague, a garantir a contestação da decisão da autarquia da Covilhã.

Ao que o Construir conseguiu apurar, está em estudo a apresentação de uma providência cautelar e a apresentação de uma exposição escrita junto do Tribunal de Contas por parte da Empreiteiros Casais, onde é feita referência ao facto de a primeira fase do projecto adjudicado ter sido inicialmente reprovado pela comissão de acompanhamento do processo.

Negociação directa

Esta adjudicação foi feita por negociação com o promotor da obra, depois de em 2001 os responsáveis pela Câmara Municipal da Covilhã terem cancelado o concurso público, sendo que em todo o processo estiveram envolvidos os dois consórcios por terem apresentado as melhores propostas. Em 2004, a OPCA e a Empreiteiros Casais foram convidadas a discutir os elementos mais relevantes em cada uma das propostas, nomeadamente os valores, sendo que a opção final acabou por recair sobre o consórcio liderado pela OPCA.

O arquitecto Filipe Oliveira Dias, no projecto que foi rejeitado, propôs a criação de um edifício único onde o principal elemento seria o auditório com capacidade para 800 lugares, podendo ser variável consoante o tipo de espectáculo. De acordo com a proposta, veiculada pela Empreiteiros Casais, a lotação poderia ser reduzida a metade e o volume da sala ficar igualmente limitado, estando assim garantidas as melhores condições acústicas e «maximizando a economia energética relativa à remoção de ar, à temperatura e à luz». O projecto da Empreiteiros Casais e da Somague previa também duas salas estúdio que funcionariam como salas de cinema.

De acordo com o arquitecto responsável pelo projecto, «os percursos do público, dos actores, dos técnicos e dos administrativos são fáceis e directos, quer na actividade normal, quer numa situação de emergência. No exterior do Centro de Artes, um anfiteatro ao ar livre, um belo espelho de água, os suficientes lugares de estacionamento e a adequada organização de acessos e percursos completam o conjunto», pode ler-se na apresentação do projecto que consta no endereço electrónico do arquitecto na Internet.