Acerca do Salão Imobiliário

Por a 11 de Novembro de 2005

Bruno Castro Santos_Ateliê Simbiose

Decorreu nos primeiros dias de Novembro 2005 a sempre esperada Feira do Imobiliário de Lisboa. É um momento alto no sector. Durante os meses que precedem o evento, grupos e promotores imobiliários preparam-se para mostrar o que têm de melhor (…).

Os stands são pensados com rigor, com vaidade, e com sentido de investimento. De uma forma geral, o “bom gosto” predominou na arquitectura e na decoração dos stands, havendo mesmo alguns que superavam a qualidade arquitectónica do produto exposto.

O nosso mercado não é grande nem se encontra em fase de expansão, por isso não seria justo medir o sucesso da feira, e dos seus produtos, pela sua pequena dimensão. Não obstante a “escala Portuguesa”, notou-se uma melhoria significativa na qualidade dos projectos expostos, na atitude dos grupos promotores, e nas soluções de arquitectura que perfilharam.

Desde a ocorrência do evento da Expo 98 até à data, tem-se vindo a sentir uma progressiva sensibilização da arquitectura ao que nos rodeia, e de certa forma, até um certo orgulho generalizado pela melhoria de uma paisagem urbana mais sustentada. É claro que os estádios de futebol contribuem para este orgulho, mas refiro-me agora aos edifícios de habitação, aos novos hospitais, às residências para idosos, aos centros comerciais (…) e por aí fora.

(…) Os projectos de maior relevo, reflectem uma preocupação responsável pelo impacto na paisagem. (..) Da mesma forma merecem também ser felicitados aqueles promotores que “arriscam” contrariar a fórmula óbvia e garantida de uma arquitectura de fácil consumo, adoptando um caminho diferente, a percorrer com novas visões enriquecedoras da nossa forma de vida, contribuindo assim para a tal evolução qualitativa da arquitectura em Portugal. Mas a feira não se limitou ao nosso território nacional.

O Brasil esteve em grande… pelo menos em quantidade, já que não abundou a qualidade. A promoção no Brasil está a ficar associada com “low cost vacation” e corre o risco de evoluir no mau sentido. Salvo raras excepções, os projectos tentam desesperadamente reflectir o sonho ou a fantasia do “exótico” com uma abordagem limitada e demasiado corrompida pelos padrões de vida suburbanos das cidades europeias. Os “resorts” brasileiros não apresentam personalidade própria, sendo na maioria um casamento infeliz da “casa Portuguesa” construida em madeira, com maquiagem asiática. Espera-se que o vento mude…