Certame aproxima novos investidores

Por a 11 de Novembro de 2005

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O Salão Imobiliário de Lisboa, que se realizou recentemente no parque de exposições da FIL promete transformar-se numa referência ibérica e atlântica. A edição deste ano registou um aumento considerável no número de visitantes e expositores

O Salão Imobiliário de Lisboa (SIL) «superou todas as expectativas». Segundo a organização, o certame contou com cerca de 23 mil visitantes, o que representa trinta por cento de crescimento em relação a 2004. O número de visitantes profissionais mais do que duplicou, passando de cerca de 3565 para 7361.

A forte presença espanhola e brasileira foi uma mais valia para a internacionalização da feira. Assumindo-se como verdadeira plataforma europeia para a negociação de empreendimentos no mercado brasileiro, o SIL contou este ano com a presença de todos os seis estados do Nordeste do Brasil. «Portugal é um pais com potencial de captação de investimento, o que justifica a presença de países estrangeiros nas nossas feiras. Estive a semana passada na Feira do Imobiliário em Barcelona e, curiosamente, não havia um único stand a comercializar Brasil», comenta o assessor de administração do Grupo Lena, António Pinto, empresa presente no SIL.

O crescente interesse internacional pelo mercado português revela, segundo o director de imobiliária da Lusort, João Figueiredo, «a agressividade desses mercados face à indefinição geral do sector do nosso pais, nomeadamente, no que respeita ao sector da segunda residência e ao mercado turístico».

Na Conferência InBrasil, realizada no passada dia 4 de Novembro e integrada no evento, estiveram presentes alguns dos mais destacados responsáveis do sector imobiliário. Abordando o tema «Investir em Imobiliário Turístico no Brasil», Diogo Canteras, director da HVS Internacional no Brasil, destacou a importância de Portugal como «terceiro país emissor para o mercado turístico brasileiro, logo a seguir à Argentina e aos EUA». Canteras afirma que o nosso país é «o destino natural dos mercados emergentes, como a Índia, China e Brasil. O Salão Imobiliário de Lisboa pode mesmo aspirar a ser pólo de desenvolvimento desses novos mercados na Europa».

Projectos nacionais

Durante o SIL, a imobiliária portuguesa Libertas e o grupo imobiliário espanhol Nozar apresentaram conjuntamente o projecto da Quinta da Trindade que representa um investimento de duzentos milhões de euros. Um dos momentos mais mediáticos de todo o certame foi aquele que juntou o ex-jogador Eusébio e Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, e que serviu para apresentar a Quinta da Trindade, que será construída no Seixal junto ao futuro Centro de Estágio e Formação do Sport Lisboa e Benfica.

O grupo imobiliário espanhol Prasa, que há um ano adquiriu a Lusort ao grupo liderado por André Jordan, aproveitou o SIL para anunciar que irá investir cerca de 750 milhões de euros, só em infraestruturas e edificado, naquela que será a segunda fase do projecto de desenvolvimento urbanístico de Vilamoura. Segundo o máximo responsável da Lusofort, Rafael Vigueras, «o novo projecto para Vilamoura é uma das maiores actuações urbanísticos do Algarve, que se estende por mais de 900 hectares e que prevê a construção de 434 mil metros quadrados de zonas residenciais».

O Imolux, fundo de investimento imobiliário fechado, promoveu durante o SIL os Jardins de São Lourenço. Trata-se de um condomínio privado de habitação de luxo situado na Avenida dos Combatentes, em Lisboa, num investimento total que rondará os 170 milhões de euros. O responsável do Imolux, Pedro Dantas da Silva, adianta que o projecto prevê ainda um «novo reordenamento urbano» de toda a zona envolvente. Paralelamente à construção de 32.500 metros quadrados de área, que contará com 187 apartamentos e 16 novas áreas comerciais, o projecto inclui a construção de uma nova avenida que ligará a Avenida dos Combatentes à Rua Soeiro Pereira Gomes.

Saldo positivo

Os dados fornecidos pela organização do certame revelam que noventa e seis por cento dos expositores tenciona voltar a participar no SIL, enquanto oitenta por cento considera que os objectivos foram alcançados ou superados.

«Consideramos a participação da Lusort no SIL 2005 como bastante positiva, pois permitiu dar a conhecer aos profissionais do sector, como ao mercado em geral, os nossos planos de desenvolvimento, ideias e propostas», comenta João Figueiredo. Para José Eduardo Macedo, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), «finalmente a feira está a ganhar dimensão e massa crítica. Vê-se não só como um negócio de oportunidade, mas também como uma actividade de continuidade.

Os empresários portuguesas começam agora a perceber a importância deste tipo de espaços para criarem novos negócios, como os aqueles que aqui já foram criados».

Para 2006, o SIL tem como objectivos a renovação do protocolo com a autarquia de Lisboa, assim como a promoção da feira junto de alguns dos principais investidores imobiliários europeus e dos PALOP´S (Angola, Moçambique e Cabo Verde).