Um futuro «promissor»

Por a 21 de Abril de 2006

auto estradas

O IV Congresso Rodoviário Português, que teve lugar no Centro de Congressos do Estoril, ao longo de três dias, conseguiu traçar algumas linhas estratégicas no âmbito da temática central do evento – «Política Rodoviária – Os Próximos 10 Anos». De entre o vasto conjunto de temas abordados, tornaram-se particularmente relevantes os aspectos relacionados com o futuro da engenharia rodoviária. Henrique Machado Jorge, um dos responsáveis pela comissão organizadora do evento e membro do Centro Rodoviário Português (CRP) avançou ao Construir que ao nível da inovação no campo da engenharia civil, em termos de análises do estado das obras de arte, existem já promissores desenvolvimentos técnicos, não só na fase construtiva, como do período de exploração destas.

«Por exemplo, como é o caso da instalação de sensores em pontes permitindo acompanhar a evolução do comportamento dos materiais, o que, não só possibilita trabalhar com margens de segurança incorporada menos redundantes, como reduz custos de manutenção e a utilização de materiais menos usuais, sem riscos de inesperados desenvolvimentos indesejáveis».

Nesta vertente, no decorrer do congresso, foi também realçada a questão da segurança de túneis rodoviários em Portugal e nos demais Estados Membros da União Europeia. Para Machado Jorge, a segurança de túneis rodoviários terá de ser assegurada por via de uma tripla associação, ou seja, «tem que passar obrigatoriamente pela exigência a nível do projecto, salvaguardando os aspectos críticos para uma operação com riscos de tráfego minimizados; pela disponibilidade dos equipamentos de segurança, em condições permanentemente plenas de operacionalidade, assim como pela contínua formação do pessoal afecto, para que equipamentos e preceitos operacionais mantenham o nível de desempenho em consonância com os parâmetros de projecto e que, simultaneamente, contemplem a evolução das condições de funcionamento, ditadas por factores extrínsecos».

Governo elogia engenharia Na sessão de abertura dos trabalhos, Paulo Campos, secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e Comunicações, destacou entre muitos outros pontos positivos do sector rodoviário em Portugal, a elevada qualidade da engenharia, dos seus técnicos, dos métodos construtivos e das suas empresas, que se estão a internacionalizar, com capacidade de integração das novas tecnologias e de inovação e com infraestruturas adequadas. Consciente da importância do CRP para a evolução do sector rodoviário em Portugal, o Governo está empenhado em implementar rapidamente a obrigatoriedade, já legislada, da realização de auditorias de segurança rodoviária a projectos de estradas e de inspecções a estradas em operação. Tal intenção engloba a definição, anunciada para o futuro próximo, do regime legal de exercício da actividade de auditoria, ou seja, o estatuto de Auditor de Segurança Rodoviária.

Entretanto, os cursos de formação de auditores de segurança rodoviária, iniciados pelo CRP, foram também objecto de destaque por Ascenço Simões, secretário de Estado da Administração Interna, tendo referido que, em consequência da reforma da administração central do Estado, «caberá ao Ministério das Obras Públicas a gestão global das políticas para o sector, numa visão integrada de tudo o que a este diz respeito a infraestrutura, veículo e condutor», sendo que a Administração Interna ficará responsável pela parte da fiscalização. Os governantes sublinharam ainda a intenção, entretanto, de minimizar as assimetrias regionais, promover a segurança rodoviária, reduzir as distâncias, diminuir a sinistralidade e zelar pela sustentabilidade. Empresarialização, solidariedade, auto-sustentabilidade, transparência, simplificação administrativa e redução de prazos são algumas das principais palavras-chave do novo modelo de financiamento do sector rodoviário que foram proferidas por Paulo Campos.

Futuro marcado pela conservação Por outro lado, muitos dos debates realizados não deixaram dúvida sobre a generalizada consciência, no sector rodoviário, de que em matéria de «futuro» respectivo, se aproxima o horizonte temporal onde a construção será suplantada pela conservação e beneficiação de estradas. Por sua vez, concluiu-se que a problemática da sinistralidade rodoviária está a obrigar a reequacionar orientações assumidas. Com efeito, a evolução dos veículos automóveis, em matéria de motorizações disponíveis, mesmo em veículos de «classe económica», e o progressivo apetrechamento de todos os veículos, incluindo pesados, com equipamento de apoio à condução e de segurança activa, obrigam o projectista de estradas a rever conceitos de traçado e equipamentos auxiliares, que tiveram a sua «época», mas hoje já não respondem às necessidades do tráfego rodoviário.