Conceito de espaço público na Via Senigallia

Por a 24 de Maio de 2006

35 cannata

O município de Milão pretende criar um cul de sac na Via Senigallia, projecto da autoria de Fátima Fernandes e Michele Cannatà, e premiado em Espanha com uma menção honrosa no concurso «Soluções Urbanas 2005»

O município de Milão manifestou a intenção de cortar uma parte da Via Senigallia projectada por Fátima Fernandes e Michele Cannatà, com vista a construir um cul de sac, orientando o projecto para uma solução na qual o uso dos espaços abertos, quer públicos ou privados, faça prevalecer a dimensão do peão, e em simultâneo limitando o tráfego.

Na Via Senigallia, localizada na cidade de Milão, foram construidos equipamentos e espaços para comércio, que se organizam de uma forma equilibrada com o propósito de estabelecer uma constante utilização dos espaços e dos percursos públicos, facilitando uma relação de proximidade e vizinhança entre os seus habitantes. A altura máxima de dois pisos configura uma edificação no interior da vegetação, onde a arborização prevalece sobre a volumetria construída.

Todos os fogos possuem um pátio que representa uma extensão do espaço interior da casa, contribuindo em simultâneo para a ampliação da área verde. Os pátios, confrontados dois a dois, encontram-se separados por uma estrutura metálica, com sebe vegetal, permitindo o desenvolvimento em pérgola. Às variações das dimensões dos fogos correspondem espessuras diferentes das linhas construídas, no âmbito de uma lógica unitária de implantação da diversificação tipológica.

Menção Honrosa em Espanha

Recentemente, a dupla de arquitectos que trabalha em conjunto desde 1984, desenvolvendo projectos em Portugal e Itália, foi distinguida com uma menção honrosa no concurso «Soluções Urbanas 2005», pelo seu projecto «Conjunto Habitacional na rua Senegallia», realizado para a Câmara Municipal de Milão.

O concurso foi organizado pelo Consejo Superior de los Colegios de Arquitectos de Espanha e apresentou uma reflexão sobre as habitações e o uso residencial nas cidades, em particular, e sobre todos os conjuntos habitacionais que abordassem questões relacionadas com o ordenamento urbano, através da realização de projectos sustentáveis, de qualidade e de acessibilidade. Para tal, o concurso estabeleceu duas categorias distintas: a primeira está relacionada com os conjuntos residenciais construídos que receberam obras de requalificação nos últimos cinco anos; e a segunda refere-se a propostas sobre conjuntos residenciais de futuro.

O projecto de Fátima Fernandes e Michele Cannatà foi premiado na segunda categoria, por ter associado o conceito de uma implantação urbana com baixa densidade, com linhas alternadas de espaços construídos e espaços de jardim.