Nuno Leónidas transforma antiga fábrica de cerâmica

Por a 24 de Maio de 2006

38 shopping

Uma fábrica de cerâmica em Lagos vai ser transformada num conjunto habitacional com 50 fogos. O projecto, a cargo do ateliê Nuno Leónidas Arquitectos Associados visa conjugar as características industriais existentes com uma linguagem contemporânea

A transformação de uma antiga fábrica de cerâmica num complexo habitacional é a mais recente aposta do grupo MSF. Projectada pelo ateliê Nuno Leónidas Arquitectos Associados e promovido pela Ceramitur, uma empresa do grupo MSF, a proposta visa manter as características industriais da fábrica aliando-as a uma linguagem contemporânea. Num lote com 7.010 metros quadrados e localizado nas imediações da Marina de Lagos, a proposta pretende enquadrar os edifícios que serão construídos de raiz, bem como os pré-existentes, no tecido urbano envolvente tirando partido de uma potencial vista sobre a Marina. Com este objectivo, Nuno Leónidas desenvolveu soluções volumétricas que culminaram na construção de três blocos habitacionais e que assentaram nas seguintes premissas: reabilitar a fábrica de cerâmica mantendo as fachadas, a chaminé e parte do forno, aproveitar a volumetria existente, tirar partido do sistema de vistas, conjugar as pré-existências com uma linguagem contemporânea e criar um equilíbrio entre edifícios construídos e espaços exteriores. O bloco A, virado a sul e para a Marina, corresponde ao espaço da fábrica e será composto por 16 apartamentos de tipologias T2, T3 e T4. Neste bloco, a proposta passa por um recuo da fachada principal de forma a dotar os apartamentos de varandas, sem para isso recorrer a varandas projectadas. Para o bloco B, com vistas para o interior do lote e para os terrenos vizinhos, estão projectados 18 apartamentos de tipologias T1 e T2 organizados em torno de três acessos verticais independentes. No bloco C, com a mesma posição no terreno que o bloco A, foram projectados 16 fogos de tipologias, T1, T2, T3 e T4 organizados em torno de quatro acessos verticais independentes e com acesso pelas traseiras do lote. A solução arquitectónica proposta por Nuno Leónidas aposta numa unidade que passa pelos materiais aplicados nos três blocos, nomeadamente o uso de elementos cerâmicos, invocando o carácter industrial da fábrica, panos de parede branca e elementos comuns, tais como os vãos, o uso do vidro e a existência de varandas contínuas.

Reabilitar a fábrica

Relativamente à reabilitação da fábrica, o projecto passa pela manutenção das características do edifício, mantendo e recuperando três das fachadas, bem como a estrutura em tijolo cerâmico e parte do antigo forno, que define e caracteriza as zonas de uso comum. A fachada principal pauta-se «por uma uniformização dos vãos através de grandes aberturas», mostrando desta forma a estrutura existente de pilares em tijolo cerâmico do edifício pré-existente. Relativamente ao número de pisos, o projecto mantém os três pisos existentes, sendo todos ocupados por apartamentos, e propõe um quarto piso recuado «de modo a minimizar a sua interferência na leitura do edifício, assim como o uso da cobertura como extensão dos apartamentos localizados no último piso», refere a memória descritiva. A filosofia aplicada no edifício da antiga fábrica foi a utilizada na concepção dos outros dois blocos habitacionais. Apesar de serem constituídos por diferentes números de pisos, o bloco B com quatro pisos e o bloco C com três, apresentam uma linguagem comum ao nível dos pisos de habitação que passa por enquadrá-los «numa caixa de cor branca». De maneira a criar uma ligação entre estes blocos e o bloco da fábrica, o projecto recorre ao uso pontual de revestimentos em peças cerâmicas e à presença de varandas contínuas. O bloco B, orientado a nascente/poente é constituído por um primeiro piso vazado, onde sobressaem os acessos aos apartamentos, sendo também por este piso que se acede ao parque de estacionamento localizado no bloco C. Neste bloco, (bloco C) é proposta uma solução diferente para distinguir os pisos que compõem o estacionamento dos pisos superiores. Assim sendo, existe uma base seguida de um piso vazado, que dá acesso aos apartamentos pelas traseiras do lote, que culmina num volume destinado à habitação, e igualmente «enquadrados numa caixa apresentando uma linguagem com as mesmas características e propriedades do bloco B». O bloco C, encontra-se elevado relativamente aos restantes edifícios, e possibilita através das suas varandas contínuas ver a Marina de Lagos. Relativamente aos espaços exteriores, o projecto visa a ocupação arbustiva e de árvores nos limites do terreno, dando «especial relevância à chaminé da fábrica na composição do espaço exterior». As zonas comuns do complexo estão concentradas no Bloco A, o bloco da antiga fábrica, onde a parede e espaços pré-existentes do forno em tijolo cerâmico, serão recuperados de forma a caracterizar o átrio de entrada, e uma zona de condomínio que contempla uma sala e espaços de apoio à piscina localizados no jardim junto à fachada nascente. O estacionamento encontra-se dentro dos limites de implantação dos blocos B e C, para não interferir no uso dos espaços exteriores.