Sá Fernandes propõe nova visão da 24 de Julho

Por a 24 de Maio de 2006

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José Sá Fernandes, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou uma proposta de requalificação para a Avenida 24 de Julho. O projecto passa pela demolição do edifício da direcção-geral da Administração Pública, e pela construção de uma praça em seu lugar, bem como pela recuperação de três armazéns datados da transição do século XVIII e XIX

José Sá Fernandes, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou uma proposta que visa a requalificação da Avenida 24 de Julho, no troço envolvido pelos armazéns de José António Pereira.

O projecto aponta para a recuperação do património municipal aí existente, constituído por três edifícios de armazéns datados da transição do século XVIII para o século XIX., e a criação de uma praça no espaço onde hoje se encontra o edifício da direcção-geral da Administração Pública (DGAP), que, segundo a proposta apresentada, seria demolido. Este edifício de escritórios, construído na década de setenta, partilha, segundo José Sá Fernandes, da linha arquitectónica de vários outros edifícios que fazem a frente da avenida, virada para o Tejo. Segundo a proposta do vereador, o edifício da DGAP manteve desde sempre uma péssima relação arquitectónica com os armazéns, nomeadamente tapando vistas e servindo de barreira pedonal, evidenciando que na altura da sua construção provavelmente se previa a demolição dos mesmos e a extensão para as traseiras de mais edifícios em betão com o objectivo de albergar mais escritórios. Esta situação e aquele local, segundo o documento da proposta, necessitam de uma reformulação, que se traduz «numa escolha entre um bloco de cimento datado dos anos 70 e um conjunto edificado do século XVIII, construído numa estrutura abobada e com coberturas em terraço à beira-rio». O documento sustenta que «hoje em dia ninguém terá dúvidas sobre a opção a tomar: melhor ligação 24 de Julho, melhor vista para o Tejo, mais património, melhor turismo, mais segurança e melhor cidade», referindo ainda que, «a natureza urbana e o valor patrimonial do conjunto, evidenciam a profunda dissonância introduzida pela construção do edifício da DGAP. Sendo o conjunto dos edifícios antigos propriedade municipal, o restauro e aproveitamento efectivo destes três armazéns pode, e deve ser benéfico para a cidade e para a própria Câmara, na medida em que é património de ambas». A demolição do edifício da DGAP, «que hoje se encontra em parte desocupado e não serve convenientemente os próprios serviços», e consequente abertura de uma praça, «viria também a valorizar um percurso pedonal que se encontra totalmente escondido e “oprimido” pela presença física do edifício que forma uma barreira e não permite uma ligação urbana clara entre a Avenida 24 de Julho e a Rua das Janelas Verdes. Sem o prédio de betão, esta ligação seria natural».

Criação de uma praça

A proposta assenta assim na criação de uma praça no local onde actualmente se encontra o edifício da DGAP, refere o documento da proposta, que justifica a opção da praça, uma vez que a «Avenida 24 de Julho apresenta várias interrupções na malha urbana em forma de praça ajardinada». Esta opção «reporia a vista dos armazéns primitivos, uma vez que os dois armazéns das actuais traseiras fariam parte da sua frente, recuada em relação à 24 de Julho». Esta praça, «como interrupção na continuidade monótona e árida desta Avenida, só pode contribuir para a sua valorização a todos os níveis: mais segurança, mais lazer, mais vista, mais turismo». Cria-se, deste modo, «um espaço arborizado, onde o prédio dá lugar a uma praça ampla. Voltam-se a utilizar os terraços dos armazéns, por meio de um ascensor colocado na empena lateral do edifício principal do conjunto, que dá para a Avenida 24 de Julho». O projecto prevê para além de uma utilização dos terraços, uma circulação pedonal entre os mesmos, que se fará «por meio dos passadiços originais, que voltam assim a cumprir a sua função inicial, mas para dar lugar a esplanadas que poderão ser extensões de cafés e bares situados nos pisos térreos dos antigos armazéns». Confrontados com o facto de Portugal ter pouca tradição de utilização de espaço público, originando que praças, jardins e outros acabem degradados e sem utilização, os arquitectos, membros do gabinete do vereador José Sá Fernandes, e responsáveis por esta intervenção, não temem que a criação de uma praça venha posteriormente a ser um espaço sem utilização, uma vez que existem outras no eixo Cais do Sodré – Alcântara, que são espaços de utilização pública frequente.

Os armazéns de José António Pereira

Os três edifícios, datados de 1799 e 1805, «são hoje património da Câmara Municipal de Lisboa e encontram-se em grande parte desocupados». O documento alerta para a importância da história daquela área, uma vez que o «conjunto arquitectónico faz parte do passado da frente de rio» daquele bairro portuário.

Relativamente a custos, o gabinete municipal do Bloco de Esquerda apenas refere os gastos a fazer com a demolição do edifício da Direcção-Geral da Administração Pública, que estão estimados entre 25 mil e 50 mil euros. Um custo considerado «pequeno relativamente ao ganho conseguido com o desenvolvimento deste projecto».