Projecto em Castro Marim inviabilizado pelo ministério do Ambiente

Por a 2 de Junho de 2006

O empreendimento turístico da Herdade do Corte Velho, no concelho de Castro Marim, foi chumbado pelo secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, por colocar em perigo habitats naturais do Vale do Guadiana. Em causa estava a criação de um campo de golfe, hotel e moradias, num projecto que foi anunciado pela primeira vez há 12 anos, com a aprovação da Câmara Municipal de Castro Marim e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

O resort turístico residencial da Herdade do Corte Velho implicaria um investimento entre os 55 e os 60 milhões de euros e 1800 camas. Este projecto dinamizou-se nos últimos dois anos, face à entrada de novos accionistas, e previa-se que o início da construção ocorresse em 2007.

A Agência de Promoção do Investimento não chegou a incluir este plano no pacote de Projectos de Interesse Nacional (PIN) porque essa decisão estava dependente da Avaliação de Impacto Ambiental que decidiu que este projecto originaria efeitos negativos no Sítio PTCOON 0036 – Guadiana, na ligação entre áreas de conservação de primeira grandeza em Portugal e Espanha.

Em declarações ao Público, o presidente da autarquia de Castro Marim, José Estevens, explicou que o parecer é «politicamente insustentável» e afirmou não perceber «que os nossos vizinhos espanhóis tenham construído 24 mil camas em frente de Castro Marim, e estejam preparados para chegar às 100 mil, sem que ninguém os questione sobre os impactos que irão provocar no vale do Guadiana», referindo uma dualidade de critérios na defesa dos valores ecológicos.

O autarca lembra ainda que a freguesia do Azinhal, onde se situa a herdade, perdeu nos últimos dez anos metade da sua população e o investimento no turismo significa um combate à desertificação.