Um voto para Helena Roseta

Por a 4 de Julho de 2008

por João Afonso,
Prémios, uma celebração e uma oportunidade para a reflexão.

As galas de "prémios do ano" são, para mim, estranhos acontecimentos; mais ainda quando as escolhas são por votação livre e resultam nas mais inesperadas consagrações. Em regra não percebo as escolhas, ainda menos a relevância do acontecimento; por isso me questionei o que escrever para um número a publicar na ocasião da "Gala de Prémios Jornal Construir". Nunca participei nesta iniciativa ou similar, votando ou de qualquer outra forma, mas reflectindo sobre os nomeados deste ano dos "Prémios Construir 2007" concluí como é difícil a escolha – talvez desconheça metade das opções e as outras confrontam-se entre realidades completamente distintas. Acredito que poucos conseguirão fazer uma votação objectiva e fundamentada na totalidade, optando por intuição, "emoção" ou percepção da realidade para as "restantes"; ou seja, muitas vezes, estes Prémios resultam na consagração do menos merecedor entre os previamente seleccionados (o que já é discutível). Mas na verdade este meu juízo de valor sobre os "prémios" peca por "determinismo", partindo de um pressuposto de "verdade absoluta", que nem os promotores colocam ao lançar o desafio da escolha aos leitores. Os Prémios e a Gala do Jornal "Construir" são a festa de uma revista dedicada a um sector determinante da nossa sociedade, que propõe aos seus leitores uma escolha – subjectiva talvez – de entre os protagonistas da arquitectura, engenharia, construção e imobiliário nacional. É a celebração de um ano de actividade do "negócio da indústria da construção" e do jornal "Construir". Reflectindo um pouco mais sobre os "Prémios", a escolha dos leitores do Jornal "Construir" poderá não resultar numa selecção "cientifica" dos "melhores" mas a sua leitura comparada (escolhidos vs preteridos) permitirá compreender qual a nossa percepção da realidade, aquilo a que damos ou não relevância. Perceber aquilo a que em determinado momento se dá importância é essencial para o debate, compreender o caminho que trilhámos – para continuar ou definir novas rotas caso necessário seja.

Por fim aproveito para fazer a minha escolha e divulgá-la, independentemente do resultado final, para o prémio Prémio Personalidade em Arquitectura 2007:

Helena Roseta, consagrando os seus dois mandatos na Ordem dos Arquitectos – pelo que eles significaram em termos de regresso da arquitectura à "praça pública", no debate da habitação, do ordenamento do território e da cultura – e pela ousadia eleitoralmente reconhecida da candidatura à Câmara Municipal de Lisboa.

Arquitecto

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