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Triunfar na entrevista

23 de Janeiro de 2009 às 06:00:58 por Construir

por, Tiago Ivo Martinho

No último artigo foi explanado o tema Curriculum Vitae e os vários conselhos direccionados à sua melhor elaboração. Importa agora abordar outro momento do processo de selecção: a entrevista, sem dúvida a etapa mais complexa e decisiva.
À semelhança da forma do CV a análise da entrevista está também sujeita à interpretação subjectiva de quem recruta, daí não existirem fórmulas de sucesso pré-definidas. Podem, no entanto, ser tomadas em conta certas recomendações, recolhidas através de amostras e estudos junto de quem recruta e que potenciam as possibilidades de sucesso da entrevista.

Antes…
É essencial o conhecimento acerca da empresa à qual se candidata. As perguntas pertinentes são valorizadas e é importante mostrar motivação e interesse pelo projecto.
Deve recolher-se informação acerca do sector de actividade, mercado, principais concorrentes e sobre a empresa em si: Quais são os produtos e os serviços? Qual é a estrutura da empresa? Quem são os accionistas? Tem uma actividade internacional? Houve mudanças recentes na sua composição? Quais os aspectos principais da cultura corporativa? Para obter estes dados, é importante adquirir folhetos comerciais, relatórios e contas anuais, consultar o site corporativo ou adquirir referências a partir da rede de contactos do candidato.
Recolhida esta informação, da mesma forma que um bom comercial conhece bem o seu produto, o candidato deverá ter bem identificados os aspectos do seu perfil a salientar. Sendo assim, antes da entrevista, deverá haver um momento de reflexão como preparação às questões seguintes: Porquê o interesse pela oportunidade oferecida? De que forma coincide com os objectivos de carreira do candidato?

O momento da entrevista
Uma entrevista tem a duração média de uma hora e pode ser conduzida de diversas formas. A mais comum remete para o candidato o discurso permanente, sendo convidado no início a descrever livremente o seu percurso profissional. Torna-se recomendável neste contexto não avançar demasiados pormenores na exposição. O ideal será a preparação de um pequeno resumo de cerca de 5 a 10 minutos com as qualidades e competências técnicas do candidato. A ilustração do percurso profissional com exemplos passados é uma forma de enriquecer o resumo e acaba também por gerar alguma informalidade na entrevista.
Outro formato possível de entrevista, embora raro, é sobre pressão. O objectivo neste caso é analisar as capacidades do candidato quando colocado numa situação desconfortável. É ainda mais importante neste cenário reagir com naturalidade e não tomar conclusões precipitadas. A diplomacia é fundamental e as respostas deverão ser bem ponderadas.
Na área de Engenharia, a entrevista exame técnico é também muito utilizada, dada a importância das competências técnicas na posição a preencher. Este é sem dúvida o tipo de entrevista mais difícil de preparar dada a complexidade de conteúdos que poderão ser abordados. Caso as perguntas do "exame" não sejam óbvias, o recomendável será sempre admitir o desconhecimento da solução do problema mas definindo, em alternativa, um plano de recurso para a encontrar, nunca revelando bloqueios ao imprevisto ou ao desconhecido.
Em entrevistas mais extensas, onde o interlocutor se alongue nas descrições, é importante não perder a concentração. O candidato encontra-se em avaliação e terá que manter-se focado permanentemente, não divulgando informação desnecessária e controlando a sensação de descontracção que possa sentir na conversa, por mais simpático que seja o entrevistador. Podem também ocorrer momentos de silêncio absoluto com a intenção de testar os candidatos. Desconcertado, o candidato pode sentir-se tentado a falar demasiado. Neste caso, é preferível envolver-se no jogo, respeitando os momentos de silêncio (não em demasia) e respondendo com perguntas para dar continuidade à entrevista.
Para melhor conhecer o projecto e estruturar o discurso poderão ser tomadas notas durante a entrevista. É sempre uma boa "antecipação" colocar questões com o objectivo de mostrar interesse pelo lugar e para melhor identificar as próprias motivações (quais são as responsabilidades inerentes ao lugar, as dificuldades encontradas, as qualidades necessárias para ter êxito, a cultura da empresa, a equipa directa de trabalho, etc.).

… e depois
Deverá ser o interlocutor a indicar o final da entrevista. Nesse período, se assim se proporcionar, o candidato deverá resumir em duas ou três frases o que disse, reafirmando o interesse na posição e agradecendo o tempo concedido. Além desta postura, o profissionalismo do candidato fica também reforçado com algumas questões sobre as próximas fases do processo, nomeadamente timings de decisão e incorporação.
Perante um processo de selecção que implique várias entrevistas consecutivas, é importante cativar cada novo interlocutor, mantendo a curiosidade, o entusiasmo e profissionalismo entre as várias entrevistas. Os vários decisores irão analisar cada candidato em conjunto, pelo que a coerência é fundamental para criar opiniões unânimes.
Além destas recomendações existem múltiplos cenários, conselhos e dicas possíveis. Os mesmos poderão ser estudados em pormenor em artigos da especialidade, informando melhor os candidatos para várias situações. Por outro lado, uma preparação demasiado exaustiva da melhor estratégia de entrevista pode revelar-se fatal, retirando espontaneidade no momento do diálogo e reduzindo a empatia necessária a criar. A linguagem a utilizar deverá ser acima de tudo fluida, concisa e profissional, altamente direccionada para o projecto em questão e com uma marca própria de personalidade. Afinal trata-se de pessoas e será sempre o factor humano o elemento decisivo na escolha final. n
*Manager de Engineering & Property da Michael Page


 

Palavras Chave: Emprego & Formação


 

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