
O sector do turismo é reconhecidamente assumido como um dos sectores estratégicos na economia portuguesa. De acordo com a Organização Mundial do Turismo, segundo dados de 2008, Portugal encontra-se entre os 20 maiores destinos do mundo, sendo que, no que diz respeito à qualidade dos recursos (onde se incluem humanos, culturais e naturais), o nosso país destaca-se com o 11º lugar. Desta feita, é lógico que as empresas de equipamento hoteleiro têm uma importante palavra a dizer, nomeadamente na reflexão e estado actual do sector. Como começa por explicar o responsável do departamento de marketing da Roca, Artur Silva, é um mercado que se encontra "em sofrimento", caracterizado por "uma tentativa de retoma motivada especialmente pela renovação das áreas hoteleiras existentes". No entanto, sublinha Artur Silva, "a construção de raiz está como sabemos limitada e sem a expressão desejada". De acordo com o mesmo responsável, o trabalho que a Roca tem desenvolvido é no sentido de "garantir que o cliente do sector hoteleiro se sinta satisfeito". Ainda para Artur Silva, "dadas as actuais circunstancias do mercado, penso que estamos na presença de clientes mais exigentes e mais determinados na utilização de equipamentos com as melhores condições possíveis". Da parte da Listor, o director comercial da empresa, João Março, indica que "nestes dois últimos anos, todos os sectores foram progressivamente afectados, fruto da crise financeira e como tal muitos dos investimentos previstos nesta área sofreram um abrandamento e em alguns casos uma paragem que esperamos seja recuperada nos próximos anos". Na sequência desta análise, o mesmo responsável sublinha que o turismo "não atravessa um bom momento e as previsões não se devem alterar tão cedo", pelo que a Listor "começou a alterar a sua forma de funcionar". João Março justifica: "estávamos convictos que o mercado estava a mudar e a forma de estar neste negócio iria também alterar-se, com uma maior incidência na área da remodelação e nos produtos de maior valor acrescentado e com qualidade". No caso da Metalúrgica Luso-Alemã, o director de marketing, João Costa Lourenço, indica que para o sector de equipamentos hoteleiros comercializam produtos da Zenite, destacando que "desde sempre, os artigos Zenite têm merecido importante preferência do sector hoteleiro. Por isso mesmo é, para nós um cliente de relevante importância". O responsável pela área de marketing da Lusotufo, Helder Cunha, destaca a "importância cada vez maior" que o sector hoteleiro assume regularmente a nível nacional. Desta feita, a Helder Cunha revela que a empresa "tem vindo a crescer substancialmente nesta área de negócio, apesar de este mercado ainda representar cerca de 10% das vendas totais, sendo que cerca de 80% continua a ser para o mercado externo, nomeadamente para países como Inglaterra, Irlanda, Espanha, Alemanha, Bélgica, EUA, França, entre outros". Considerando o sector "como único", o CEO da Vicaima, Arlindo Costa Leite, destaca que a empresa posiciona-se como "um parceiro de negócio e não como um simples fornecedor", no sentido em que dispõe de "equipas de projecto especializadas que desenvolvem soluções que respondem às necessidades e objectivos do cliente no que respeita ao design e funções pretendidas". Por conseguinte, indica o mesmo responsável, "o sector hoteleiro continua a ser um motor de investimento ao nível nacional e internacional, como tal, assume para nós uma importância relevante que impulsiona a nossa especialização também neste segmento", sendo que a empresa marca presença em empreendimentos turísticos do sector, como o Tivoli Vitória, Douro Palace, Herdade da Cortesia Hotel, Melia, Vila Galé, entre outros.
Novidades para "clientes exigentes"

Constituindo-se "um ano repleto de novidades", 2009 significa para a Vescom a apresentação de novas colecções e um forte investimento em tecnologia, "o que nos permite criar produtos únicos", indica o responsável comercial da empresa, Cláudio Fernandes. A empresa, cujo destaque para o mercado hoteleiro recai na produção e comercialização de revestimentos de parede e tecidos, "procura sempre apresentar soluções com baixo custo de manutenção e elevada durabilidade", indica o mesmo responsável. E Cláudio Fernandes está consciente da importância do sector hoteleiro para a Vescom, quando revela que "a par do hospitalar, são os nossos principais alvos, representando cada um, aproximadamente 35% das nossas vendas". No caso da Lusotufo, para o sector hoteleiro disponibiliza e comercializa alcatifas, tapetes, sisais e outros pavimentos têxteis, sendo que, conforme indica o responsável de marketing da empresa, Helder Cunha, "a empresa Lusotufo Contract oferece uma solução mais integrada para este sector, tipo chave na mão". A este nível, o mesmo responsável explica que, para além dos produtos já mencionados, a empresa "oferece ainda soluções de tecidos, mobiliário, carpintaria, iluminação, estofos, cortinas, colchas, lençóis, toalhas, entre outros". Ainda de acordo com o mesmo responsável, "a nível de novidades, não existem produtos que mereçam algum destaque, dado que a nossa mais valia é a apresentação de soluções personalizadas, feitas à medida de cada cliente". No caso da Listor, as novidades passam pelo Torlys Smart Floor, "a mais recente família de pavimentos flutuantes que tem como fio condutor a ecologia", indica o director comercial da empresa. João Março continua, indicando que "outro elemento em destaque é a possibilidade de visuais em cortiça, cabedal, linóleo ou madeira poderem ser combinados entre si fruto da compatibilidade da junta patenteada uniclic. A esta característica acrescentamos em todos os produtos o underlay em cortiça". Não obstante, a Listor apresenta como novidades "os produtos Maestro Water Wall, vocacionados para a remodelação de casa de banho, cozinhas, ginásios, balneários".
Série 'Simplesmente Siza'
No caso da Roca, o responsável pelo departamento de marketing, Artur Silva, revela que é habitual a empresa "apresentar anualmente uma novidade por cada área de actuação: na loiça sanitária, nas torneiras, nas soluções de duche, nos spa's, nos móveis e lavatórios.". Em 2009, essa novidade foi a série 'Simplesmente Siza', descrita como "uma série simples, confortável, flexível e económica, [em que] temos já disponíveis duas séries de torneiras – a Monondi e a Victoria". Não obstante, ainda de acordo com Artur Silva, "vamos disponibilizar uma série onde se podem conjugar 36 peças", sendo que, no decorrer deste ano, "temos agendado mais uma apresentação de série de louça sanitária". "A vontade e a determinação é de conseguir dar ao mercado todas as ferramentas para que se possam realizar todas as vontades", explica o responsável da Roca para, de seguida, sintetizar o objectivo da empresa: "em resumo a Roca, sem esquecer a sustentabilidade, o design, a tecnologia e a funcionalidade, apresenta em 2009, novidades globais que permitem o individualismo de cada um". No caso da Metalúrgica Luso-Alemã, o director de marketing, João Costa Lourenço, indica que para o sector de equipamentos hoteleiros comercializam produtos da Zenite, sendo que esta empresa "disponibiliza especialmente torneiras e misturadoras, peticionáveis por diferentes tecnologias".

O destaque, segundo Costa Lourenço recai nos produtos monocomando, termostática e electónica, sendo que, "para além dos produtos citados disponibilizamos também um vasto leque de sistemas para duche". A este nível, o mesmo responsável indica que "a nossa gama dispõe de artigos encastráveis na parede ou de instalação exterior (à vista)". Costa Lourenço abre a porta às mais recentes preocupações da Metalúrgia Luso-Alemã, considerando que "para aplicação na indústria hoteleira é nossa especial preocupação disponibilizarmos artigos de 'design' actual e equipados de sistemas de patente, com preocupação ecológica". A este nível, o director de marketing da empresa indica que disponibilizam "equipamentos especialmente desenvolvidos para a economia de água e energia, sem no entanto diminuir a comodidade dos utilizadores". No caso da Vicaima, a empresa tem vindo a desenvolver novas soluções construtivas para os seus produtos, "como é o caso do Portaro Inverse Corta-fogo 30m", sustenta Arlindo Costa Leite. Segundo o mesmo responsável, "o Portaro, eleito por algumas cadeias hoteleiras, permite criar espaços minimalistas uma vez que a porta fica faceada com os painéis de revestimento".
No que diz respeito a inovações, Costa Leite indica que "o grande lançamento este ano, foi sem dúvida o Portaro Connect, criado em parceria com a Cifial, e que se apresenta como uma solução integrada única que inclui porta e aro corta-fogo, fechadura e leitor RFID e um evoluído sistema de controlo de acessos on-line".
Perspectivas até final de 2009
Indicando que "desde a sua criação, a Vescom tem tido um crescimento constante", o responsável comercial da empresa, Cláudio Fernandes, espera voltar a repetir em 2009 os resultados de 2008, ano em que "excedemos todas as expectativas". No caso da Roca, Artur Silva começa por sustentar que, "antes de mais deve-se dizer que este ano é de difícil conceito". No entanto, o responsável pelo departamento de marketing da empresa indica que "de qualquer forma podemos dizer (agora que estamos a fechar o semestre) que, apesar do estagnamento do mercado, os objectivos não estão hipotecados, são de difícil cumprimento apesar das dificuldades já vencidas e das adversidades que se advinham". E destaca a presença em feiras, como "espaço de excelência para estabelecermos novos contactos e mostrarmos as nossas novidades e conceitos relativamente aos produtos e novos processos".
Desta feita, ao nível de feiras, Artur Silva indica que "normalmente a Roca está presente nas principais feira de cada país, em Portugal costumamos marcar presença na Tektónica e no estrangeiro na feira ISH, que decorre na Alemanha, talvez a feira mais importante a nível Europeu". Por conseguinte, sublinhando que a empresa "está optimista em relação ao futuro", Artur Silva indica que "para este ano esperamos manter a actividade que nos caracteriza, estar presente no mercado e continuar a realizar actividades que dêem confiança a todos os que connosco, directa ou indirectamente trabalham". No caso da Lusotufo, o responsável de marketing da empresa, Helder Cunha, começa por indicar que "as nossas expectativas para o ano de 2009 são bastante elevadas, dado que temos notado um forte crescimento nesta área".
Entre as causas apontadas Helder Cunha refere "por um lado os novos projectos e remodelações que estão a ser executados pelos nossos empresários hoteleiros e por outro lado o reconhecimento e notoriedade que estamos a ter, resultados do bom desempenho que temos tido, tanto a nível da qualidade dos nossos produtos como dos serviços que prestamos".
Vendas crescentes
As expectativas da Vicaima passam por "consolidar as operações no mercado nacional e crescer nos mercados internacionais", onde a empresa já se encontra presente e está a "pensar apostar em breve", indica o seu CEO, Arlindo Costa Leite. De acordo com o mesmo responsável, "encaramos como o nosso maior desafio, e factor crítico de sucesso para o futuro, manter o cariz inovador dos nossos produtos, conciliando funcionalidade, segurança e design". O director de marketing da Metalúrgica Luso-Italiana, João Costa Lourenço, encontra-se confiante para os resultados do ano. Conforme indica ao Construir, "as nossas vendas destinadas à indústria hoteleira, sempre representaram uma cota de elevado valor no nosso volume de negócios, e de forma crescente". Desta feita, continua Costa Lourenço, "hoje, e pelas razões de todos conhecidas, essa cota aumentou exponencialmente não só porque a indústria continua a apostar na construção de novas unidades mas também pela acentuada quebra registada na construção de edifícios residências". No caso da Listor, João Março é mais comedido nas palavras.
Antevendo que "os dois próximos anos serão de muitas dificuldades", o director comercial da empresa acredita que, simultaneamente, "serão anos também de oportunidades que não se irão repetir". Desta feita, a empresa procura saber o caminho a seguir: "na Listor não temos pressa em atingir os nossos objectivos, sabemos que os investimentos e as opções que fazemos têm que ser duradouras, sólidas e acima de tudo termos os parceiros correctos para executar as acções e investimentos necessários". Finalmente, ainda de acordo com o mesmo responsável, "neste primeiro semestre vamos cumprir com os objectivos que tínhamos previsto, muito embora os valores estejam abaixo do ano passado".

Lisboa é a segunda região onde o turismo tem maior peso na actividade económica
Lisboa e Vale do Tejo é a segunda região do país, a seguir ao Algarve, onde o turismo tem maior peso na actividade económica, tendo registado em 2008 proveitos de 569 milhões de euros, segundo dados do Turismo de Portugal. Mas esta ordem de importância pode inverter-se ainda este ano. De acordo com a Lusa, o Algarve liderou os proveitos por estabelecimentos hoteleiros, com 580 milhões de euros, num sector económico que obteve o ano passado receitas totais de 7.500 milhões de euros. Apesar de ainda ser cedo para tirar conclusões relativamente a 2009, os dados acumulados até Março apontam para uma inversão da ordem de importância, com Lisboa a destacar-se em primeiro lugar em termos de proveitos por estabelecimentos hoteleiros, ao registar 92,8 milhões de euros face aos 51,2 milhões de euros do Algarve. Ou seja, se a tendência se verificar até ao final do ano, pela primeira vez, Lisboa passará a ser a região mais importante para o turismo português, ultrapassando o extremo sul do país. Esta inversão não é propriamente positiva, já que é pelas más razões que tal acontece. A crise no turismo mundial está a afectar de uma forma mais vincada o Algarve que Lisboa, isto porque uma boa parte das receitas da capital são provenientes do turismo de negócio, que tem menos sazonalidade. Pelo contrário, o Algarve está bastante dependente das férias mais prolongadas e do período de Verão. É exactamente neste sector que a crise se faz mais sentir devido à retracção económica em todo o mundo e especialmente na Europa, o grande fornecedor de turistas para a região algarvia. No entanto, os dados de 2008 confirmam Lisboa como a segunda região do país onde as receitas do turismo têm mais peso, com uma quota de 29%, seguida da Madeira, com 15,1%, da região Norte, com 10,9%, da região Centro, com 9,7%, do Alentejo, com 2,9%, e, por último, dos Açores, com 2,8%.
Palavras Chave: Arquitectura & Urbanismo
