FCTUC na vanguarda do desenvolvimento

Por a 8 de Abril de 2010

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) tem sido um pólo de referência nacional na formação e no desenvolvimento de novas soluções tecnológicas na área da engenharia civil. Actualmente lidera o único Mestrado Avançado Europeu em Construção Metálica Sustentável e tem vindo a lançar várias inovações tecnológicas como a construção de casas low-cost. Um dos timoneiros destes bastiões de conhecimento na área da engenharia é o professor catedrático Luís Simões da Silva, que é também o presidente da Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista (CMM) e presidente da Technical Management Board da Associação Europeia de Construção em Aço (ECCS), que foi responsável pela génese dos Eurocódigos, tendo criado, em 1996, “a primeira versão daquilo que viria a ser os Eurocódigos”. “Neste momento, trabalha no sentido de promover todo o sector de construção em aço”, esclarece o catedrático, relativamente à actividade desta associação europeia, que tem sempre a decorrer acções em várias vertentes, como a “técnica, a promocional e a educacional”. “Esta associação representa todas as empresas do sector” e lançou, em Bruxelas, o primeiro volume de uma colecção de manuais técnicos, que “são os primeiros manuais lançados a nível europeu para permitir a implementação dos Eurocódigos”, que entram em vigor no final deste mês.

Um mestrado para todo o mundo

A ECCS é também um dos principais apoiantes do Mestrado Avançado Europeu em Construção Metálica e Sustentável, que irá decorrer nas instalações da FCTUC, no próximo ano lectivo e compreende um “doutoramento, um mestrado avançado de longa duração, isto é, dois anos, um mestrado de curta de duração de um ano e um curso de especialização, também de um ano”. “Estamos a começar agora a fazer a divulgação a nível mundial”, declara Luís Simões da Silva, adiantando que esta formação será leccionada por cinco universidades europeias cujos docentes estarão em Coimbra durante um ano. “Estamos à espera de 15 alunos estrangeiros e outros 15 portugueses neste primeiro ano”, esclarece o coordenador deste curso, referindo que este ano vai ser “um ano piloto”. Com o mestrado, Luís Simões da Silva espera formar “pessoas altamente especializadas, que possam trazer mais valias para as empresas”, através do seu conhecimento técnico, algo que, segundo este responsável, faz falta ao mercado. “Falámos com as empresas, que nos disseram que o seu maior problema era o recrutamento de pessoas qualificadas”, remata.

Diversos níveis de formação

Para receber aqueles que obtiveram licenciatura em engenharia após o Processo de Bolonha, foi desenvolvida uma solução que consiste em aceitar alunos com quatro anos de formação em Engenharia Civil, “portanto, vêm fazer o último ano de especialização no âmbito de um mestrado integrado”. Como explica o coordenador, esta formação “não é para licenciados, mas sim para licenciados com mais um ano de mestrado”. Em termos de qualificações, este curso terá “múltiplas ofertas, com uma base integrada”, que compreende formação de base, formação intermédia e formação altamente especializada. Os responsáveis têm uma visão “holística” deste mestrado, o que quer dizer que o mesmo está focalizado em todo o processo de construção, não estando restringido à estrutura. “Nós queremos tratar de tudo, desde arquitectura, comportamento funcional, térmica, acústica, iluminação e instalações mecânicas”, explica Luís Simões da Silva, que garante que é tudo feito “numa lógica de garantir a sustentabilidade das soluções”, num ambiente de aplicação intensiva do aço. As quatro grandes áreas consistem nos edifícios, nas pontes e obras de arte, nas instalações industriais e nas instalações para a produção de energias renováveis. Na sua condição de responsável europeu “por todas as comissões técnicas”, este engenheiro conhece bem o panorama europeu e procurou as universidades de excelência no sector e “pessoas com a mesma visão”, para proceder à selecção dos docentes, que, para além da FCTUC, virão também das Universidades Técnicas de Praga (República Checa) e Lulea (Suécia), de Liège (Bélgica) e da Politécnica Timisoara (Roménia). “Estamos a tentar fazer o melhor curso do mundo”, assume Luís Simões da Silva.

A globalização da investigação

A investigação levada a cabo pelo Departamento de Engenharia da FCTUC é também feita em colaboração com a Universidade do Minho, onde há um sector de estruturas em aço e vidro e de manutenção de pontes e obras de arte que é, para Luís Simões da Silva, “muito forte”. Neste momento, o departamento deste catedrático tem em mãos nove projectos europeus, com um financiamento contratualizado de 5 milhões de euros para investigação, valor que advém, na sua maioria, de fundos comunitários. “Estes projectos são feitos também com consórcios europeus”, explica o presidente da CMM, declarando que a “globalização da investigação é perfeitamente real”. Exemplo disso é o facto de a FCTUC coordenar um projecto europeu para o desenvolvimento de ligações mistas, “aço e betão, ao fogo”, sendo a reunião deste iniciativa na Suécia.

Conceber projectos para o futuro

Um dos projectos desenvolvidos no âmbito europeu consiste na criação de uma geração de torres eólicas em aço, estando actualmente em fase de conclusão do relatório final, e provou ser “de tal maneira viável, que duas empresas, de uma forma completamente abusiva, patentearam a solução”, revela Luís Simões da Silva. Estão também a ser criadas metodologias para a “concepção de parques de estacionamento com estrutura metálica”, de forma a ultrapassar o problema da “possibilidade de existência de incêndios localizados”, e, neste âmbito, a FCTUC irá albergar uma série de ensaios e de simulações. Liderado pela Universidade de Estugarda, na Alemanha, mas também com colaboração da Universidade de Coimbra, o projecto para a construção de pontes sustentáveis conta com a participação da Brisa e “tem a ver com o contexto de passagens superiores mistas em caixão e em viga de alma cheia”. Neste caso os estudos são dirigidos para a optimização da performance ao longo do ciclo de vida, “quer do ponto de vista de sustentabilidade ambiental, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista de durabilidade”, conforme menciona Luís Simões da Silva.

3 comentários

  1. Jorge Lupi Nogueira

    31 de Maio de 2011 at 19:55

    Acho uma ideia extremamente interessante e gostaria de saber como poderia uma pequena empresa da área da construção civil participar do projecto e desenvovimento das «Casas Sustentáveis low cost».

    Obrigado pela atenção

  2. Saul Santos

    13 de Agosto de 2011 at 19:06

    Estou interessado numa destas casas.
    Qual a entidade a contactar?

    Obrigado

  3. Mário Viegas

    1 de Janeiro de 2012 at 18:54

    Já vi isto documentado numa revista, mas nada se sabe mais.
    Será porque o conceito é bom e mais barato e melhor que a maior parte dos edificios
    contruidos, que são quentes no verão e frios no inverno.
    Gostava de saber mais.

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