Comerciantes do Porto garantem que “Portela+1” permite poupar 800 milhões de euros

Por a 18 de Maio de 2010

A Associação Comercial do Porto (ACP) sublinhou esta segunda-feira as vantagens, num contexto de austeridade económica, da solução “Portela+1” para o novo aeroporto de Lisboa, que permitiria poupar 800 milhões de euros e responder às “incertezas” da crise internacional.

“O nosso modelo coaduna-se com tempos de austeridade como o actual e com qualquer outro, porque os fundos públicos têm sempre que ser bem utilizados, mas quando estamos em período de crise são mais prementes as exigências da boa utilização”, afirmou Álvaro Nascimento, da Universidade Católica e co-autor do livro “Recursos a Voar: Como Decidir o Investimento Público em Tempos de Crise”.

Editado pela ACP e hoje apresentado no Porto, o livro parte do estudo encomendado em 2007 à Católica pela associação e que defendeu então a manutenção do esquema “Portela+1” (actual aeroporto de Lisboa complementado com uma outra infraestrutura) até que o primeiro atingisse o limite de 18 milhões de passageiros por ano.

No livro hoje apresentado, os autores – Álvaro Nascimento, da Católica, e Álvaro Costa, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) – apontam o “Portela+1” como um “bom exemplo” de investimento público em tempo de crise.

“Em vez de transferir de uma vez todo o aeroporto, o que nós propomos é que primeiro se retire da Portela apenas o tráfego ‘low cost’, transferindo-o para um novo aeroporto [em Alcochete] que [numa primeira fase] não necessita de um investimento tão aprofundado como um aeroporto grande”, afirmou Álvaro Nascimento.

“Com o ‘Portela+1’ estou a economizar ao investir de uma forma mais gradual, num valor que estimamos que possa aproximar-se dos 800 milhões de euros”, disse.

Segundo Álvaro Nascimento, a construção do novo aeroporto por módulos ao ritmo da evolução do tráfego aéreo tem ainda a vantagem de se adaptar melhor às “incertezas” criadas pela crise internacional.

“Se a procura evoluir de forma desfavorável é possível que a transferência para a Portela não seja necessária nos próximos 10/15 anos e, então, estou a poupar um investimento que estaria ali inutilizado e pelo qual tenho que pagar juros do financiamento e custos significativos de manutenção”, sustentou.

Também presente na apresentação do livro, onde teve uma participação, o economista Alberto Castro destacou entre as “incertezas” quanto à evolução do tráfego na Portela o futuro da TAP após a privatização.

“Se a TAP for privatizada, por exemplo, para um consórcio liderado pela Ibéria, é possível que haja uma transferência de tráfego substancial de Lisboa para Barajas [Espanha], o que só reforça a necessidade de um modelo que permita ter flexibilidade suficiente para acomodar estes cenários”, disse.

Um comentário

  1. Fernando Silveira Ramos

    18 de Maio de 2010 at 9:38

    Cuidado.
    De boas intenções está o inferno cheio.
    Não se esqueçam dos acréscimos dos custos de exploração e manutenção de dois aeroportos em vez de um, nem dos proveitos provenientes das alternativas de utilização dos espaços ocupados actualmente pela Portela.
    Se foi tudo considerado, óptimo. Fico sempre de pé a traz com encomendas de estudos com as conclusões tiradas antecipadamente pelo contratante.

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