No sentido de “proporcionar à comunicação social a oportunidade de conhecer in loco duas importantes obras a decorrer na cidade de Sines, que, devido à sua complexidade, têm exigido a utilização de equipamentos, metodologias e execução de estruturas inovadoras”, a Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP) levou os jornalistas ao Terminal de Gás Natural Liquefeito e ao Cais de Contentores – Terminal XXI, no porto desta cidade na costa alentejana. Manuel Agria, vice-presidente da direcção e António Manzoni, responsável pelo departamento de economia, representaram a ANEOP nesta visita.
Terminal XXI
O plano de expansão do Terminal XXI envolve um investimento global da ordem dos 69 milhões de euros, dos quais cerca de 18,8 milhões correspondem à ampliação do cais de acostagem em 350 metros, o que permitirá perfazer o comprimento total de 730 metros. Concessionado à Autoridade Portuária de Singapura (PSA), o projecto deste terminal inclui também a ampliação da área de armazenagem de contentores em mais cinco hectares, para um total de 18 hectares, além da construção do edifício da alfândega.
CPTP à frente da obra
Com conclusão prevista para o primeiro trimestre do próximo ano, esta obra foi adjudicada ao consórcio Companhia Portuguesa de Trabalhos Portuários (CPTP), do grupo Mota-Engil. O projecto foi entregue à JL Câncio Martins e à Proman, sendo que, esta última empresa, também terá a fiscalização a seu cargo. Ao todo, a empreitada conta com 80 trabalhadores. Em Setembro deste ano deverá já entrar em serviço um troço do cais com 100 metros de comprimento contíguo ao actual. Esta expansão possibilitará a duplicação da capacidade actual do Terminal XXI de 400 mil para 800 mil unidades equivalentes a 20 pés (TEUS). O futuro cais permitirá a atracação no Porto de Sines de navios porta-contentores super pós-panamax de última geração com 14 mil TEUS de capacidade. Isto levou a concessionária a efectuar um investimento de 21 milhões de euros na aquisição de três novos pórticos de cais super post-panamax e mais 7,7 milhões de euros dirigidos para o equipamento de movimentação e para o interface ferroviário. Este projecto surge no contexto do cumprimento dos objectivos estratégicos da Administração do Porto de Sines, determinados pelas Orientações Estratégicas para o sector Marítimio-Portuário. Concluída a obra, o porto ganhará competitividade para servir o mercado de Madrid.
Os trabalhos
A construção da ampliação do cais do Terminal XXI representa a duplicação efectiva da frente acostável, para nascente, incluíndo os caminhos de rolamento dos pórticos-cais, em plena simetria com o cais actual. Este cais é constituído por uma laje vigada de betão armado assente em cinco fiadas de estacas de betão armado com 1,30 metros de diâmetro, o que totaliza uma frente acostável de 347 metros. Este tabuleiro apresenta-se com uma largura total aproximada de 36 metros, englobando, desta forma, ambos os carris do caminho de rolamento dos pórticos de descarga dos contentores. A construção das estacas em betão armado é feita com recurso a camisa metálica perdida. Por sua vez, o revestimento do talude do pedrapleno, inferior ao tabuleiro, é protegido por camada dupla de enrocamento de uma a duas toneladas. O material pétreo utilizado para o terrapleno, que totaliza cerca de 20 mil metros quadrados de pavimento, com uma camada de desgaste de blocos pré-fabricados de betão, é proveniente da pedreira de Monte de Chãos. O tabuleiro e a frente de acostagem são apetrechados com dispositivos e acessórios, redes técnicas e demais equipamentos, proporcionando uma eficiente utilização e apoio às operações da carga contentorizada.
Métodos construtivos
As estacas são cravadas, furadas e betonadas por meios flutuantes, constituindo a fundação do tabuleiro do cais. Este é totalmente betonado in situ, com recurso a um sistema de cofragem auto-lançado, assente sobre as estacas, obedecendo a uma técnica correntemente utilizada na construção de pontes e de viadutos de tramos múltiplos. Desta forma obtém-se uma solução constituída por uma laje nervurada apenas numa direcção, com as nervuras dispostas paralelamente à frente do cais. O tabuleiro é formado por uma laje de 0,45 metros de espessura, monoliticamente apoiada sobre cinco nervuras longitudinais, que, por sua vez, se encontram apoiadas nas estacas. A compor o tabuleiro encontram-se quatro módulos separados por juntas de dilatação. Os topos dispõem de vigas transversais que conferem uma rigidez maior à estrutura. Esta solução permite a execução semanal de 12 metros de comprimento de cais de atracação.
Expansão do Terminal de Gás Natural Liquefeito
A ampliação do Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL), concessionado à REN Atlântico, está avaliada em 180,4 milhões de euros. A empreitada de engenharia, aprovisionamento, construção e comissionamento foi adjudicada ao consórcio PROJESINES, ACE, constituído pela Somague Engenharia, que detém uma participação de 85%, e pela TGE Gas Engineering GmbH, com uma participação de 15%. Esta obra tem um prazo de desenvolvimento de três anos, estando a conclusão prevista para Maio de 2012. O gás natural, que provém principalmente da Nigéria e de Trinidad e Tobago, em estado liquefeito, é descarregado, armazenado e posteriormente vaporizado e emitido para a rede nacional de transporte de gás natural em alta pressão. O terminal dispõe ainda de equipamentos para encher camiões cisterna que transportam o GNL para locais que não são servidos pelo gasoduto.
Objectivos
Os trabalhos de expansão visam ampliar a capacidade de armazenagem do GNL de 240 mil para 390 mil metros cúbicos, bem como o incremento da capacidade de emissão (base e ponta) para a rede nacional de transporte de gás natural em 33% e 50%, respectivamente. A obra prevê ainda a construção de um sistema de bombagem de GNL a baixa pressão com instalação de quatro bombas de GNL no novo reservatório: duas com caudal normal de 500 metros cúbicos por hora e duas com caudal normal de 330 metros cúbicos por hora. O sistema de bombagem de GNL a alta pressão prevê a instalação de duas novas bombas de alta pressão, enquanto que o sistema de vaporização irá contar com dois novos vaporizadores. Actualmente o terminal é composto por uma estação de acostagem para navios com uma capacidade entre 40 mil e 215 mil metros cúbicos, com um tempo de descarga aproximado de 20 horas, por dois tanques de armazenamento com uma capacidade comercial de 120 mil metros cúbicos cada e cinco vaporizadores destinados à regaseificação. O terminal dispõe de uma capacidade (nominal) de emissão garantida de 675 mil metros cúbicos por hora, uma capacidade de ponta de 900 mil metros cúbicos por hora e poderá carregar até três mil camiões cisterna por ano.
Sistemas e equipamentos
De acordo com a informação fornecida pela Somague, a implementação deste projecto é feita na modalidade de “preço global, revisível, e “chave na mão”, compreendendo, nomeadamente mas não exclusivamente, os serviços de estudo, concepção, engenharia, seguro, fabrico, transporte, fornecimentos, preparação do sítio e acessos, construção, montagem, peças de reserva, pré-comissionamento, comissionamento, interligação ao terminal existente, formação e treino do pessoal”. Para além dos sistemas de bombagem de GNL a alta e baixa pressão, proceder-se-á à instalação de um sistema de captação e bombagem de água do mar, que engloba a construção de um novo caixotão para a tomada de água para uma capacidade de 20 mil metros cúbicos por hora, incluindo a instalação de dois conjuntos de pré-filtros e filtros, com uma capacidade individual de 10 mil metros cúbicos por hora, duas bombas de água do mar com uma capacidade de 5 mil metros cúbicos por hora e quatro comportas para seccionamento/abertura nos três canais de captação. O sistema de adulão de água do mar inclui a instalação de duas novas linhas de adução constituídas por tubagem em GRP (Glass Fiber Reinforced Pipe) que possibilitarão o incremento de capacidade instalada de 20 mil para 40 mil metros cúbicos por hora. O consórcio procede também à construção de um novo circuito de rejeição (em canal, aqueduto e galeria em túnel), com capacidade de restituição, por gravidade, de 40 mil metros cúbicos de água do mar. Por sua vez, os trabalhos consistirão também na expansão das diversas utilidades do terminal, tais como água industrial, ar de instrumentos, azoto, diesel, gás combustível e outros fluídos. Vai ser construída uma nova subestação (SE6) para assegurar a alimentação das novas bombas de baixa e de alta pressão e demais equipamentos a instalar no tanque de GNL e zona de processo contígua. Neste campo, a obra compreende também a remodelação da subestação SE3, permitindo, desta forma, assegurar a alimentação das novas bombas de água do mar. Será instalado um novo gerador de emergência a seis quilovolts, para alimentar uma das bombas de baixa pressão e as resistências de aquecimento da laje de fundo do tanque.
Palavras Chave: Ed.177, Construção, Edição Impressa
