Novo Santuário de Santo Antão da Barca abre após 4 anos de obras

Por a 3 de Setembro de 2014

O novo Santuário de Santo Antão da Barca, em Alfândega da Fé, vai reabrir após ter sido forçado a mudar de lugar por o sítio onde estava implantado ficar submerso pelo novo nível do rio/albufeira devido às obras da barragem do Baixo Sabor. A obra, que demorou cerca de 4 anos e envolveu um complexo esquema de transladação da capela, contou com projecto de arquitectura de Luís Sanchez Carvalho e João Correia Monteiro.

Em nota de imprensa enviada ao Construir, a equipa de arquitectos explica que, para além da antiga capela e dos espaços exteriores, este Santuário inclui como estruturas de apoio uma hospedaria, um bar restaurante, um espaço museológico e administrativo, uma plataforma de missa campal e um palco para espetáculos e instalações sanitárias públicas.

Segundo a mesma fonte, o recinto foi pensado para receber as actividades dos peregrinos e recria o ambiente do antigo Santuário através das principais relações de proximidade entre os edifícios e da delimitação visual do perímetro com arborização e muros, localizados no cabeço de um monte que domina toda a paisagem e oferece uma vista de excelência sobre o estuário da nova barragem.

Luís Sanchez Carvalho recorda os princípios do espaço: “Quando se projectou o novo recinto procurou-se a colina mais próxima do antigo conjunto, de forma a conferir ao novo Santuário uma posição de destaque sobre todo o vale o que enquadrou o complexo em circunstâncias tais que poderá passar a ser, pela sua valia patrimonial intrínseca, pelo seu significado religioso e pela sua localização panorâmica privilegiada, um ponto de atracão turístico mais consistente, divulgado e acessível no contexto regional.“

Quanto ao projecto dos edifícios, os arquitectos explicam que a opção foi de manter as referências de composição arquitectónica, como as paredes brancas ou de pedra e a proporção dos vãos de fachada. Houve também a preocupação de aliar a estética aos materiais optando-se por utilizar as ferramentas de composição tradicionais (derivadas das técnicas de construção pré-betão) de modo a enquadrar estas novas construções num conjunto que tem origem no século XVIII, dando no entanto as condições de conforto e segurança contemporâneos. Desta forma, o objectivo foi que este Santuário desse continuidade ao pré-existente e não criasse uma ruptura com o passado, sublinham.

Sobre o desenho dos edifícios, João Correia Monteiro expõe os princípios conceptuais: “A opção por esta linguagem arquitectónica de formalismo vernacular (em oposição a uma linguagem contemporânea e datada do séc. XXI) propõe-se a atenuar a importância desta transladação, promovendo a perenidade da memória do Santuário e uma mais natural apropriação do recinto pelos peregrinos e pelas suas tradições e rituais. No final obteve-se um resultado que bem se pode perder no tempo.”

 

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