“Trabalhar” o comércio de proximidade – saber ser, saber fazer ou saber …saber?

Por a 12 de Fevereiro de 2016

joão barreta
Por João Barreta

Se entendido como mera atividade económica, o comércio, dito de proximidade, continuará “incompreendido” como tem sido, ao que parece, desde sempre. Vem isto, também, a propósito de uma inconfidência que, nos tempos que correm, não será maliciosa, pois não tem a ver com agendas, calendários, nem tão pouco, programas ou orçamentos!

Mas não sendo política, acaba por retratar bem quem é responsável por … saber fazê-la!
Quando em sede de Gabinete Ministerial, de um titular da respetiva pasta (que já não o é!), se tentava “batizar” um novo Programa de Apoio (ou melhor, de Incentivos!) para o setor do Comércio, algumas ideias, de pronto, surgiram, de entre a juventude e alguma (in)experiência de adjuntos, assessores, mais ou menos especialistas, destacando-se o nome “MAIS COMÉRCIO”.

Ora, não é que seja a designação a marcar o sucesso ou o insucesso deste ou daquele Programa, mas só quem desconheça por completo o setor é que poderia propor um tal nome, pois se há “coisa” que não é, de todo, necessária será .. MAIS COMÉRCIO, mas sim, quando muito, COMÉRCIO MAIS (…) competitivo, moderno, dinâmico, inovador, empreendedor, criativo, unido, reivindicativo, participativo, etc…, etc… .

Em boa-hora, o bom senso parece ter prevalecido, na opinião de alguns, e … foi então que decidiram chamar-lhe “COMÉRCIO INVESTE”.

Ainda assim, podemos questionar se, porventura, teria sido melhor … “INVESTE COMÉRCIO”, pois é disso que se trata uma vez mais, ou seja, uma nova investida naquilo que parece continuar a ser o “mundo desconhecido” do … Comércio!!

Mas, aguardemos pelo(s) próximo(s) … e sempre com a esperança renovada de que se entenda, de uma vez por todas, que Comércio é economia, mas também é política, cultura, turismo, arquitetura, urbanismo, geografia, sociologia, e muito mais … ciência(s)!!! Os “saberes”, sendo importantes e decisivos, por si só, não significam ação! Sendo competências cruciais, não significam ação competente! Se assim fosse (…)!

2 comentários

  1. CORREIA DA LUZ

    18 de Fevereiro de 2016 at 18:20

    LIDO COM ATENÇÃO, O TEXTO DE JOÃO BARRETA, APESAR DE CURTO, REMETE PARA JUSTAS, PROFUNDAS E LONGAS REFLEXÕES SOBRE O COMÉRCIO OU ACTIVIDADE COMERCIAL.
    A REFLEXÃO SUPERFICIAL SOBRE O TEMA LEVOU A ERROS E OMISSÕES NO PASSADO, APESAR DE TAMBÉM TER HAVIDO BOAS DECISÕES.
    A VISÃO DO ARTICULISTA SOBRE “COMÉRCIO, DITO DE PROXIMIDADE”, É, PORVENTURA, UMA LUFADA DE AR FRESCO E UMA VERDADEIRA REVOLUÇÃO NA ARTE DE COMPREENDÊ-LO (ao comércio, dito de proximidade), POIS DÁ-LHE A DIMENSÃO HUMANA QUE ELE (esse comércio) VERDADEIRAMENTE TEVE E SEMPRE TERÁ – BASTA LER ALGUNS TEXTOS DA HISTÓRIA DOS POVOS PARA PERCEBER A FABULOSA IMPORTÂNCIA DO COMÉRCIO NO DESENVOLVIMENTO DA CIVILIZAÇÃO HUMANA (QUASE DIRIA QUE A CIVILIZAÇÃO É O COMÉRCIO POIS NADA SE PRODUZ OU PRODUZIU SEM COMERCIALIZAÇÃO).
    PODER-SE-Á DIZER QUE É UMA VISÃO ROMÂNTICA – SERÁ? – MAS, AINDA ASSIM, IMPORTANTE DEMAIS PARA SER DESCONSIDERADA NOS ACTOS DE GOVERNAÇÃO.
    OBRIGADO JOÃO BARRETA

  2. JOÃO BARRETA

    18 de Março de 2016 at 16:30

    Caro Dr. Correia da Luz,
    felizmente tive a grata oportunidade de me cruzar com Autarcas, como é o seu caso, que sentem e, por isso, compreendem o Comércio.
    Bem haja e obrigado pelas suas palavras.

    João Barreta

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