Opinião Desafios para o segundo semestre

Por a 8 de Junho de 2016

Marco Arroz

Apesar do desapontamento face aos indicadores da atividade de construção nacional no primeiro trimestre deste ano, as perspetivas são positivas.

Em 2015, verificou-se uma evolução positiva do setor da construção, que se seguiu a 13 anos consecutivos de quebras do seu volume de produção. Para 2016, antecipava-se uma continuidade dessa mesma evolução. Contudo, nos primeiros meses do ano temos vindo a assistir, segundo o INE, à evolução negativa do Índice de Produção da Construção. A quebra foi cerca de 4%, tendo sido acompanhado pela diminuição de 7% do consumo de cimento.

No entanto, as perspetivas são positivas face ao crescimento no licenciamento de novas construções. Em relação ao mercado residencial, destaca-se o aumento de 10% no número de fogos novos licenciados e a subida de 8,6% na área licenciada. No que concerne ao licenciamento de edifícios não residenciais a recuperação tem sido significativa com um crescimento de 22% no primeiro trimestre de 2016.

Apesar do panorama ser relativamente positivo, as empresas inseridas no contexto da construção continuam a sofrer uma adversidade que vem sendo regular nos últimos anos. Para além da evidente falta de oportunidades nas áreas de projeto, de construção e de fiscalização, o constante atraso na regularização da dívida, tem tido sérias implicações no desenvolvimento das suas atividades. Efetivamente, no quotidiano profissional deparo-me frequentemente com esta sensação de asfixia por parte dos prescritores, construtores e aplicadores, assim como das empresas de revenda de materiais de construção e dos próprios fabricantes. Com efeito dominó, a regularização da dívida torna-se num problema muito sério para todos os intervenientes.

A título de exemplo, podemos verificar que em contexto de obras públicas, parte significativa das autarquias efetuaram investimentos acima das suas possibilidades, contando com prazos abusivos para a regularização das dívidas. Por outro lado, as empresas aceitavam essa situação uma vez que a linha de crédito concedida pela banca assim o permitia. Esta abordagem comportava riscos e, naturalmente, com todas as convulsões socioeconómicas atuais, trouxe à tona, reais preocupações de tesouraria e, em muitos casos, da própria sobrevivência das empresas.

Deparamo-nos, deste modo, com duas vertentes problemáticas. Por um lado, a vertente da rentabilidade, onde assistimos à redução de número de obras e consequente faturação, que não é acompanhada pela redução de custos ou pelo seu abrandamento na mesma proporção. Por outro lado, a vertente de tesouraria, onde verificamos a diminuição dos recebimentos, que por sua vez não têm qualquer apoio adicional de linhas de crédito por parte da banca.

Recrutamento face às perspetivas positivas

Na mais recente edição da Tektónica em Maio, o ministro do Planeamento e Infraestruturas reforçou o investimento em mais de 4 mil milhões de euros de forma a relançar a construção e obras públicas. Foram salientados os investimentos na ferrovia, implicando a intervenção em cerca de 40% da linha ferroviária nacional, assim como nas redes de metropolitano de Lisboa e do Porto. De referir igualmente a sua referência aos investimentos programados nas áreas da reabilitação urbana e da eficiência energética através do “Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado” e do “Casa Eficiente”.

Criadas estas condições de recuperação de uma área vital e de coesão nacional como é o setor da construção, as empresas intervenientes terão de ajustar os recursos humanos necessários para a operacionalização destas medidas indicadas pelo Governo. Em virtude do atual contexto de possibilidade de recuperação de rentabilidade e de tesouraria, a identificação de profissionais que irão contribuir para esse objetivo, assume uma importância vital. Poderemos mesmo indicar que não há qualquer margem de erro na colocação de um profissional adequado ao projeto ou obra em causa. A execução do trabalho com sucesso dentro do timing definido e com a qualidade/eficiência exigida, implica a recuperação de negócio e o regresso ao equilíbrio financeiro da organização.

Indubitavelmente, deparo-me atualmente com uma maior maturidade por parte do mercado. Existe agora uma abordagem com maior assertividade ao cliente e uma maior organização no planeamento produtivo e comercial. De uma forma orgânica, o setor da construção está-se a adaptar à nova realidade em que, em resposta às dificuldades e especificidades da sua área de negócio, bem como a exigência do recrutamento do candidato mais indicado tornam-se em aspetos cruciais a tomar em linha de conta.

Mais do que nunca, os desafios no setor da construção revestem-se de dificuldade e de complexidade. O apoio do Governo é crucial, seja em investimentos em programa específicos, seja na resolução da dívida que asfixia empresas do setor. Por outro lado, a gestão de recursos humanos técnicos e operacionais torna-se igualmente importante, sendo profícua a criação de parcerias com empresas de recrutamento especializadas que permitirão identificar candidatos adequados.

Marco Arroz –  Senior Manager Engineering & International Development Manager for Middle East and Europe da Msearch

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