Opinião: O sector da construção metálica

Por a 2 de Dezembro de 2016

foto_LSS(2)O dinamismo da indústria da construção metálica mantém-se como uma exceção na economia
Portuguesa. O contexto macroeconómico tem sido marcado, nos últimos anos, pelo
abrandamento do crescimento económico mundial e nacional, com forte impacto no setor da
construção nacional. Para uma indústria assente em obras públicas e em projetos de empresas
e particulares, tudo indicaria para uma tendência muito pouco favorável a nível de procura interna
e externa para o setor da construção metálica. No entanto, tal prognóstico não se verificou para
a construção metálica. O mercado nacional não foi uma alternativa viável para as empresas
confrontadas com a recessão europeia, mas abriram-se novas portas para este setor.
Mas mesmo neste enquadramento desfavorável, a indústria da construção metálica afirmou-se
como um setor em crescimento na economia portuguesa. Contrariando a perspetiva nacional,
desde 2010 que este setor tem registado um significativo aumento no volume de exportação,
ultrapassando em definitivo as dificuldades provocadas pela eclosão da crise económica e
financeira internacional de 2008, muito graças à renovação de mercados, aposta na inovação e
redirecção do setor para a exportação. A construção metálica, tornou-se uma indústria que
contribui significativamente para a redução do défice comercial português, canalizando grande
parte da sua produção para exportação. Apesar de todas as dificuldades, a indústria portuguesa
da construção metálica contínua em forte expansão.
O sector da construção metálica garante atualmente mais de 26 mil postos de trabalho diretos e
representou um volume de negócios superior a 3.500 milhões de euros, em 2014. Estes
resultados só foram possíveis devido ao peso da exportação destas empresas que registaram
um forte crescimento, nos últimos anos, reforçando o reconhecimento por parte do mercado
internacional da qualidade da indústria nacional. As empresas exportam aproximadamente 80%
da produção, e representam já 2,4% do valor das exportações nacionais. Este sector representa,
hoje, 2% do PIB nacional. A CMM – Associação Portuguesa de Construção Metálica congratulase
com estes números e reconhece o mérito e esforço das empresas nacionais para tais
resultados.
Com estes valores podemos dizer que estamos perante uma indústria com grande vitalidade,
tecnologicamente avançada e competitiva em qualquer mercado, capaz de responder no
mercado global com produtos com alto padrão de qualidade.
Na verdade, desde 2010, as exportações da indústria da Construção Metálica têm crescido
sustentadamente, quer para a EU, quer para os mercados emergentes situados fora da EU. As
soluções metálicas estão a afirmar-se, a cada ano mais competitivas, tanto nos mercados
evoluídos e exigentes da Europa, exemplo disso os recente projetos em França e no Reino
Unido, como nos mercados emergentes de vários continentes, sendo atualmente os principais
destinos a África e a América Latina.
Grande parte do investimento está dividido entre os mercados emergentes de África – Magrebe
e PALOP’s – e a América Latina, e os mercados exigentes e consolidados da Europa, mantendo
o Velho Continente um número ainda bastante relevante na balança exportadora deste setor.
Estes mercados mais tradicionais, continuam a ser mercados para os quais o sector se continua
a direcionar, apesar da maior exigência normativa e de qualidade que implica a presença nos
mercados Europeus.
No contexto atual, verificamos que a posição do setor no mercado internacional está cimentada,
devendo-se isso à qualidade e quantidade dos produtos exportados, mas também pela crescente
procura de quadros técnicos nacionais com conhecimentos nesta área.
Sem perder o foco na exportação, e no potencial que esta terá para a indústria nacional, não se
deve descurar o mercado interno. Mas, para as empresas trabalharem mais para o mercado
nacional é necessário que se verifiquem duas evoluções essenciais, uma ao nível do paradoxo
da solução construtiva instalado, e outra ao nível da aposta na reabilitação urbana.
A solução da construção metálica tem, atualmente, maior utilização em pontes e estruturas
rodoviárias ou pavilhões industriais. Mas, a construção metálica é uma excelente solução para o
que se prevê serem as cidades do futuro, com edifícios habitacionais sustentáveis e versáteis na
sua dimensão e utilização. Por isso, o trabalho da CMM, passa pela sensibilização e divulgação
das vantagens desta solução, e dotar os decisores públicos e privados da informação necessária
para que a construção metálica seja equacionada no momento da escolha o que, na maioria dos
casos, acreditamos que leve a que a opção recaia sobre esta solução.
A aposta desta solução para a reabilitação urbana é também essencial. Sabemos que um terço
dos edifícios portugueses está degradado e precisa de intervenção. A construção metálica
adapta-se facilmente às exigências das zonas urbanas com acessos e espaços reduzidos, uma
vez que é estruturalmente mais leve, permite uma maior flexibilidade e um menor prazo de
execução. Para as empresas nacionais do setor da construção metálica, esta área de ação
permite aumentar o seu negócio no mercado interno da construção tradicional, num período em
que a construção e obras públicas de raiz ainda se mantêm com número aquém do espectável.
Mas mais do que desenvolver novos mercados, a construção metálica deve continuar a dotar-se
de competências na área da construção metálica dedicada ao mercado tradicional mas,
igualmente e em simultâneo, planear e procurar desenvolver as capacidades necessárias para
poder atuar num mercado mais seletivo e em que a construção metálica nacional tem vindo
progressivamente a ganhar experiência – a construção metálica Offshore. Este é mercado
altamente exigente e competitivo.
Diversificar mercados e apostar em nichos altamente exigentes, permitirá manter e consolidar
um setor da construção metálica apostado na inovação e na competitividade das empresas
nacionais, competências que entendemos decisivas para a afirmação da Construção Metálica
Portuguesa a nível mundial.
As empresas nacionais souberam ao longo deste período de crescimento dotar-se de uma
componente tecnológica e de inovação avançada, fomentado uma relação próxima às
Universidade e aos Centros de Investigação no desenvolvimento de soluções de I&D de produtos
e processos, o que lhes permitiu alcançar uma forte capacitação, capacidade competitiva e
implantação a nível internacional.
Acreditamos que as competências específicas da construção metálica e a dinâmica revelada
pelas empresas do setor, permitem-nos antever um peso crescente das exportações e da
internacionalização do setor, para os próximos anos, e acreditamos no progressivo
reconhecimento e afirmação das empresas nacionais nos mais variados vários pontos do globo.
As empresas nacionais devem, neste momento, ter como foco a capitalização do trabalho feito
e aumentar a competitividade num contexto global, através do aumento da eficiência e da
diferenciação pela qualidade, com a manutenção da aposta em I&D e nas pessoas.
A CMM tem a promoção e a divulgação da construção metálica na sua génese. Para além do
trabalho mais direcionado para área científica, como organização de Congressos, nacionais e
internacionais, e a edição de publicações específicas. A criação da marca Portugal Steel, procura
incrementar a divulgação e visibilidade do setor junto do público em geral e dos decisores
nacionais e internacionais, e o reconhecimento dos benefícios da construção metálica e das
vantagens decorrentes de uma aposta nesta solução.
A preocupação com qualificação e a promoção da indústria nacional nos mercados interno e
externos levou a CMM a lançar em 2014 o selo “Quality Steel” – um referencial de boas práticas
industriais por parte das empresas, um projeto que pretende garantir, logo à partida, um alto
padrão de qualidade aos seus prescritores e clientes, em Portugal e no estrangeiro, e assim
incentivar as exportações.

Luís Simões da Silva, presidente da CMM

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