Engimov lança empresa para o mercado cubano

Por a 2 de Maio de 2017

havana-222462_1920Numa lógica de encontrar alternativas viáveis aos tradicionais mercados e, consequentemente, às suas flutuações relativamente recentes, Cuba parece estar a tornar-se num cenário a ter em conta. Que o diga a Engimov, empresa ligada à área da Construção e Engenharia que acaba de ser reconhecida como a primeira empresa portuguesa aprovada na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel. A ZEDM, como é conhecida, é um projecto concebido para fomentar o desenvolvimento económico sustentado de Cuba, atraindo o investimento estrangeiro, a inovação tecnológica, a concentração industrial e protegendo o ambiente. A ZED Mariel, localizada a 45 quilómetros da capital Havana, também conta com benefícios tributários especiais.
A Engimov, que em Cuba assume a designação Engimov Caribe, procurará acompanhar o progresso socioeconómico do País num sector de alta prioridade como é o caso da construção. Citado pela Agência Cubana de Notícias, o vice-presidente da companhia assegura que o objectivo passa por crescerem em paralelo com o desenvolvimento da ilha. Miguel Almeida sublinha que o caminho passa por fazerem parte desse processo de desenvolvimento. A Engimov é uma das cinco companhias autorizadas a investir naquele pólo industrial. Oscar Pérez, director de Avaliação de Negócios desta Zona Especial de Desenvolvimento, revela que desde a sua abertura em Setembro de 2013, a zona captou investimentos de 24 companhias (incluídas as 5 novas) por 966 milhões de dólares, cifra muito abaixo das expectativas oficiais. Esse enclave industrial, que funciona em condições de zona franca “avança de forma discreta, porém sustentável”, admitiu. As autoridades cubanas precisam de investimentos estrangeiros de 2,5 bilhões de dólares anuais para atingir taxas de crescimento económico de 5%, que lhes permita sair da crise e se desenvolver de forma sustentável.

“Quartel general”
“Queremos que o projecto de Cuba seja o primeiro na América Latina e procuraremos fazer deste País um ‘quartel general’ para essa operação”, assegura Miguel Almeida, o responsável da Engimov para esta nova geografia, que se junta a Espanha, França, Angola, Moçambique, Cabo Verde e República do Congo. A operar oficialmente desde 3 de Fevereiro, os passos prioritários vão passar pela construção de uma fábrica de pré-fabricados de betão, uma metalomecânica, uma fábrica de caixilharia de alumínio e uma carpintaria de madeira. O investimento estava previsto, inicialmente, para ser feito em três anos, mas dada a procura o calendário deverá ser reduzido e as obras concluídas em apenas dois anos. Miguel Almeida assegura, desde já, que a Engimov Caribe vai desde já operar na área dos serviços construtivos e de engenharia dentro da Zona Económica de Desenvolvimento Mariel, uma lógica que deverá ser alargada a todo o País a breve trecho.

Óptimas condições
Aquele responsável assegura que as condições disponibilizadas pelas autoridades cubanas a investidores estrangeiros são “muito boas” e agradeceu, segundo a Agência Cubana de Notícias, o apoio do organismo que regula a ZEDM durante o processo de constituição da Engimov Caribe. “Somos a primeira empresa portuguesa a instalar-se na ZEDM mas estamos certos que outras virão também, motivadas pelas oportunidades abertas aqui”, assegurou De acordo com a mesma fonte, Ana Teresa Igarza, directora geral do organismo que gere a ZEDM, a presença da Engimov em Cuba é fruto do “fortalecimento das relações económicas entre ambos os países, e abre as portas ao estabelecimento de novos acordos, sobretudo no que respeita a sectores de grande interesse e com grande impacto na economia nacional”.
As portas de Marcelo
Em Outubro, aquando da visita de Estado levada a cabo pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa assegurava que “há um mundo de projectos possíveis” de empresas portuguesas para Cuba, no turismo, construção e energias renováveis, que somam “milhões de euros” e que o Estado cubano acompanha “com interesse”. Na altura, e sem querer nomear empresas, o chefe de Estado destacou o projecto da Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel “que é mais avançado, de materiais de construção e construção”, e outros nas áreas do turismo e das energias renováveis. Quanto ao valor dos projectos, sem querer “entrar em pormenor”, disse que “são montantes apreciáveis” e que estão “ao nível, já tudo somado, de milhões de euros”. No seu entender, “agora há uma oportunidade porque há uma abertura maior e há condições melhores para se aceitar e para se acolher esse investimento”.

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