Energia captada em bombas de calor já pode ser medida

Por a 12 de Maio de 2017

iteconsA Ariston Thermo e o Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em Ciências da Construção (ITeCons), em Coimbra (UC), desenvolveram uma ferramenta que mede a energia captada no uso de bombas de calor, especificamente de acordo com o clima português.
Em termos de eficiência, no caso de Portugal o aproveitamento de ar quente pode ser feito praticamente em todos os dias do ano (temperatura acima de 7 graus – quando, por exemplo, nas placas solares, com pesado impacto arquitectónico o aproveitamento energético é limitado, com maior a exigência de manutenção). Ao mesmo tempo, as bombas de calor são de instalação simples, sem impacto arquitectónico exterior.
Ao CONSTRUIR, Francisco Cordoeiro, do Departamento Técnico da Ariston Thermo, explica que “a bomba de calor para produção de águas quentes sanitárias não é uma solução inovadora”, acrescentando que se trata de “de uma tecnologia que já está há muito tempo disponível no mercado, apesar de ser para muitos desconhecida”. “Muito antes da Ariston já era possível encontrar este tipo de produtos de preparação de águas quentes sanitárias mas, no entanto, foi Ariston a primeira marca a introduzir a bomba de calor mural e compacta no mercado Ibérico como é o caso da Nuos Evo 110. Naturalmente, a evolução da bomba de calor para produção de água quente sanitária acaba por ser um produto Premium e distinguido na nossa gama de produtos e que reforça a qualidade da marca”, revela Francisco Cordoeiro. Aquele responsável acrescenta que “os dados que colocamos nas características técnicas e que distinguem os nossos produtos, foram verificados e superados, na parceria que Ariston realizou com o ITeCons, através de um ensaio para as condições da norma europeia actual. Ou seja, o facto de sermos reconhecidos por uma entidade externa e reconhecida, reforça a confiança naquilo que propomos ao cliente”.

Ferramenta
O programa Ariston EREN resulta numa ferramenta desenvolvida com o apoio do ITeCons com o intuito de facilitar o cálculo da quantidade de energia renovável fornecida por uma bomba de calor na preparação de água quente sanitária. Segundo o ITeCons, a eficiência de uma bomba de calor está dependente de alguns factores como temperatura ambiente, humidade relativa e temperatura da água da rede. Neste caso, consideramos as condições de cálculo da norma EN 16147:2011 para dois pontos de ensaio e estima-se o seu comportamento tendo por base a gama de temperaturas de funcionamento a que o equipamento fica sujeito”. O factor médio de desempenho sazonal foi obtido com base na média do COP horário ao longo de um ano, utilizando os ficheiros climáticos disponibilizados pelo LNEG. A eficiência das bombas de calor declarada pela Ariston foi determinada por ensaio, tendo sido efectuada uma verificação aleatória por parte do ITeCons, laboratório acreditado para a execução de ensaios de acordo com a EN 16147:2011.

Vantagens da bomba
Para o responsável do departamento técnico da Ariston Thermo, “a instalação de uma bomba de calor é bastante simples, sendo uma das suas principais vantagens face ao sistema solar”. Segundo Francisco Cordoeiro, “apenas existe a necessidade de conectar as tomas de água, como se fosse um termoacumulador, sendo também necessário a instalação de condutas de ar para admissão e extracção”. “Para um utilizador residencial, acaba por ser uma solução bastante mais lógica, já que a manutenção é mínima e o próprio aparelho é muito mais interactivo em termos de programação do que o sistema solar”, assegura, salientando que “para edifícios de serviços, como ginásios, ou escolar, é extremamente necessário ter em conta um bom dimensionamento devido ao tempo de recuperação deste tipo de equipamentos”. Questionado sobre o facto de haver a percepção de que o solar térmico tem uma utilização mais comum do que uma solução como o NUOS, Francisco Cordoeiro recorda que ao nível das águas quentes sanitárias existem apenas dois sistemas que poderão ser vendidos em grande escala e que fazem sentido em ambiente de aplicação doméstica, nomeadamente o solar térmico e a bomba de calor. “Em Portugal, cultivou-se uma preferência pelo sistema solar térmico uma vez que, efectivamente, a nossa situação é favorável ao funcionamento deste tipo de sistemas. Para além do mais, a própria legislação portuguesa fez esquecer as potencialidades da aplicação da bomba de calor com a falta de flexibilidade e informação na hora de introduzir estes sistemas em substituição do sistema solar”, sublinha, acrescentando que, ainda assim, que as instalações solares têm inúmeras desvantagens face à bomba de calor e um tempo de retorno do investimento que poderá justificar a sua opção, além de que não a superam em rendimento em grande parte dos casos. Francisco Cordoeiro explica que a falta de espaço para colocação de colectores solares, a existência de sombras na zona destinada aos colectores solares, o impacto visual, a produção excessiva de energia por ausência de consumo (provocando problemas na instalação), a gestão económica da manutenção da instalação entre vizinhos no caso de ser um edifício de apartamentos, por exemplo, o rendimento desequilibrado a nível estacional (muito alto no Verão e muito baixo Inverno), a complexidade em realizar a comprovação do estado da instalação ou o excessivo tempo de recuperação do investimento inicial são claras desvantagens neste tipo de soluções. “Portugal é também um país com condições favoráveis ao funcionamento da bomba de calor já que quanto maior é a temperatura do ar, maior é a poupança do sistema”, acredita.

A solução na óptica da Ariston
“Para confirmar que a informação que estamos a colocar na ferramenta não é puramente comercial, o ITeCons achou necessário que lhes enviássemos uma bomba de calor ( escolhida ao acaso pelo ITeCons), com o intuito de corroborar essa informação através de um ensaio. Não só se confirmou o resultado como também se superou no ensaio a 14ºC, já que o COP é de 2.58 e na realidade obteve-se um valor de 2.68. Para a Ariston foi um gratificante reconhecimento, já que uma entidade externa credenciada validou a qualidade dos nossos produtos”, assegura Francisco Cordoeiro que acrescenta que já é possível quantificar os ganhos na gestão do edifício. “Com o lançamento do despacho nº14895/2015, já se consegue quantificar/estimar a quantidade de energia renovável fornecida por uma bomba de calor. Cumprindo os seus requisitos, finalmente já existe uma forma de implementar esta solução em obra nova, abdicando do sistema solar”.

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