Investigadora da UMinho cria painel inteligente inspirado na Natureza

Por a 19 de Maio de 2017

Uma investigadora da Universidade do Minho, foi distinguida na Techtextil 2017, com o primeiro prémio no concurso “Estruturas Têxteis para Novas Construções”. Luani Costa criou um painel inteligente com as propriedades de uma folha, para aplicar em fachadas e coberturas de construções. De acordo com a arquitecta, o projecto nasceu no mestrado em Construção e Reabilitação Sustentável da UMinho e resolve alguns problemas da indústria da construção, um dos sectores que mais polui e gasta energia. Em entrevista ao CONSTRUIR, Luani Costa explicou os detalhes da solução.

Foi distinguida na Techtextil 2017, uma feira de têxteis técnicos. Que tipo de têxteis são estes?
Luani Costa: A feira engloba a área de têxteis e revestimentos de todos os tipos, para diferentes aplicações. No caso do meu projecto, estes materiais são utilizados compondo a membrana da estrutura, que pode ser formada apenas por um filme (revestimento), somente a fibra (um têxtil) ou pela composição das duas coisas.

De uma forma prática, como se aplica a solução que criou?
A solução estrutural que criei pode ser utilizada em fachadas, coberturas de edifícios, edifícios existentes, ou outras situações semelhantes, podendo ser aplicada para formar diferentes composições de acordo com o posicionamento dos painéis. A intenção desta estrutura é a de seguir um conceito contemporâneo e de dar movimento e transformação à arquitectura, através do conceito da cinética, ou seja, dando capacidade de transformação através da estrutura mediante o comportamento flexível dos materiais têxteis, e não através de mecanismos. Por isso, pensou-se na integração do  conceito com estruturas activas em flexão e membrana arquitectónica, uma vez que correspondem a princípios estruturais adaptativos.

De futuro e a médio prazo, que importância terão os têxteis técnicos na arquitectura e construção?
Os têxteis são materiais que apresentam uma relação resistência / baixo peso próprio, bastante interessante quando relacionado com o impacto da área da construção sob o meio ambiente. Essas características, assim como várias outras, destacam o material no contexto da arquitectura quando o assunto é sustentabilidade e quando comparada aos materiais convencionais, como betão e aço. Além disto, possibilita trazer para a arquitectura diferentes capacidades funcionais e estéticas.

 Que falhas poderão ajudar a colmatar e em termos de inovação o que podem acrescentar?
A ideia é, com a solução estrutural desenvolvida, melhorar o desempenho funcional dos edifícios, sem comprometer a estética e a identidade dos mesmos, uma vez que sua capacidade de transformação para melhorar o desempenho funcional do edifício, traz também um destaque inovador e personalidade à construção. A inovação está em destacar, através do painel, as capacidades que a membrana enquanto material, pode trazer para as novas construções.

O conceito que criou já foi testado em Guimarães. Quais as principais conclusões retiradas?
O projecto foi testado de maneira conceptual para uma cobertura de um pátio central do Paço dos Duques de Bragança. A ideia foi aplicar o painel numa situação ou necessidade real de aplicação, principalmente em situações em que o impacto da construção/intervenção e a reversibilidade fossem pontos cruciais do projecto. Entre as conclusões tiradas, destacam-se as membranas como um material de grande potencial para monumentos históricos, visto as questões destacadas anteriormente, e também pela capacidade de aumentar o valor do edifício, trazendo novos conceitos da arquitectura interactiva para a realidade de uma construção existente, criando um contraste entre o antigo e o contemporâneo (combinação perfeita a meu ver, sendo uma arquitecta que ama restauro e tecnologia).

Depois do Prémio, o que se segue em termos profissionais? Em que desafios está actualmente a trabalhar?Para já, os planos passam por dar inicio como colaboradora num gabinete de arquitectura em Portugal e continuar os estudos sobre a estrutura desenvolvida na minha tese de doutoramento, nomeadamente na área de investigação em Membranas Inteligentes na Universidade do Minho, juntamente aos professores Luís Ramos e Raul Fangueiro, onde formamos uma equipa de trabalho.

Sobre o projecto
Segundo explica Luani costa, “só as fachadas implicam 40% da perda de calor no Inverno e aquecimento excessivo no Verão”. Para evitar este tipo de casos, a arquitecta criou um painel com flexão activa e membranas têxteis multifuncionais, que replicam a forma e as características da folha, como a autolimpeza (repele a água), a mudança de cor e emissão de luz (tem polímeros crómicos e luminescentes) e a capacidade de gerar electricidade. Luani refere ainda que, com a aplicação de células solares orgânicas na superfície, pode-se aproveitar a luz solar para produzir energia eléctrica de um modo eficiente na estrutura do painel. “Procurei também replicar a fotossíntese feita pelas folhas, entre outros aspectos”, diz a arquitecta, que se inspirou na natureza e na capacidade de modificação das folhas das plantas, que têm grande diversidade de formas, cores e tamanhos. Destaque ainda para o facto de o projecto se “adaptar facilmente às condições ambientais, como chuva, vento e incidência solar, e às necessidades do utilizador, pois o comportamento flexível dos materiais permite um melhor desempenho funcional”, garante.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *