Especial Domótica, Material Eléctrico e Iluminação: Sector pula e avança ao ritmo da batida tecnológica

Por a 20 de Julho de 2017

IMG2O desenvolvimento tecnológico aumenta o número de soluções presentes num mercado que sente os ventos da mudança, soprados pelo crescimento económico e pela consequente dinamização de subsectores na fileira da construção, como a reabilitação urbana. Apesar da forte concorrência que enfrentam, as empresas inquiridas pelo CONSTRUIR demonstram optimismo e prevêem que a tendência de crescimento se mantenha

 

É um mercado difícil, mas em crescimento. Aos desafios do sector da domótica, material eléctrico e iluminação, os agentes respondem com inovação. Perante a entrada de concorrência no mercado, as empresas já presentes têm como vantagem a especialização. Está a assistir-se a um ressurgir deste segmento de mercado em Portugal, o que alavanca o desenvolvimento tecnológico das soluções apresentadas e torna mais fluída a investigação nesta área.

Balanço corresponde à expectativa

“Os resultados da Epoch Telecomsolutions no último exercício estiveram globalmente em linha com o previsto no Plano Estratégico de 2016-2017”, afirma Lima Fernandes, director comercial da Epoch Telecomsolutions ao CONSTRUIR, destacando “o crescimento verificado ao nível da formação especializada ITED/ITUR”. Por sua vez, Carolina Rodrigues sublinha o “ano bastante empolgante” que a Winwel está a viver. “Começamos a notar uma clara tendência para uma adopção mais massificada destes produtos e sistemas, não apenas para a classe alta”, explica a fundadora e gestora de marketing da Winwel, frisando que as soluções da empresa são algo que “os clientes finais, construtores e instaladores ponderam instalar em novas habitações, mas também em habitações existentes”. “Consideramos que este ano foi a preparação para um grande crescimento deste mercado”, conclui a mesma responsável. Já António Pontes esclarece que, “quando estamos a falar na área de automação de edifícios, podemos dizer que ainda se atravessa uma fase mais complicada”. “No período de crise, os investimentos que acconteceram em Portugal na componente “Building” tiveram uma redução muito acentuada”, menciona o director da área de Automação de Edifícios da Microprocessador. Segundo Pontes, “durante este período houve uma compensação que veio, sobretudo, do mercado de Angola e que permitiu às empresas com esta valência equilibrarem os seus negócios”. A partir de 2015, assistiu-se “ao desaparecimento quase total deste mercado, enquanto o mercado nacional vai dando sinais de recuperação, mas a um ritmo muito lento”. Segundo o responsável da Microprocessador, “estamos numa encruzilhada entre a aposta em novos mercados que temos de trabalhar e uma recuperação do mercado nacional, que está a acontecer mas que é importante que se venha a reforçar”. Na Casa das Lâmpadas, a experiência “adquirida tanto ao nível da indústria e iluminação” permite à empresa “dar um suporte técnico importante” aos seus parceiros, o que reduz “custos de instalação e manutenção”. “O sucesso obtido junto dos stakeholders com este modus operandi tem possibilitado à Casa das Lâmpadas solicitações na realização de projectos, principalmente de iluminação, estando munido de soluções importantes ao nível da eficiência energética, estética e tecnológica”, afirma Daniel Oliveira. Nas palavras do responsável de produto da área de Iluminação da Casa das Lâmpadas, como resultado desta “filosofia”, a empresa conseguiu, “no último ano, manter o crescimento nas marcas de representação exclusiva, realizando projectos de dimensão e visibilidade importantes”. Na Rolear, mas concretamente na Rolear Mais, “o balanço é bastante positivo”, revela Ana Luísa Santos. A responsável de marketing e comunicação da Rolear explica ao CONSTRUIR que os resultados se encontram “dentro das expectativas, considerando os anos anteriores e a fraca prestação da economia nacional nos últimos anos”. Todavia, “o optimismo gerado ultimamente na nossa economia, e consequentemente nos nossos empresários e investidores, permitiu atingir os resultados que fazem com que consideremos este último ano bastante positivo”.

Mercado diversificado

O mercado nacional neste sector pode caracterizar-se por ser diverso, com várias soluções, empresas e subsectores. Contudo, há uma característica que é comum na resposta da maioria dos inquiridos pelo CONSTRUIR: o crescimento. Ana Luísa Santos aponta que a “tendência é de crescimento em todos os aspectos” mas, “naturalmente, com dimensão inferior ao passado recente”. Todavia, “assistimos a um crescente investimento, nomeadamente na reabilitação e algumas novas unidades hoteleiras, habitação e serviços”, explica a responsável da Rolear, referindo que, relativamente à concorrência, “nalgumas áreas esta cresceu a níveis superiores, criando maior oferta que procura, com consequências para o nosso negócio”. Para António Pontes, a informação disponível é ainda “parca”, contudo, a sensação que os responsáveis da Microprocessador têm é “que o mercado nacional estará de novo em crescimento”. “A concorrência é forte, sendo exigido um substancial esforço das empresas, dada a diversidade das ofertas tecnológicas no mercado”, explica, referindo que esta área de actividade “está directamente ligada ao investimento que vai acontecendo” e como o investimento “tem dado sinais de retoma, nota-se um acréscimo na dinâmica de mercado”. “O que agora é necessário é que se concretizem os projectos que estão no mercado, em consulta”, remata o resposável da Microprocessador. Opinião semelhante tem Carolina Rodrigues, que salienta as “soluções bastante dispersas e diversificadas” neste mercado, “onde vigora bastante concorrência, quer de produção nacional como de internacional”. No que concerne ao investimento, “nota-se um crescimento mas é, ainda, limitado”, conclui a responsável da Winwel. Por sua vez, Lima Fernandes explica que a Epoch actua “num nicho de mercado especializado, especificamente orientado para o mercado nacional, de uma forma abrangente, nuclearmente orientada para o ITED/ITUR, incluindo projecto & consultoria, auditoria  e formação, esta última reconhecida pela DGERT e acreditada pela ANACOM para efeitos de certificação de projectistas e técnicos instaladores”. “globalmente, têm sido anunciados investimentos animadores para o sector imobiliário e, consequentemente, com boas perspectivas para o desenvolvimento das redes de comunicações avançadas, requerendo serviços de projecto e certificação”, revela o responsável da Epoch. Na Casa das Lâmpadas observou-se que “o mercado nacional tem sofrido algumas alterações face aos últimos anos”. “Nos últimos cinco a 10 anos, o mercado nacional esteve muito estagnado, o que fez com que diversas empresas tenham reduzido a presença no nosso mercado, em favor do Moçambicano e principalmente Angolano”, explica Daniel Oliveira. Segundo o responsável de produto da Casa das Lâmpadas, “o desinvestimento das empresas de distribuição de material eléctrico no mercado nacional permitiu que outras, de menor dimensão, crescessem e aparecessem outras novas, nomeadamente na comercialização de produtos LED”. “Por falta de experiência ou por mero aproveitamento do pouco investimento nacional, algumas destas empresas introduziram soluções de baixa qualidade e custo, levando, por um lado, à desconfiança da tecnologia, por outro, à redução acentuada dos preços de mercado”, reforça Daniel Oliveira, revelando que, actualmente, “com a crise económica nos países de língua portuguesa, as empresas de maior dimensão têm procurado investir em Portugal, tentando reconquistar a confiança dos clientes, investindo em novas lojas e na introdução de produtos de maior qualidade”. Para o responsável da Casa das Lâmpadas, “esta presença e atitude faz com que empresas com pouco valor acrescentado desapareçam e o mercado se equilibre a níveis superiores”.

Liderança tecnológica

Sem surpresa, os segmentos de domótica, material eléctrico e iluminação caracterizam-se pela forte componente tecnológica que os acompanha, que poderá fazer a diferença entre sucesso e falhanço neste mercado. Para António Pontes, as novas tecnologias desempenham, “seguramente”, um papel importante no desenvolvimento deste mercado. “As aplicações de domótica baseiam-se, conceptualmente, nas aplicações residenciais de conforto e segurança”, explica o director de Automação de Edifícios da Microprocessador, referindo que, “hoje em dia, o Building Information Modeling (BIM) e a Internet das Coisas (IoT) são dois pilares de desenvolvimento das aplicações”. “Quer num caso, quer noutro, estamos a falar da recolha e gestão da informação”, ressalva, explicando que, no caso do BIM, “estamos a falar, sobretudo, na fase de concepção/construção e na necessidade de compatibilizar e colocar em interacção todas as componentes, especialidades e intervenientes, para que se atinja a máxima eficiência na gestão de recursos e prazos”. Na componente da Internet das Coisas, o objectivo passa, “mais uma vez, pela recolha e tratamento de informação, mas numa base quotidiana de gestão e exploração”. Tanto num caso, como noutro, “estamos a falar de gestão de grandes quantidades de informação e é aqui que reside o principal desafio da actualidade”, sublinha António Pontes, colocando as questões de como gerir toda esta informação e de como distinguir a informação relevante da que tem pouco interesse. “Para resolver estas questões, a Microprocessador tem uma equipa de engenharia capacitada, que customiza as soluções à medida do cliente, o que faz verdadeiramente a diferença”, remata o responsável da Microprocessador. Para Ana Luísa Santos, estas novas tecnologias – BIM e IoT – “vieram essencialmente simplificar processos e métodos, aumentar a eficiência e, consequentemente, a competitividade”. “Há agora uma lógica de complementaridade entre as soluções, que podem ir desde a iluminação à climatização, passando pela televisão, videovigilância, som, etc”, refere a responsável da Rolear, destacando que, “naturalmente, as novas tecnologias desempenham aqui um papel importantíssimo, na medida em que permitem não só a interligação entre as várias soluções, mas permitem também um controlo sobre estas, através de gadgets e apps”. Ao CONSTRUIR, Ana Luísa Santos explica que a experiência na utilização das soluções “que envolvem tanto domótica, material eléctrico ou iluminação assenta cada vez mais na própria experiência do utilizador e na interactividade que é estabelecida com os espaços”. “Há todo um nível de conforto que se traduz numa abrangência de soluções integradas, assim como o design cada vez mais sofisticado e que contribui também para esta experiência de utilização”, reforça, indicando que, outra componente introduzida pelas novas tecnologias consiste também na “geração de informação pelos próprios sistemas instalados, que permite a criação de perfis de utilização que possibilitam não só a melhoria da experiência, como a própria eficiência desta soluções”. “Por outro lado, é o desenvolvimento das novas tencologias que permite também a aplicação de interfaces mais “user friendly”, tanto para o instalador, como para o consumidor final”, conclui. Neste segmento de mercado, o desenvolvimento de novas tecnologias é “fundamental”, segundo Carolina Rodrigues, para quem estas novas tecnologias “abrem os horizontes da domótica”, uma vez que “permitem que as casas inteligentes se interliguem com dispositivos inteligentes fora da sua área natural de operação e promovem que esta se torne ainda mais acessível do ponto de vista da escalabilidade, preço e diferentes tipos de edifícios”. Opinião semelhante tem Lima Rodrigues, que considera que, “inevitavelmente, as novas tecnologias BIM e IoT têm um papel fundamental nos domínios da domótica, material eléctrico e iluminação, articulando-se e complementando-se entre si”. “No âmbito do sector imobiliário, a tecnologia BIM disponibiliza um processo para o desenvolvimento inteligente de um modelo 3D de edifícios, a IoT permite transformar global e harmoniosamente um edifício, contribuindo para uma adequada relação com o ecossistema envolvente, potenciando a sua gestão nas perspectivas de mais eficiência energética e operacional, mais comodidade de utilização, de sustentabilidade ambiental e de segurança”, afirma o director comercial da Epoch. Para Daniel Oliveira, tanto BIM como IoT “não estão ainda muito presentes no mercado eléctrico ou de iluminação, principalmente a Internet das Coisas”. “O BIM já é utilizado em alguns países, em menor número em Portugal, e algumas das marcas que comercializamos começam a fornecer dados para a realização de projectos em BIM”, destaca, relevando que, “apesar do tempo no desenvolvimento dos projectos ser superior, esta tecnologia evita erros e reduz a duração na execução dos edifícios, pelo que compensa em termos globais”. Na sua opinião, os projectos em Portugal serão brevemente “realizados em grande parte com esta tecnologia”. No que concerne à IoT, “esta terá um papel importante no futuro, uma vez que permite o controlo pelos utilizadores e fabricantes dos equipamentos”. “Desta forma, poderemos aumentar a eficiência e rapidez no seu domínio”, reforça Daniel Oliveira.

Impacto reabilitante

“Principalmente nos últimos três anos tem existido um aumento importante ao nível do investimento hoteleiro, mais acentuado em Lisboa e Porto”, realça Daniel Oliveira, quando questionado sobre o peso da dinamização da reabilitação urbana no sector em que a Casa das Lâmpadas actua. “O facto de estas cidades serem premiadas como destinos de viagem, pela presença e promoção dos destinos por figuras públicas internacionais e a segurança que Portugal oferece, a procura pelos turistas acentuou-se, criando necessidades ao nível hoteleiro”, explica Daniel Oliveira. Segundo o responsável da Casa das Lâmpadas, existe “uma maior procura de habitação não permanente por investidores internacionais, normalmente por habitação de elevado custo para os portugueses mas, ainda assim, baixo se comparado com outras cidades europeias”. Por outro lado, ao nível do investidor interno, “existe agora a tendência na reabilitação para fins de arrendamento motivado pela redução na oferta de crédito bancário”. Estas tendências têm permitido a realização de negócios, “dinamizando o nosso sector de actividade”, remata. Para a Epoch, a reabilitação urbana “traduz-se em dois vectores distintos ao nível das oportunidades para as áreas de actividade” da empresa. “No caso específico da reabilitação ao nível do alojamento local generalizado, as oportunidades são relativamente baixas”, afirma Lima Fernandes, referindo que, no caso da reabilitação urbana para unidades hoteleiras e residências da classe média/alta, aí, de facto, o crescimento tem impacto positivo, dado que estes sectores normalmente investem valores significativos em domótica, bem como ao nível das redes para oferta de serviços avançados de telecomunicações, para garantir a disponibilidade de serviços e de conteúdos aos respectivos utilizadores”. Ana Luísa Santos revela ao CONSTRUIR que, uma vez que a actividade da Rolear está “fortemente dependente do sector da construção, a dinamização [da reabilitação urbana] teria inevitavelmente efeitos positivos na nossa actividade”. “De salientar um mercado bastante interessante tanto ao nível da reabilitação de habitação própria, como de empreendimentos para fins turísticos, que nos coloca desafios estimulantes, na medida em que existe procura de soluções completas, inovadoras e de qualidade”, complementa a responsável da Rolear. Segundo Ana Luísa Santos, a “sensibilidade cada vez maior por parte do cliente para questões como a eficiência energética, associado também a um maior poder de compra, existe uma preocupação acrescida com a qualidade e uma exigência maior para com as soluções propostas”.  Na Microprocessador, o peso da dinamização da reabilitação no sector em que opera “está a fazer-se sentir, com alguns projectos importantes a aparecerem”. “Nos processo de reabilitação urbana, as aplicações de domótica terão uma substancial presença”, revela António Pontes, denotando que “este facto deverá também ser perceptível em infra-estruturas associadas ao turismo, como pequenos hotéis e instalações de “turismo de habitação””. “Neste mercado, o grande desafio, mas também a oportunidade que se coloca, é perceber, junto do cliente final, quais são os aspectos mais relevantes que importa atender na introdução da tencologia na transformação de uso destes edifícios em recuperação”, reforça. Para António Pontes, “habitualmente, há uma ideia muito concreta que o dono de obra tem para a envolvente ao imóvel que está a recuperar” e, neste sentido, “a tencologia tem de servir esta ideia e permitir que os clientes futuros que frequentem ou visitem o hotel vejam na tecnologia algo que os ajude a usufruir da melhor forma possível esse espaço e o conceito subjacente”. “Isto requer uma proximidade muito grande entre a equipa de engenharia que aporta a solução e a equipa do dono de obra, que enquadra a reabilitação num certo conceito”, reforça o director da Microprocessador. Segundo Carolina Rodrigues, as dinâmicas que o sector da reabilitação urbana tem apresentado “têm desempenhado um papel bastante positivo para a área da domótica”. “As preocupações com a autogestão e eficiência energética estão na base da procura, por parte do sector da reabilitação e turístico, destas soluções”, reforça a responsável da Winwel.

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