C&W antevê novo recorde de investimento imobiliário até final do ano

Por a 26 de Julho de 2017

LisboaDe acordo com mais recente Marketbeat, divulgado pela Cushman & Wakefield (C&W), referente ao primeiro semestre deste ano, foi investido um volume de cerca de mil milhões de euros no mercado imobiliário português, um valor “ligeiramente acima de 2016, assim como da média da última década”, acompanhado por mais de 3.500 milhões de euros em operações actualmente em curso. Neste cenário, o estudo destaca que 1.500 milhões de euros poderão ser transaccionados até ao final do ano, “estabelecendo um novo recorde”. Representando 91% do volume total, o investimento estrangeiro domina actualmente o mercado.

Sectores consolidam-se

“O primeiro semestre de 2017 revelou uma manutenção da evolução positiva do sector imobiliário nacional”, refere o relatório, sublinhando que a actividade de investimento verificou um volume de capital “acima da média, com as espectativas de final de ano a apontarem para um novo recorde histórico”. Para esta performance, tem contribuído o crescimento da economia, “o qual impacta na evolução do mercado ocupacional que continua a verificar bons níveis de procura”. No mercado de retalho, “registou-se uma manutenção da subida do volume de vendas do sector, assim como do dinamismo por parte da procura, particularmente ao nível do comércio de rua”. No sector de escritórios, observou-se um aumento na procura líquida, “beneficiando da subida dos níveis de confiança das empresas, mantendo-se a pressão da retoma da actividade de promoção”. A evolução positiva fez-se também sentir no sector industrial, impulsionado pelo aumento das exportações e pela confiança positiva. Relativamente ao turismo, os primeiros seis meses do ano apontam “já para novos máximos dos seus indicadores de actividade, comprovando a afirmação de Portugal enquanto destino turístico”, enquanto que, no sector residencial há a registar “um equilíbrio entre a oferta e a procura”, que leva a C&W a antecipar um crescimento “moderado dos preços praticados”.

Credibilidade é o “principal risco”

Numa análise à situação económica do país, o Marketbeat conclui que a credibilidade da economia portuguesa constitui “o principal risco que se adivinha face ao futuro”, uma vez que “a confiança da comunidade de Portugal não foi ainda conquistada”, embora seja “certo que, ao longo dos últimos trimestres, as previsões de crescimento para Portugal têm vindo a ser revistas em alta”. Neste sentido, a consultora sublinha que as agências de rating “começam também a dar sinais de maior confiança”. Com ou sem confiança, o processo de recuperação da economia lusa “tem vindo a demonstrar uma evolução muito positiva, dando os primeiros passos para a tão necessária alteração estrutural do tecido económico nacional”. Para a Cushman & Wakefield, se nos primeiros anos da retoma, o crescimento assentava essencialmente no consumo privado, “os últimos seis meses reflectem o contributo das exportações e do investimento público e privado”.

Procura por escritórios aumenta

Na primeira metade de 2017 foram transaccionados 77.400 metros quadrados de espaço de escritórios, o que torna este mercado “sólido e consolidado”. A procura líquida neste sector continua a subir, denotando o relatório que 33% das transacções neste mercado corresponderam a expansões ou novas empresas em Lisboa, com o Corredor Oeste a distinguir-se, dado o “efeito da escassez de espaços no centro da cidade”. No Porto, regista-se a procura crescente de operadores nacionais e internacionais, numa altura em que surgem novos projectos de promoção – bastante necessários, uma vez que o último data de 2006. A taxa de desocupação neste sector encontra-se estável – 8,8% –  e os valores mais baixos no mercado estão a ser praticados na Zona 4 e no Parque das Nações. No Corredor Oeste verifica-se uma correcção dos níveis de desocupação. Segundo a C&W, a retoma do mercado não tem ainda uma “repercussão expressiva na promoção”, com 59.200 metros quadrados em construção. Por outro lado, o potencial do mercado está a atrair formas de financiamento alternativas “que poderão potenciar crescimento da oferta”, num período em que o mercado se depara com a escassez de espaços de qualidade. Há ainda a registar um aumento generalizado dos valores de mercado, com a subida das rendas prime no centro de Lisboa e no Parque das Nações, e um crescimento “mais alargado e acentuado” nas rendas médias. Para a consultora, existe “espaço para subida adicional de rendas até ao final do ano”. Os negócios de ocupação na primeira metade deste ano “retratam um maior peso de operações entre os 100 e os 500 metros quadrados, em comparação com os primeiros seis meses de 2016”.

Retalho saudável

O retalho fica marcado pela evolução “positiva mas moderada” do volume de vendas. Os centros comerciais mantiveram “bom desempenho”, tendo o índice de vendas crescido 2,6% no primeiro trimestre, “apesar do menor volume de tráfego”. Neste sector, o Marketbeat salienta o peso crescente do comércio de rua face aos centros comerciais, com um “aumento exponencial da oferta de comércio de rua” face ao “crescimento incipiente nos centros comerciais”, bem como o impacto do turismo nas cidades de Lisboa e Porto, que concentram 97% das operações de comércio de rua. O sector de restauração é responsável pelo maior número de aberturas, “particularmente em comércio de rua”, mas o sector da moda apresentou também um peso significativo, “concentrando-se no formato de centros comerciais”. Segundo a C&W a oferta está a adaptar-se às novas tendências, com a expansão ou reformulação de conjuntos existentes. Relativamente à oferta futura, o estudo destaca o Mar Shopping Algarve, com 93 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) e o Évora Shopping, com 16.200 metros quadrados de ABL, ambos com abertura prevista até final de 2017. Numa altura em que Lisboa evolui “em quantidade e qualidade”, com o aumento do peso dos operadores nacionais e internacionais, bem como do sector de restauração, o Porto segue as pegadas da capital, tendo a Rua de Santa Catarina a recuperar “fluxo e atractividade”, enquanto surgem novas zonas – Clérigos, Ribeira e Aliados – que se afirmam como alternativa. Estas tendências são acompanhadas por uma “subida generalizada” dos valores de mercado, um desenvolvimento que deverá manter-se, “particularmente no formato de rua”.

Exportações impulsionam mercado industrial

O sector industrial tira partido dos níveis positivos de confiança, “acima da média da Zona Euro”, na indústria transformadora, e do aumento das exportações, com as estimativas de fecho do ano a apontarem para um crescimento de 7,7%, “superior ao previsto para as importações”. Todavia, o relatório ressalva a escassez de oferta de qualidade, que condiciona o mercado imobiliário industrial. Apesar disto, há a registar um aumento na procura de espaços industriais na Grande Lisboa, com a ocupação de 63 mil metros quadrados, resultante de 15 negócios. Por outro lado, os “reduzidos valores de renda praticados continuam a restringir o crescimento da oferta”, denotando a C&W que a pressão da procura poderá permitir subida dos valores no curto prazo. No mercado hoteleiro, os indicadores da actividade turística “indiciam novos recordes em termos de procura e rentabilidade da operação”, existindo, segundo o Marketbeat, “tendência de crescimento dos preços médios praticados”, potenciada pela qualidade da oferta e do serviço, bem como da atractividade do país enquanto destino turístico. Segundo a consultora, a rentabilidade da operação hoteleira é aquela que registou maior evolução.

Nacionais investem em habitação

O sector residencial tem testemunhado uma “intensa actividade de promoção desde 2014”, mantendo-se, ainda assim, o equilíbrio entre oferta e procura em Lisboa e no Porto. Em Lisboa destaca-se a alteração nas zonas com maior oferta de produto novo para bairros tradicionais, enquanto que, no Porto, a diversificação geográfica é “menos evidente”. A procura mantém-se em crescendo, “não só para efeitos de investimento, como também para habitação própria”. No primeiro trimestre, registaram-se 80 transacções e um crescimento homólogo superior a 30%, com um peso “muito significativo do mercado estrangeiro”, apesar dos investidores nacionais terem representado 38% das vendas. Em termos de valores médios, registaram-se “subidas ligeiras” face ao ano transacto – 3% em Cascais e 6% em Lisboa. O mercado encontra-se, segundo a C&W, “maduro e consolidado”, com um potencial de valorização inferior ao passado.

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