Open House Lisboa regressa com mais espaços e um programa de acessibilidades

Por a 13 de Setembro de 2017

 

Convento das Bernardas –
Museu da Marioneta ©FranciscoNogueira

A cidade de Lisboa volta a estar “de portas abertas” no fim-de-semana de 23 e 24 de Setembro, para aquela que é a 6ª edição do Open House na capital. O evento organizado pela Trienal de Lisboa em parceria com a EGEAC volta a desafiar a sociedade a descobrir os cantos a Lisboa durante dois dias de visitas gratuitas.
Este ano há um aumento de 20% no número de edifícios do roteiro e outras novidades. Para José Mateus, Presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa, “este é um aumento importantíssimo na programação”. Pela primeira vez a escolha dos lugares ficou a cargo de, neste caso, duas comissárias e existe um programa de acessibilidade em parceria com a Locus Acesso. Desta forma, estão mesmo todos convidados a conhecer a cidade de Lisboa, de uma forma bastante peculiar.

87 espaços, 38 estreias

Ao todo serão 87 os espaços visitáveis gratuitamente, 37 dos quais uma estreia absoluta e apenas em 8 deles será preciso fazer reserva. Rita e Catarina Almada Negreiros, as comissárias desta edição, pensaram num conceito de “Mapa Aberto” e apresentam um roteiro desenhado a partir de cinco vectores que têm como objectivo reforçar a vontade de aproximar os cidadãos da Arquitectura e da cidade. São eles: recuperar e descobrir novos usos; criar novos equipamentos que respondem às novas exigências da cidade; procurar os novos centros; responder à imensa procura turística e desvendar tesouros. Da selecção fazem parte museus, escolas, teatros, palácios, lojas, casas privadas e ateliers, praças e obras de diferentes escalas, assinadas tanto por autores consagrados, como por emergentes.
O roteiro dá especial atenção aos novos equipamentos e à reabilitação – Rita e Catarina Almada Negreiros sublinham que “dos espaços selecionados apenas 6 são construídos de raiz e todos eles são equipamentos”. Nesse sentido, a ideia passa por mostrar bons exemplos e o lado positivo do desenvolvimento da cidade. “Queremos mostrar diferentes abordagens e níveis de investimento que marcam o momento de forte transformação que a cidade vive”. Segundo as comissárias, esta amplitude de aproximações da Arquitectura às necessidades de Lisboa pode ser encontrada na nova sede da EDP, no Panorâmico de Monsanto, no novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa ou no renovado Campo das Cebolas mas também no Teatro Praga, Teatro do Bairro ou Teatro Thalia, todos locais em destaque este ano. “É o momento da reabilitação em Lisboa”, comenta Catarina Almada Negreiros, referindo que “existe uma nova sensibilização na reabilitação dos espaços” e destacando que, “nos últimos anos a arquitectura aprendeu a reciclar”.
Para que todos possam descobrir os cantos de Lisboa, existem 282 visitas comentadas por 74 especialistas e um conjunto de mais de 300 voluntários. “Tornar a experiência Open House o mais fluída possível, com um menor número de marcações obrigatórias e envolvendo um número sempre crescente de especialistas que oferecem uma visão mais aprofundada dos espaços aos visitantes” é um dos compromissos reforçado este ano, garante a organização.

“Uma verdadeira exposição de arquitectura”

A convite da Trienal de Arquitectura e do Open House Lisboa, o CONSTRUIR foi conhecer alguns dos lugares que estarão abertos ao público no fim-de-semana de 23 e 24 de Setembro. Um deles foi o Apartamento Arriaga, desenhado por Paulo Albuquerque Goinhas, do gabinete EMBAIXADA Arquitectura,  em co-autoria com a sua família. Paulo recebeu-nos em sua casa naquela que foi uma antevisão ao fim-de-semana do Open House para mostrar e explicar o desafio e o exercício que foi pensar o seu espaço de habitação. Começando por elogiar a organização por, “possibilitarem a verdadeira exposição de arquitectura”, Paulo Albuquerque Goinhas explicou o conceito e o modo de operação que transformou uma fracção “altamente fragmentada” num espaço cheio de luz e de memórias. O apartamento Arriaga foi um espaço proposto pelo próprio autor, que as comissárias Rita e Catarina Almada Negreiros consideraram reunir todos os requisitos para integrar o roteiro e que poderá ser visitado nos dias do Open House.
Mudando de escala e de conceito, o CONSTRUIR visitou também a nova Sede da EDP, da autoria do gabinete Aires Mateus e que, segundo José Mateus, presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa, integra este ano (finalmente) o roteiro, depois de anos em que não foi possível incluir por ainda não estar totalmente composto. O edifício que surgiu de um concurso por convite teve o objectivo de, para além de reunir os serviços da empresa e responder às necessidades da mesma, requalificar e integrar a zona em que se insere, sendo a forma, a modularidade e as linhas que o caracterizam, a resposta a isso mesmo. A visita à sede da EDP não necessita de marcação prévia e constitui, assim como o apartamento Arriaga e outros espaços idêntico, uma oportunidade única de conhecer um edifício que não é de acesso público

Programa de Acessibilidades

Uma das grandes novidades desta edição é o desenvolvimento do Programa de Acessibilidades desenhado em conjunto com a Locus Acesso e com a colaboração das instituições envolvidas. Porque o Open House quer chegar a todos promovendo a inclusão, estão previstas visitas que podem também ser acompanhadas pelo público com deficiências sensoriais ou intelectuais. De modo a permitir uma experiência Open House mais completa a pessoas cegas, de baixa visão, surdas ou com dificuldades cognitivas, haverá um conjunto de visitas do roteiro que também irão permitir a compreensão dos espaços e da sua função com recurso à descrição e a experiências tácteis, visitas comentadas por especialistas com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e visitas que permitem a compreensão dos espaços e da sua função com recurso a um discurso ajustado. Ao todo o Programa integra 16 visitas em formato de roteiro temático a 13 espaços, entre eles o Museu Nacional do Azulejo, a Fundação José Saramago – Casa dos Bicos, o novo edifício do MAAT ou o Atelier – Museu Júlio Pomar.

Open House Júnior

No seguimento do sucesso do ano passado, o programa Open House Júnior apresenta, pela segunda vez, actividades dirigidas ao público mais jovem. São 10 propostas lúdico-pedagógicas que desafiam famílias e os mais novos a descobrir a arquitectura, a cidade e os locais, através de visitas, jogos, oficinas e teatro. As actividades são gratuitas e dirigidas a crianças dos 3 aos 16 anos.

 Programa Plus

De forma a valorizar as visitas e a experiência plural Open House, o programa deste ano engloba mais uma vez, outros agentes culturais que, tirando partido de espaços do roteiro, apresentam conteúdos surpreendentes, em cenários inesperados. São 14 propostas que passam por concertos, passeios, exposições ou conversas.

 

 

 

 

 

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