Opinião: “Serão também os mercados municipais lojas históricas?”

Por a 13 de Outubro de 2017

Se há lojas que poderão ser classificadas como “Históricas”, segundo critérios, mais ou menos, abrangentes, e que espelhem “qualidades e atributos”, seja do ponto de vista do Comércio, da Atividade Económica, do Património, da Cultura, do Edificado, entre outros suscetíveis de definir, com toda a certeza que os Mercados Municipais se enquadram numa tal classificação.

Assim como as Lojas a classificar como Históricas serão sempre exceções num vastíssimo número de lojas que operam em todo o país, o mesmo ocorrerá com os Mercados Municipais que, sendo em número bem mais restrito, cerca de cinco centenas, serão merecedores de tal “honra”, pois uma tal “glória” será mais do que merecida!

Encarando o projeto para lá da mera atribuição de um título ou classificação, o que dele se poderá extrair em benefício da preservação e dinamização de um tipo de comércio em particular, chamemos-lhe comércio de proximidade, parece-me ser bem, ainda, mais sustentável e até defensável, para um espaço com as dimensões de um Mercado Municipal (dimensão económica, social, cultural, arquitetónica, monumental, etc., etc.) do que apenas para uma loja ou um conjunto de lojas.

Para além disso, a abertura do projeto às lojas – “Mercados Municipais” poderá constituir-se, mesmo, como o “clique” que poderá faltar para cativar e mobilizar, de uma vez por todas, as autarquias para este projeto.

Indo mais ao fundo da questão, acrescento que a possibilidade de se poder preservar e dinamizar um equipamento de propriedade e gestão municipal será o argumento decisivo que fará com que as autarquias, que não só Lisboa e Porto, adiram ao projeto e o façam conquistar a dimensão crítica que merece.

Uma coisa é certa, terá de ser o Comércio a fazer por si, não sendo admissível que, uma vez mais, se delegue em “terceiros” as decisões sobre aquilo que é do Comércio e para o Comércio, tantas e tantas vezes, em detrimento dos seus atores principais, leia-se, Estruturas Associativas Nacionais e Regionais, Associações locais e, naturalmente, os empresários!

Tratar-se-á de mais um exemplo, em que se constatará, mais cedo ou mais tarde, que não se poderá ficar na expetativa para ver o que aí vem, mas sim ir ao encontro do que estará a ser preparado e contribuir, sugerir, contrapor, enfim trabalhar naquilo que é “nosso” (do Comércio)!

Será, talvez, prudente que Autarquias e Associações Comerciais possam, desde já, tomar a iniciativa, dando início aos trabalhos de levantamento – Relatório Prévio (diagnóstico, localização, edifício, história/percurso, negócio, etc. das “suas lojas históricas”, incluindo, quando for caso disso, o Mercado Municipal), propondo, desde já, em sede de Relatório de Projeto, eventuais áreas de investimento que justifiquem a possível disponibilidade de apoios/incentivos, definir roteiros de lojas, explicitar formas de articulação com o “pelouro municipal” da Cultura, possível e desejável envolvimento de outros agentes regionais/locais, etc.

Os ganhos poderão ser garantia do futuro do Comércio, pelo que neste caso poderemos, talvez, começar por “ganhar … tempo”!

João Barreta
Direcção-geral das Artes, Direcção de serviços de planeamento, informação e recursos humanos

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