Renováveis geraram ganhos na ordem dos 5,95 mil M€

Por a 31 de Outubro de 2017

As renováveis na produção de electricidade são o vector de descarbonização mais eficaz da economia portuguesa no médio e longo-prazo. Mas, para que este cenário se verifique é fundamental que as renováveis assumam um papel dominante na geração de electricidade (80% até 2030 e 90% até 2050), sobretudo através da produção hídrica, eólica onshore e solar PV.
Esta é uma das conclusões do estudo “ Projecções 2050 para a descarbonização custo-eficaz”, desenvolvido em conjunto pela APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e pelo Centro de Investigação Ambiental e de Sustentabilidade da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, apresentado na conferência anual da associação sob o tema “Electricidade Renovável: Inovação e Tendências”.
O mesmo relatório concluiu ainda que a escolha de trajectórias para o sector eléctrico de elevada mitigação de CO2, conduzem a menores custos unitários no sistema eléctrico nacional. O estudo permite demonstrar que o custo unitário de produção de electricidade nos cenários de mitigação, será até 2050, cerca de 22% a 27% inferior ao cenário conservador em que as renováveis cresçam a um ritmo mais lento, e sem considerarem a descarbonização.
Para António Sá da Costa, presidente da APREN, “é claro o contributo das renováveis para a redução do valor final da electricidade. Quanto maior for a oferta renovável em mercado, mais baixos são os preços grossistas, uma vez que nas renováveis não existem custos variáveis como acontece noutras opções de produção de energia. Assim, considero que é importante continuar a potenciar as renováveis em Portugal e apostar na eficiência energética. O que está em causa, neste momento, é o nosso futuro e a sustentabilidade do nosso planeta”.
Também de acordo com o estudo “Efeito das Renováveis na Ordem de Mérito do Mercado Grossista de Electricidade” agora revelado, e com base em dados da ERSE, entre 2010 a 2016, o ganho económico proveniente deste efeito foi de 5,95 mil milhões de euros, valor que pode ser contrabalançado com o designado sobrecusto das renováveis que foi de 5,68 mil milhões de euros.
O relatório permite concluir um benefício líquido para o sector eléctrico devido à electricidade renovável de 265 milhões de euros, o que se traduz numa poupança de cerca de 38 milhões de euros/ano. No mesmo período analisado, as renováveis permitiram ainda evitar a importação de combustíveis fósseis (5,26 mil milhões de euros) e  pouparam 475 milhões de euros com as licenças de emissão de CO2.

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