Francis Kéré defende no Porto que “projectar é um acto social”

Por a 9 de Novembro de 2017

Fotografia: kere-architecture.com

O arquitecto natural do Burquina Faso, radicado em Berlim e o primeiro africano a projectar o pavilhão anual da Serpentine Gallery, esteve no Porto, no âmbito do Fórum do Futuro, e defendeu que, “projectar é um acto social e deve ser concretizado segundo o princípio mais com menos”.

“Cresci com a ideia de tornar as coisas melhores um dia”, diz Francis Kéré, “e apercebi-me que poderia fazê-lo sendo arquitecto, tentando melhorar o meio ambiente. Quando acabei de construir a minha primeira escola, pensei que era algo de muito bom e que queria continuar a fazer”.

Segundo o portal de notícias do Porto, o arquitecto aceitou de imediato o convite do Fórum do Futuro. “O Fórum do Futuro contribui para que as pessoas possam aceder a tendências, conversar com os especialistas e descobrir os seus projectos. Isto é realmente poderoso. Por isso, quando me convidaram, eu simplesmente vim”, diz o arquitecto.

Recorde-se que, a primeira abordagem de Francis Kéré ao mundo da construção começou ainda criança, quando trabalhava aos fins-de-semana nas obras no seu país. Segundo o arquitecto, frequentava a escola, um edifício apinhado e muito quente, e pensava em como transformar as instalações em algo simples, mas confortável.

A sua prática profissional resulta de todo o seu percurso, actuando muitas vezes em zonas desfavorecidas, utilizando materiais locais e mobilizando comunidades. Sustentabilidade e consciência social são dois pilares do seu modo de fazer arquitectura e a inspiração surge muitas vezes da natureza.

“É como se fossemos cozinheiros: temos que ver quais os ingredientes locais que podemos usar para cozinhar uma refeição maravilhosa”, explica.

Sobre o futuro, Kéré revelou-se optimista e entusiástico no seu papel de arquiteto cujo propósito de vida é “servir as pessoas e a humanidade”.

No Porto, Francis Kéré confessou estar maravilhado com o trabalho de Siza Vieira e enunciou como referências, Louis Kahn, “pelo facto de ter conseguido ser bem-sucedido tanto nos EUA como na índia, um país pobre”, e Mies van der Rohe que “conseguiu fazer com que um tijolo fosse muito mais do que um simples tijolo”.

O Fórum do Futuro decorre até ao dia 11 de Novembro.

 

 

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