Opinião: “Porque é que a Inteligência Artificial é estimulante para as utilities?”

Por a 4 de Dezembro de 2017


Jorge Nunes
Partner
Ernst & Young

Em qualquer cenário futuro para o setor da energia, uma coisa é bastante clara: a Inteligência Artificial desempenhará um papel fundamental no setor das utilities.
A Inteligência Artificial oferece um caminho para um amplo conjunto de evoluções e melhorias, desde o fornecimento de uma visão clara das operações na geração de energia e na gestão da rede ou até proporcionar interações com clientes mais transparentes e de custo mais baixo.
A Inteligência Artificial é um recipiente para um grande número de tecnologias cognitivas, como machine learning, processamento de linguagem natural, reconhecimento de voz e imagem, que não são exatamente novas tecnologias. Uma melhor acessibilidade e usabilidade (através das chamadas API’s), o aumento da capacidade de computação (através da cloud) e a disponibilidade de dados aceleraram a sua adoção, nos últimos anos, e tornaram a Inteligência Artificial pronta para ser usada na economia em geral, mas particularmente no setor das utiilties.
Existem evidências que dentro de pouco tempo, as baterias terão atingido o ponto em que o seu preço que tornará a rede como uma opção para os consumidores. Com a expectativa dos veículos elétricos alcançarem a paridade de custo e performance com os veículos a combustão, dentro da próxima década, a capacidade de integrar, gerir e proteger as redes será essencial. A proliferação de sensores, DER’s (distributed energy resources) e veículos elétricos gerará grandes quantidades de dados não estruturados. A Inteligência Artificial promete ser o “cérebro” para oferecer a necessária gestão ativa da rede e das interações com os clientes.

A Inteligência Artificial tem provavelmente mais definições do que aplicações, podem-se enumerar 4 características principais, ao considerar esta tecnologia como um todo:

1. Aprender – identificar e melhorar o resultado original através do teste

2. Perceção – visualizar, estabelecer padrão e reconhecer o conteúdo

3. Raciocínio – caminhar das premissas para conclusões por indução, dedução e raciocínio abdutivo

4. Compreensão da linguagem – inclui o reconhecimento de voz, transcrição e processamento de linguagem natural, incluindo análise de sentimentos

Os grandes players de tecnologia estão a investir fortemente em mecanismos de Inteligência Artificial. Mas não são só os “grandes” que estão a investir em Inteligência Artificial, há um grande número de start-ups que centram a sua atividade em mecanismos de Inteligência Artificial.
As empresas tradicionais de energia estão a observar – muitas vezes através de seus centros de investigação em inovação – e começaram a fazer os primeiros investimentos nestas áreas, como por exemplo:
• Gestão de fontes renováveis: usando Inteligência Artificial para melhor prever a produção de fontes renováveis
• Gestão da procura: usando Inteligência Artificial para determinar o comportamento do consumidor e assim otimizar a resposta à procura, prevendo picos de procura e fornecimento
• Gestão de infra-estrutura: reconhecimento de imagem para identificar anomalias, gerir e prever o desempenho do equipamento na rede
• Gestão do cliente: uso Inteligência Artificial para gerar as respostas dos chatbot mais precisas e adequadas

As aplicações da Inteligência Artificial podem trazer grandes avanços na melhoria do desempenho em alguns processos, podem ser um acelerador, por exemplo no auxílio no desenvolvimento de ofertas dinâmicas ou optimizadores uma vez que podem modelizar e sintetizar impacto duma medida num curto espaço de tempo.

As principais empresas estão a assumir o controlo de seus destinos e a integrar a Inteligência Artificial nos seus programas de inovação, criando aplicações práticas com impacto significativo no negócio. Aqueles que aguardem muito para que a “revolução” avance podem ser deixados para trás.

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