Opinião: “2018 E MAIS ALÉM”

Por a 21 de Dezembro de 2017

Está finalmente completa a lista das trinta e duas seleções de futebol que estarão presentes na fase final do Mundial’2018. A prova irá disputar-se na Rússia no Verão do próximo ano e será provavelmente, mais uma vez, um dos eventos com maior audiência a nível mundial, talvez só ultrapassado pelos Jogos Olímpicos. De acordo com os dados da FIFA, o último campeonato do mundo de futebol, que se realizou no Brasil em 2014, foi visto por aproximadamente metade da população mundial. Ao longo do torneio houve 3,2 mil milhões de espectadores e mais de 1.013 milhões de pessoas assistiram pelo menos a um minuto da final vencida pela Alemanha.

O Mundial’2018 será também um evento em que a arquitectura e a engenharia terão tido um papel fundamental na concepção e na construção dos estádios que acolherão os diferentes jogos.

A experiência de assistir aos jogos de futebol, tanto nos estádios como fora daqueles recintos, está a mudar. Esse facto altera necessariamente a forma como são concebidos não só os estádios, mas toda a envolvente e as infraestruturas associadas. Por isso, mais uma vez haverá lições a tirar do próximo campeonato. Algumas foram, de resto, já aprendidas e estão a ser implementadas nos estádios atualmente em construção no Qatar.

Ao longo da existência do Focus Group, temos tido o privilégio de estar envolvidos na concepção de estádios e de outras infraestruturas desportivas, nomeadamente no Europeu de futebol em 2004, no Mundial de 2014, nos Jogos Olímpicos de 2016, e, mais recentemente, no Qatar, que será palco do campeonato do mundo de futebol em 2022.

Esta nossa experiência resultou do facto de termos conseguido ter, em Portugal, a oportunidade de participar na concepção de dois estádios (para o europeu de 2004), mas também de termos aproveitado essa oportunidade para internacionalizar a actividade do Focus Group e usar essa experiência noutros países.

Reforço, por isso, o que tenho dito ao longo dos anos sobre a importância de as empresas de consultoria e projecto procurarem explorar outros mercados, aproveitando a experiência que forem adquirindo no mercado interno.

Volto a este tema, agora que o mercado em Portugal melhorou significativamente, porque é precisamente nas alturas de crescimento em que a actividade aumenta e há mais oportunidades que se deve preparar o próximo ciclo, apostando em mercados alternativos e noutras fontes de trabalho e de receitas.

Acredito que em 2018 o mercado em Portugal continuará a melhorar, mas certamente que a dado momento a aceleração do crescimento tenderá a reduzir-se, estabilizando. Gradualmente o mercado irá de novo ficar mais maduro, os investidores esperarão pela concretização dos projectos que foram desenvolvendo para poder pensar noutros, e o ritmo de chegada de novos investidores ao mercado também terá tendência a reduzir. Espera-se que, ao contrário do que acabou por acontecer em 2017, o investimento público possa de facto ressurgir com alguma força nos próximos anos, contribuindo para a confiança e melhoria das condições para que o investimento privado se mantenha.

Faço votos para que o ciclo virtuoso perdure para além de 2018. De qualquer modo, e apesar deste meu (moderado) optimismo, insisto em que não nos podemos acomodar novamente ao bom momento do mercado interno. É importante sair da nossa “zona de conforto”, procurar estar noutros mercados, para que não sejamos novamente “apanhados pelo desconforto” da crise recente.

Tal como na concepção de estádios de futebol, é fundamental aprender com as lições do passado e não cometer novamente o erro de pensar que nada muda. Tudo muda. Mudou em Portugal e continuará a mudar. Mais do que nunca, no milénio atual não são os mais fortes que sobrevivem, mas sim os que se adaptam às mudanças.

Nuno Malheiro da Silva, Arquitecto
Presidente do FOCUS GROUP
[email protected]

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *