Europa quer 50% de renováveis até 2030

Por a 27 de Dezembro de 2017

A Comissão lançou as bases para uma União da Energia europeia, que garanta aos cidadãos e às empresas da UE um abastecimento energético seguro, acessível e respeitador do ambiente. A energia circulará livremente através das fronteiras nacionais da UE. As novas tecnologias, as medidas de eficiência energética e a renovação das infra-estruturas contribuirão para a redução das despesas dos agregados familiares, a criação de novos empregos e competências e a promoção do crescimento e das exportações.
Nesse domínio, investigadores portugueses estão a participar num projecto europeu que visa criar tecnologias para integrar fontes de energia renováveis na Europa até 2021, com um investimento de 26,4 milhões de euros, dos quais 20 milhões são financiados pela Comissão Europeia. O objectivo destas tecnologias é garantir a segurança de abastecimento da rede eléctrica, possibilitando uma maior integração das fontes renováveis e, consequentemente, a obtenção de energia mais limpa, garante o investigador Bernardo Silva, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), uma das instituições envolvidas no projecto.
O objectivo da Comissão Europeia é que, até 2030, pelo menos 50% da energia existente no continente seja proveniente de fontes renováveis, maioritariamente eólica, solar e hídrica, indica um comunicado do INESC TEC.
Denominado “EU-SysFlex” (Pan-European system with an efficient coordinated use of flexibilities for the integration of a large share of RES), o projecto, que terá um investimento total de 26,4 milhões de euros, vai identificar e avaliar os desafios técnicos e o desenvolvimento de estratégias técnicas, de mercado e de regulação, que permitam quantificar e tirar partido das flexibilidades existentes no sistema eléctrico europeu.

Portugueses presentes
Um total 34 instituições, entre elas três portuguesas – o INESC TEC, a EDP Distribuição e o Centre for New Energy Technologies (CNET) –, estão a trabalhar para cumprir esse objectivo através de um projeto de investigação pan-europeu.
O projecto chama-se EU-SysFlex (Pan-European system with an efficient coordinated use of flexibilities for the integration of a large share of RES) e, até outubro de 2021, vai trabalhar na identificação e avaliação dos desafios técnicos e no desenvolvimento de estratégias técnicas, de mercado e de regulação que permitam identificar, quantificar e tirar partido das flexibilidades existentes no sistema elétrico europeu.
Oito áreas de demonstração vão ser criadas na Europa para validar todas as ferramentas que estão a ser desenvolvidas no âmbito do EU-SysFlex – Portugal, Alemanha, Itália, Finlândia, França, Estónia, Letónia e Polónia.
Em Portugal, vai ser criado o “Virtual Power Plant”, localizado na barragem de Venda Nova III, no distrito de Vila Real, e nos parques eólicos situados na proximidade. Este mecanismo vai permitir controlar a produção da barragem hídrica de acordo com as variabilidades do recurso eólico. “Imaginemos que num determinado momento não há vento suficiente para injetar na rede eléctrica, esta plataforma vai permitir perceber isso e dar ordens para que se turbine água da barragem, como se de uma central única se tratasse”, explica Bernardo Silva, investigador sénior do Centro de Sistemas de Energia do INESC TEC. Para além do “Virtual Power Plant”, o demonstrador português está também a desenvolver uma ferramenta chamado “Flexibility Hub”, que vai funcionar como um facilitador de mercado, coordenado pelo operador da rede de distribuição, que fornece validações técnicas paras as flexibilidades mobilizadas pelo o operador da rede de transmissão. INESC TEC, EDP Distribuição, EDP CNET, EDP Produção, Siemens e Électricité de France (EDF), são as instituições que vão trabalhar no demonstrador português.
O objectivo de todas estas tecnologias? Garantir a máxima integração de fontes renováveis na Europa assegurando que a operação e abastecimento do sistema eléctrico é feita de forma optimizada, tirando partido das flexibilidades existentes no sistema eléctrico. É, nesse sentido, que o projecto vai focar os seus desenvolvimentos em modelos que permitam aos operadores de sistema estimar a verdadeira flexibilidade existente, permitindo com isso optimizar a operação dos sistemas eléctricos e integrar mais fontes renováveis.

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