Antevisão 2018: Mercado deverá continuar atractivo para estrangeiros e portugueses

Por a 28 de Dezembro de 2017

Texto: João Távora, CEO Housers Portugal 

O mercado imobiliário está bastante dinâmico e acredito que a atratividade do país para estrangeiros vai continuar a “aquecer” este setor em 2018. Creio também que a procura por imóveis irá alastrar-se às zonas periféricas das grandes cidades de Lisboa e Porto, não só por parte dos Portugueses como já tem vindo a acontecer, mas também por parte dos estrangeiros que antes estavam a focar-se mais nas zonas premium.
Se assumirmos que a estabilidade política no país se mantêm, e consequentemente que os benefícios fiscais para residentes não habituais ou vistos gold também, podemos esperar que a procura por parte de estrangeiros se mantenha ao nível que temos atualmente. Por outro lado, a população portuguesa também se encontra numa situação mais favorável do que antes, o que vai certamente ter influência no setor imobiliário. Existe maior acesso a crédito bancário para a habitação, que deverá beneficiar da revisão do rating da dívida portuguesa, acompanhado por outros fatores como a expansão do PIB, inflação relativamente baixa (1,39% em outubro 2017, de acordo com o INE) e uma taxa de desemprego em valores que há muito tempo não se viam (8,5% no 3º trimestre de 2017, de acordo com o INE).
Relativamente aos preços da habitação em Portugal, acredito que vão continuar a subir em 2018, embora a um ritmo ligeiramente inferior em comparação com 2017. De acordo com o INE, em 2016 verificou-se um aumento de 7,6% do índice de preços da habitação e, no primeiro semestre de 2017, o mesmo indicador apresentou uma variação de 5,5% relativamente ao semestre homólogo (mais 0,5% do que a variação para o 1º semestre de 2016).
Em relação ao número de transações no mercado português de habitação, acredito que 2018 também deverá seguir uma tendência parecida à evolução dos preços. No ano de 2016, o número de transações de alojamentos locais segundo o INE cresceu 18,5% em Portugal, sendo que só no primeiro semestre de 2017 cresceram 17,7% em relação ao semestre homólogo (15,4% no 1º semestre de 2016). Se analisarmos por imóveis novos e existentes, verificamos que a maior parte do crescimento é alimentado pelos imóveis existentes, consequência do elevado esforço de reabilitação que se tem vindo a verificar em Portugal. Curiosamente, se nos focarmos na área metropolitana de Lisboa, vemos que neste segundo semestre de 2017 esse crescimento do número de transações de imóveis novos chega inclusive a ser negativo, o que nos pode levar a questionar a necessidade de mais construção deste tipo na capital.
Adicionalmente, acredito que o impacto do turismo, em particular nas principais cidades, vá continuar a fazer com que muito do “stock” nacional continue a ser dedicado a alojamento local.

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