Antevisão 2018: Alojamento Local – Como defender a economia e as cidades?

Por a 29 de Dezembro de 2017

Texto: Miguel Mesquita Figueiredo , Director Consultancy & Valuation Department – Aguirre Newman

Tema efervescente no mercado e de capital importância para o desenvolvimento urbano, social, económico e turístico da cidade de Lisboa e outras cidades torna-se urgente a regulação e enquadramento deste fenómeno.
Tendo em consideração aquele que é o subsector económico em que se insere, o turismo, e outros em que o seu impacte se verifica, nomeadamente no mercado imobiliário residencial e a sua valorização, assistimos à necessidade de uma gestão estratégica do alojamento local. Assim seja planeado e integrado num contexto alargado do destino, das cidades e suas dinâmicas urbana e sociais.
Neste especial contexto, o produto oferecido pelo alojamento local tem ou teve uma bondade intrínseca na sua génese que não tem verificado uma continuidade que permita uma perspetiva sustentável da sua manutenção e contribuição para o sector do turismo em especial.
Esta sustentabilidade ou falta dela está relacionada com a potencial depreciação do produto turístico por via da adulteração das dinâmicas sociais autóctones, associada a uma limitação de acesso a habitação para locais, residentes. Obrigando a moverem-se para fora do centro da cidade.
Esta migração irá “afastar” também a autenticidade e a cultura local e autóctone das zonas de máximo potencial turístico da cidade e desta forma depreciar aquelas que são das características mais valorizadas por quem nos visita.
O risco que se corre em tornar as cidades e Lisboa em especial em mais uma random city igual a tantas outras sem carisma nem autenticidade é tremendo.
Os projetos de lei em discussão neste momento fazem todo o sentido e são de crucial importância no desenvolvimento estratégico da cidade. Não concordando com a limitação de valores, impedindo o mercado de funcionar de forma livre, creio que a criação de algumas limitações relacionadas com a atribuição das licenças e dando aos condomínios a liberdade de decisão sobre a existência ou não de unidades de alojamento local nos seus edifícios criará por si uma regulação que influenciará positivamente o mercado.
Entendo que o reforço da posição dos condomínios na decisão de permitirem ou não a utilização de frações dos seus edifícios para alojamento local irá sem dúvida ajustar o mercado residencial pois a grande maioria dos condomínios irão tendencialmente opor-se a este tipo de atividade que em bom rigor tem verificado inúmeros problemas de convivência com os demais condóminos dos edifícios residenciais nomeadamente no que diz respeito a segurança, limpeza, ruído entre outras questões.
Esta limitação irá sem dúvida limitar a rendibilidade esperada para um investidor em produto imobiliário residencial, que estará apenas disponível para residentes e mercado local com uma capacidade aquisitiva inferior àquela que o alojamento local consegue atingir.
Desta forma acredito que haja um ajustamento de valores do mercado residencial no centro e um drive para a criação de hubs de alojamento local em edifícios dedicados, o que em termos estratégicos de desenvolvimento e de capacidade de captação de investimento será um desafio para todos mas que criará condições para um desenvolvimento mais sustentável destes vários sectores de per si e da economia da cidade em geral.
É necessário parar e observar o que está a acontecer noutras cidades, como Barcelona e perceber qual o caminho que queremos traçar e que condições temos que criar e problemas antecipar para podermos definir políticas para um desenvolvimento urbano, social, turístico e económico sustentável capaz de sobreviver a alterações de conjuntura.
Assim estejamos atentos e sejamos hábeis na procura das soluções integrando todos, os residentes, os turistas e os investidores. Boas ideias, boas políticas e bons negócios.

Nota: O CONSTRUIR manteve a grafia original do artigo

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