Frida Escobedo desenha Serpentine Pavilion 2018

Por a 8 de Fevereiro de 2018

A arquitecta mexicana Frida Escobedo, conhecida pelos seus “projectos dinâmicos que reactivam o espaço urbano”, é a autora do Serpentine Pavilion 2018, anunciou a Serpentine Gallery.

No anúncio, a galeria londrina descreve o projecto do edifício temporário como “uma interacção subtil de luz, água e geometria”, num design “baseado no pátio e na arquitectura doméstica mexicana”, mas à luz de materiais e da história britânica.

Na prática, o pavilhão assumirá a forma de um pátio fechado, composto por dois volumes que formam um ângulo. Na composição, as paredes exteriores estarão alinhadas com a fachada oriental da Serpentine Gallery, enquanto o eixo interno do pátio se alinhará directamente ao Norte. A Serpentine Gallery sublinha que, os pátios internos são uma característica comum da arquitectura doméstica mexicana, enquanto o eixo giratório do Pavilhão se refere ao Prime Meridian, que foi estabelecido em 1851 em Greenwich e se tornou o marcador padrão global de tempo e distância geográfica.

Escobedo escolheu materiais feitos na Inglaterra para a construção do Pavilhão, nomeadamente pelas suas cores escuras e superfícies texturizadas, avança a mesma fonte.

Uma “breeze wall” – elemento comum na arquitectura tradicional mexicana -será composta por uma rede de telhas de cimento que difundirá a vista para o parque, transformando-a “num vibrante borrão de verdes e azuis”.

Para além disso, a arquitecta mexicana utiliza dois elementos para enfatizar o movimento da luz e da sombra dentro do Pavilhão ao longo do dia e uma piscina triangular irá marcar um limite ao longo do eixo norte do Meridiano.

A ideia, explica, é que “à medida que o sol se move através do céu, seja reflectido e refratado por estes recursos”, de forma a que “os visitantes possam sentir uma maior conscientização sobre o tempo gasto no jogo, improvisação e contemplação durante os meses de Verão”.

Para a Serpentine Gallery, o design de Escobedo eleva o Serpentine Pavilion a um “espaço de encontro e experiência compartilhada, seguindo o aclamado Pavilhão de 2017 de Francis Kéré, uma estrutura brilhante e arejada que foi inspirada pela árvore no coração da sua cidade natal, em Burkina Faso, e visitada por mais de 200 mil pessoas”.

Sobre o projecto, a arquitecta mexicana refere: “o meu desenho para o Serpentine Pavilion é um encontro de inspirações materiais e históricas inseparáveis ​​da própria cidade de Londres e uma ideia que tem sido central para a nossa prática desde o início: a expressão do tempo na arquitectura, através do uso inventivo de materiais quotidianos e formas simples. No Pavilhão adicionámos os materiais de luz e sombra, reflexão e refração, transformando o edifício num relógio que descreve a passagem do dia “.

O director artístico da Serpentine Galleries, Hans Ulrich Obrist e a CEO, Yana Peel, comentam: “Estamos muito satisfeitos por revelar o projecto de Frida Escobedo, que promete ser um lugar de reflexão profunda e de encontro dinâmico. Com este interior corajoso, Frida desenha a história no presente e redefine o significado do espaço público. Esperamos que os visitantes de todas as idades criem as suas próprias experiências no Pavilhão este Verão, enquanto continuamos no nosso objectivo de trazer a urgência da arte e da arquitectura para um público mais amplo “.

Recorde-se que, o Serpentine Gallery tornou-se numa plataforma global para a experimentação arquitectónica, tendo já apresentado projectos de alguns dos maiores arquitectos do mundo, de Zaha Hadid em 2000 a Francis Kéré em 2017. A ideia subjacente é a de projectar um pavilhão temporário que é usado como centro comunitário, cafetaria e fórum durante o dia e como entretenimento à noite. O Pavilhão fica instalado no relvado da Serpentine Gallery durante quatro meses, de 15 de Junho a 7 de Outubro. A escolha do arquitecto tem como critérios ser alguém que tenha ampliado os limites da prática arquitectónica e que ainda não tenha construído em Inglaterra.

Frida Escobedo é a mais jovem arquitecta a aceitar o convite para desenhar o Pavilhão Temporário da Serpentine Gallery. Exercendo a sua prática a partir da Cidade do México, tem no currículo importantes projectos a nível nacional e os seus desenhos têm sido destacados um pouco por todo o mundo, nomeadamente na Bienal da Arquitectura de Veneza (2012 e 2014), na Trienal de Arquitectura de Lisboa (2013) e em São Francisco, Londres e Nova York.

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