“Urbevoluções”: As transformações urbanas de Matosinhos em exposição

Por a 8 de Fevereiro de 2018

A cidade de Matosinhos passou, entre o final do século XIX e a segunda metade do século XX, por um importante conjunto de transformações urbanas, impulsionadas sobretudo pela construção do Porto de Leixões. Importantes núcleos habitacionais desapareceram das margens do troço final do rio Leça e o imenso areal que era a actual Matosinhos-Sul deu lugar a estradas, ruas e fábricas. A marca que estas mudanças deixaram na arte é o objecto da exposição “Urbevoluções”, que abre as portas no sábado, 10 de Fevereiro, pelas 16 horas, no Museu da Quinta de Santiago.

A exposição, que assenta integralmente na colecção de arte da Câmara Municipal de Matosinhos, estará patente até 6 de Maio e apresenta uma viagem diacrónica, da tela de 1887 do pintor portuense Francisco José Resende (1825-1893), onde é possível constatar a ausência de construções nas proximidades do areal da praia de Matosinhos, até ao registo do bulício portuário fixado pelo japonês Hirosuke Watanuki, que se apaixonou por Matosinhos nos anos 1960.

Ocupando as diversas divisões do antigo palacete de Leça da Palmeira, “Urbevoluções” conta com obras de artistas como Agostinho Salgado (1905-1967), Aurélia de Sousa (1866-1922), António Carneiro (1872-1930), Carlos Carneiro (1900-1971), Jaime Isidoro (1924-2009), Augusto Gomes (1910-1976) e Joaquim Lopes (1886-1956), entre outros. Testemunhas do seu tempo, as pinturas são também a narração de uma enorme mudança da paisagem ocorrida sobretudo entre 1932 e 1953: desapareceram para sempre quarteirões inteiros, casas, jardins e praças públicas, um antigo mercado, estátuas, capelas, cinco pontes, lavadouros públicos e praias fluviais onde permaneciam dezenas de barcos de pesca tradicional.

“Urbevoluções” assinala também o surgimento de grandes estruturas urbanas como o Mercado Municipal de Matosinhos e a Ponte Móvel, aberta ao trânsito em 1959, a fixação industrial operada a partir de 1899 e o desenvolvimento da actividade piscatória, responsável por obras tão icónicas como “A Família”, da autoria de Augusto Gomes, e “Gente do Mar”, de Joaquim Lopes.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *