Arquitectura por engenheiros: OASRN considera “monumento ao absurdo” projecto de lei aprovado

Por a 23 de Fevereiro de 2018
“Um verdadeiro monumento ao absurdo, ao desprezo pela Lei e pelos princípios que deverão reger uma sociedade moderna”. É desta forma que a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos reage à aprovação, na Comissão de Economia e Obras Públicas, do Projecto de Lei que prevê que alguns engenheiros civis possam assinar projectos de arquitectura.
Aquele organismo lamenta esta decisão, que antecede a votação final em plenário e, no entender da presidente da secção, não é admissível que “sejam atribuídas qualificações por decreto”. Para Cláudia Costa Santos, “este grupo de engenheiros teve um período transitório de oito anos para se adaptar à Lei e fazer o curso de arquitectura, esforço que alguns fizeram e outros não”.
“Com a redacção aprovada, ficou explícito que a directiva europeia era apenas um álibi para beneficiar umas profissões em detrimento dos arquitectos e do país com a conivência de todos os partidos”, sustenta ainda a OASRN, uma posição reforçada pelo vice-presidente da OASRN. No entender de Alexandre Ferreira, “o Projecto de Lei aprovado “significa que em Portugal a meritocracia e o empenho valem menos do que a inércia intelectual, a influência política e a exploração de subterfúgios legais”.
Com a decisão tomada esta quinta-feira, a OASRN sublinha que vai utilizar todos os meios à disposição para reverter aquele que consideram ser um retrocesso legislativo que desrespeita, por completo, uma classe profissional de mais de 24 mil arquitectos.

3 comentários

  1. Carlos Moura e

    26 de Fevereiro de 2018 at 19:07

    Os arquitetos no seu maior !
    O monopólio da competência,da beleza,do gosto ……
    Toca a abocanhar o negócio!
    Só neste país à beira-mar plantado

  2. Paulo Alves, Arq.

    27 de Fevereiro de 2018 at 1:04

    O sr. Carlos Moura tem certamente um preconceito relativamente a arquitectos. Como ele, muitos mais há, neste país à beira-mar plantado, onde cada um se acha no direito “patêgo” de construir galinheiros e dar uns “toques” no que respeita a estética (o que é isso?) do edificado. Ignora também que, por motivos óbvios, existem licenciaturas de Engenharia e licenciaturas de Arquitectura, e que só neste país à beira-mar plantado se cai no lugar-comum, bem triste por sinal, de que quem sabe fazer umas cofragens, fazer umas vigas e assentar tijolos é elegível para tecer loas sobre conceitos estéticos e fazer uns “bonitos” à la “arquitecto”! Como vivemos num país de parolos, e não é por se ter um curso superior que não se deixa de o ser, caso o seja, a missão pedagógica de sensibilizar as populações para a qualidade do edificado é, mais uma vez, posta em causa, com prejuízo claro para a paisagem urbana. Não obstante Portugal ter arquitectos de renome mundial e a formação dos nossos arquitectos ter padrões de qualidade relativamente elevados (Licenciatura de 5 anos mais estágio profissional), é triste constatar a atitude tacanha dos representantes da Nação – os nossos deputados – em se renderem à pressão de um lobby que não tem razão de existir, a não ser pelos considerandos implícitos de estarmos neste país à beira-mar plantado…

  3. Arquiteto França

    1 de Março de 2018 at 13:40

    Lamentável o desespero e desrespeito de certas organizações de engenheiros que se sentem donos das leis… eu pergunto PORQUE?.. é certo que o trabalho é pouco e que todo mundo se diz conhecedor das ARTES DAS OBRAS, mas a cada profissão cabe o seu especialista, e o ARQUITECTO cabe a coordenação dos princípios de todas as artes conjugadas… uma vez que; quando projecto, não penso apenas em cores, formas, paredes e vigas ou na estética funcional, mas antes de tudo na necessidade de conjugar todos os aspectos inerentes ao processo de edificação, passando pela adequação estrutural, legislativa, formal, humana , histórica, sociológica, estética, orçamental, funcional dentre outras que envolvem a satisfação e adequação do lugar em que se vai utilizar e do conjunto edificado às pretensões do requerente. Não vejo os Sres. Engenheiros minimamente preparados para tais tarefas. Tenham juízo, a arquitectura é um direito do cidadão e o arquitecto o seu vector, desde a antiguidade. Acredito que para muitos desses Sres. Engenheiros evoluir é poder voltar a trocar cheques em padaria. Dava jeito.

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