“Quisémos criar um novo destino para quem procura viver em Lisboa”

Por a 13 de Março de 2018


34 anos depois do início do projecto, a Alta de Lisboa tem já construído perto de 1.150 mil m2, com relevância para o sector residencial. Numa altura em que as tendências apontam para um crescimento da construção nova, a SGAL assume-se hoje como um “urbanizador” que procura criar parcerias com outros investidores

Em entrevista ao CONSTRUIR, Miguel Lobo, director de Marketing da SGAL, confirma o óptimo momento que o projecto esta a atravessar. Um dos mais recentes “bairros” de Lisboa conta ainda desenvolver perto de 860 mil m2 até 2035, seja através de projectos “chave-na-mão” ou de promoção para outros investidores.

Qual a área construída até ao momento?

Actualmente, a Alta de Lisboa, obedecendo aos objectivos inicialmente propostos, materializou, no seu projecto de urbanização, uma área de construção total de 1.140.701m2, dos quais 1.103.051m2, previstos para zona residencial, foram executados, bem como os 37.650m2 propostos para comércio e serviços. É com bastante orgulho que, hoje, observamos mais de 28 mil pessoas a circular pela Alta de Lisboa.

Qual o empreendimento que estão neste momento a desenvolver?

Quero – e devo – salientar o Condomínio do Lago. Um empreendimento constituído por duas fases, num total de 319 apartamentos e que fechou, com mérito, o objectivo das vendas de todas as habitações em tempo recorde. Na verdade, um sucesso comercial que nos deixou a todos orgulhosos. De referir ainda que este empreendimento possui vantagens para os jovens, já que os preços que praticamos são bastante acessíveis, sendo que falamos na cidade de Lisboa. No fundo, quisemos criar um novo destino para quem procura viver em Lisboa;

E quanto ainda falta construir para completar o plano de urbanização inicial?

De uma forma redonda, sem nos afastarmos muito da realidade, podemos estar a falar de cerca de 860 mil metros quadrados de construção acima do solo para que o plano inicial esteja concluído. Destes, aproximadamente 70% serão com foco em habitações residenciais e os restantes para comércio e serviços. A Alta de Lisboa terá, quando concluir o seu projecto, o número incrível de 60 mil habitantes. Só a Alta de Lisboa.

Em relação aos empreendimentos é possível indicar quais já estão construídos?

Sim, claro. Foram desenvolvidos, ao longo de todos estes anos de intervenção urbana, doze condomínios, com mais de 4000 apartamentos, nomeadamente: o Parque Europa, o Parque Lisboa, o Parque das Conchas, o Páteo São João de Brito, o Parque São João de Brito, a Colina São João de Brito, o Condomínio da Torre, os Jardins de São Bartolomeu, o Condomínio do Parque, a Colina de São Gonçalo, as Casas do Parque e, finalmente e o mais actual, o Condomínio do Lago.

Sendo um plano de urbanização a longo prazo é normal que possam surgir alterações ao projecto inicial. Isso aconteceu?

Aconteceu. Não podemos esquecer que o Plano inicial remonta a 1984. Naturalmente, as alterações são uma consequência da sua evolução, para melhor. Todas as revisões são efectuadas com alguma regularidade, resultado do trabalho tanto da parte privada, SGAL, como do município. A ideia base é adaptar o modelo à realidade social e económica da área de intervenção, de forma a potenciar um projecto, por si só, vencedor.

É possível prever a conclusão do projecto?

Sim, é possível, com algum constrangimento associado ao aspecto contratual normal nestes casos. Teoricamente, até 2035 o projecto deve estar finalizado, contudo, como nem o crescimento económico, nem o demográfico são previsíveis, e o desenvolvimento urbanístico depende muito destes dois factores, prever e confirmar se esta data será, efectivamente, cumprida, é algo que, devido às condicionantes que mencionei, é difícil de dizer com rigor.

Tendo em conta os anos de crise alguns projectos acabaram por não iniciar. Como fizeram para ultrapassar esse período?

Sem dúvida que a crise no sector imobiliário foi devastadora. Muitos dos nossos projectos não iniciaram e os que estavam a decorrer sofreram grandemente com a falta de procura. Foram tempos difíceis. Para além do mercado externo (que não é o nosso core business) viramo-nos essencialmente para a gestão imobiliária e venda de terrenos no sector terciário.

Foi nessa altura que surgiu o Arrendar.pt?

Apesar de não ter sido uma consequência do abrandamento do mercado, mas antes parte de uma estratégia que fomos implementando, sim, podemos afirmar que sim. No entanto, muitos dos imóveis que vendemos para rendimento, passaram a fazer parte desse novo serviço: a gestão de imóveis.

Desde então, o nosso crescimento na gestão dos imóveis está também direccionado aos clientes, com uma solução de oferta integrada e apoiada numa estrutura experiente, com recursos nas mais variadas áreas de intervenção.

Estamos num momento de crescimento da construção nova. Quais as mais valias que a Alta de Lisboa pode oferecer?

Para além das óbvias, deixe-me sublinhar que estamos a falar de Lisboa cidade e não de uma zona limítrofe. Tenho que referir, mais uma vez, que a Alta de Lisboa oferece um planeamento ordenado e robusto, com as melhores acessibilidades, a maior mancha verde integrada numa área residencial e, claramente, a extensão natural da cidade de Lisboa com um óbvio horizonte de valorização.

Vocês são promotores, mas desenvolvem os empreendimentos com outras parcerias?

Posso afirmar, sem margem de erro, que já fomos promotores de A a Z, isto é, desde o licenciamento até à promoção, venda e pós-venda de todos os empreendimentos.

No entanto, o nosso foco actual está mais direccionado para a venda de terrenos a outros promotores, estando, obviamente, com eles na sua execução, tanto na parte institucional como urbanizador ou, num sentido mais amplo, podendo prestar-lhes serviços de gestão de projecto, venda e pós-venda, com base no nosso know-how adquirido ao longo de mais de três décadas. Resumindo, podemos entregar projectos chave-na-mão para investidores, podemos ser parceiros em projectos que considerarmos estratégicos ou, simplesmente, promovermos a venda do terreno para o desenvolvimento de projectos por parte de promotores que procurem a Alta de Lisboa para investir.

E ao nível dos equipamentos públicos?

Os equipamentos públicos fazem parte das nossas obrigações contratuais e do PUAL. Não são, por isso, esquecidos, mas antes desenvolvidos ao longo da vida do projecto. Os maiores e mais emblemáticos estão praticamente concluídos, como a pista de Atletismo Moniz Pereira, o campo de jogos, o Parque Oeste, entre outros.

Existem ainda dois que consideramos importantes para o projecto, especificamente o parque sul e um equipamento no coração do território e que o projectamos para que seja uma âncora cultural na cidade.

A mobilidade neste projecto é muito importante e pode fazer a diferença. Alguma novidade neste aspecto, tendo em conta que se encontram numa fase de desenvolvimento do projecto?

Claro que sim e, para além da mobilidade viária, que foi alvo de estudos muito aprofundados, parece-nos consensual que a Alta de Lisboa, na sua forma final, necessitará de mais do que uma rede viária para a mobilidade dos seus futuros 60.000 habitantes.

Existem projectos delineados para a extensão da rede metropolitano e do transporte em via própria, servindo a ligação da Alta de Lisboa pela sua grande Avenida. Mas até aqui, com as mais recentes soluções de mobilidade autónomas, podemos adivinhar que poderão ser soluções de futuro com recurso às mais modernas tecnologias.

As questões relacionadas com a sustentabilidade estão também muito presentes em todo o Plano de Urbanização. Foram de certa forma pioneiros em algumas das inovações que implementaram. Que ganhos esperam obter com a implementação destas medidas?

De facto, sim, fomos pioneiros em muitas medidas e soluções que implementamos nos nossos projectos. Continuamos, sempre, a estudar as melhores formas de soluções de integração tecnológica ou métodos que permitam ganhos efectivos sobre a eficiência energética e a sustentabilidade. Para além de todas as opções que resultam na poupança de energia, trabalhamos, ainda, em algo mais abrangente – a eficiência dos materiais. Isto traz soluções para uma maior poupança futura dos consumos de cada apartamento, ou mesmo na adopção de melhores práticas para as zonas comuns dos edifícios.

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