Edifícios públicos representam Portugal na Bienal de Veneza

Por a 11 de Abril de 2018

Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, Ribeira Grande
João Mendes Ribeiro e Menos é Mais (Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos)
© José Campos

“Public Without Rhetoric” é o projecto selecionado para representar Portugal na 16ª Exposição Internacional de Arquitectura La Biennale di Venezia, que decorre de 26 de Maio a 25 de Novembro de 2018.

Nuno Brandão Costa e Sérgio Mah, os Curadores da representação portuguesa, “propõem um percurso pelo ‘Edifício Público’ de autoria portuguesa, através de 12 obras criadas num momento em que a Europa Ocidental se confronta com os seus limites e possibilidades e a arquitectura acentua o seu inconformismo, reforçando o seu papel na intervenção política e social”, explica a DGArtes.
As obras escolhidas são: o Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande, de João Mendes Ribeiro e Menos é Mais (Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos); a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, de  Inês Lobo; o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, em Tours, de
Aires Mateus e Associados (Manuel Mateus e Francisco Mateus); o Centro de Visitantes da Gruta das Torres, na Ilha do Pico, Açores, por SAMI (Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira); a Estação de Metro Município, Nápoles, de Álvaro Siza, Eduardo Souto Moura e Tiago Figueiredo; o Hangar Centro Náutico, em Montemor-o-Velho, da autoria de Miguel Figueira; o  I3S, Instituto de Inovação e Investigação em Saúde, Porto, por Serôdio Furtado Associados (Isabel Furtado e João Pedro Serôdio); os Molhes do Douro, da autoria de Carlos Prata; o Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal, por Ricardo Bak Gordon; os Pavilhões Expositivos Temporários, “Incerteza Viva: Uma exposição a partir da 32ª Bienal de São Paulo”, no Parque de Serralves, Porto, da autoria de depA (Carlos Azevedo, João Crisóstomo e Luís Sobral), Diogo Aguiar Studio, FAHR 021.3 (Filipa Fróis Almeida e Hugo Reis), Fala Atelier (Ana Luísa Soares, Filipe Magalhães e Ahmed Belkhodja) e Ottotto (Teresa Otto); o Teatro Thalia, em Lisboa, por Gonçalo Byrne e Barbas Lopes Arquitectos (Diogo Seixas Lopes e Patrícia Barbas); e o Terminal de Cruzeiros de Lisboa, da autoria de João Luís Carrilho da Graça.

Segundo a DGArtes, a Representação Oficial Portuguesa é, este ano, “a afirmação da Arquitectura enquanto forma de celebração da experiência do espaço público e destaca a importância primordial do arquitecto na construção das vivências nas sociedades contemporâneas”.

De acordo com Nuno Brandão Costa e Sérgio Mah, “em coincidência com a crise económica, nos últimos dez anos verificou-se um cisma contra a obra pública, vista pelas orientações neoliberais que guiaram a Europa Ocidental nos tempos recentes, como um mal e uma deriva despesista acessória e nefasta. A obra pública, nomeadamente a construção de equipamentos culturais, educativos, desportivos e de infraestruturas, inscreve-se numa ideia de evolução civilizacional e de progressividade na equivalência de oportunidades sociais. Simultaneamente reconstrói e reabilita a forma da cidade, renovando qualitativa e culturalmente o espaço público. Neste intervalo temporal de dez anos, desde o início da crise em 2007 até ao presente, apesar do brutal decréscimo deste tipo de investimento, verificou-se a construção de um significativo número de obras públicas de grande qualidade, que simbolizam a resiliência de alguns nichos de decisão (central, regional, local e institucional). Entidades que não desistiram de concretizar projectos anteriores ao início da crise e outros, que em contraciclo, assumiram a responsabilidade de desencadear novos projectos, durante esse mesmo período. Estes focos de resistência, foram acompanhados pelos arquitectos Portugueses. Acentuou-se o carismático voluntarismo e paixão pela disciplina que lhes é reconhecido, associado a uma noção muito nítida do respectivo papel social e político, num contexto muito adverso á sua prática”.
Os Curadores salientam que, “através de uma selecção de 12 obras construídas durante o período referido, é possível elaborar uma pequena história da mais recente obrado ‘Edifício Público’ de autoria Portuguesa, cujo significado se insere na ideia do “Espaço Livre”, temática central de La Biennal di Venezia de 2018. As obras escolhidas pretendem demonstrar a diversidade de programas e escalas que os arquitectos portugueses trabalham, enfatizando a sua cultura generalista e a sua excelência transgeracional, representada por todas as gerações no activo (nascidos nos anos 30, 40, 50, 60, 70 e 80)”.

De salientar que, “a exposição irá incluir também uma série de filmes sobre o estado actual das obras, explorando os modos e as dinâmicas de apropriação e vivência das pessoas que, de forma mais frequente ou esporádica, realizam a missão pública dessas mesmas obras”. Os autores são Salomé Lamas, André Cepeda, Catarina Mourão e Nuno Cera – “4 artistas contemporâneos portugueses com percursos consolidados e de amplo reconhecimento, entre as artes visuais e o cinema, e com experiências anteriores no domínio da representação da arquitectura”, concluem.

 

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