Joaquim Sarmento (1916-2018): o “mestre de várias gerações de engenheiros”

Por a 11 de Abril de 2018
“Mestre de várias gerações de engenheiros portugueses e nome maior da Engenharia de Estruturas em Portugal”. É desta forma que a Universidade do Porto recorda Joaquim Sarmento, personalidade de referência na Engenharia e na Academia portuguesas que desaparece aos 101 anos de idade.

Para a história ficam projectos como o antigo estádio do Futebol Clube do Porto, os mercados de Matosinhos e do Bom Sucesso ou as igrejas do Carvalhido e das Antas, obras de referência numa extensa lista que imortaliza o engenheiro, galardoado com o Prémio de Investigação Manuel Rocha, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1987), com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública (2005), ele que foi o primeiro português a ser distinguido com o prestigiado Prémio Leonardo da Vinci, atribuído pela Sociedade Europeia para o Ensino da Engenharia (2003).
Formou-se em Engenharia Civil na FEUP, em 1939, com média de 17 valores. Um ano depois, iniciou o seu percurso como professor da Faculdade, onde viria a concluir o doutoramento em Engenharia Civil em 1944.

Enquanto docente da FEUP, instituição que dirigiu entre 1973 e 1974 e à qual manteve uma ligação de mais de 50 anos, notabilizou-se na regência das cadeiras de Resistência de Materiais e Estruturas de Betão Armado. Após a sua jubilação, em 1986, participou ainda em júris de provas de doutoramento em Engenharia Civil, bem como em júris de concurso para lugares de professor extraordinário.

A Universidade do Porto recorda que das suas aulas saíram alguns dos mais notáveis engenheiros portugueses formados entre as décadas de 1940 e 1980, incluindo dois vencedores do Outstanding Structure Award, o mais importante prémio internacional de Engenharia de Estruturas — António Segadães Tavares e José Mota Freitas.

Esta é, uma “perda enorme para a Universidade do Porto e para a Engenharia Portuguesa”, na opinião do Reitor Sebastião Feyo de Azevedo. “Mais de 30 anos após a sua jubilação, o Professor Joaquim Sarmento continuava a ser uma referência do ensino da FEUP e da Universidade do Porto”, continuou o Reitor da U.Porto, realçando que “enquanto pedagogo e investigador na área do Betão Armado e da Resistência de Materiais, inspirou várias gerações de engenheiros civis portugueses e deixou uma marca indelével na história da engenharia nacional e, em particular, da cidade do Porto”.

Lamentando o desaparecimento de Joaquim Sarmento, a Ordem dos Engenheiros assinala a “personalidade de referência na Engenharia e na Academia portuguesas, autoridade nas áreas de resistência dos materiais, betão armado e pré-esforçado e em estruturas”.

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