“As nossas reabilitações não são meramente cosméticas, mas sim intervenções de fundo”

Por a 11 de Maio de 2018

Nuno Ascenção e Maria João Ascenção são os rostos da OTB. Em entrevista ao CONSTRUIR revelaram que mais do que reabilitar, pretendem que os seus edifícios sejam identificativos do que é o centro histórico do Porto, mas também da própria empresa.

 Como surgiu a empresa e em que ano?

A Outside the Box surge em 2007. Fomos nessa altura (e somos ainda) da opinião de que a forma de promover e construir poderia ser muito diferente daquela que é a prática comum.  A promoção como uma actividade de produção em série, por promotores muitas vezes invisíveis e afastados do mercado, poderá ser interessante de certos pontos de vista, mas tem normalmente como resultado um produto final na melhor das hipóteses pouco inspirado. Vimos que havia a oportunidade de criar um produto diferente, mais estudado, de maior qualidade e mais humanizado, e decidimos criar esse conceito. De relembrar que naquele ano não havia ainda começado a grande aposta na reabilitação a nível nacional ou local.

 O vosso core business é a reabilitação para habitação. Contudo criaram um conceito diferenciador. Fale-nos um pouco desse conceito?

Decidimos criar uma marca, a Porto Renovato, que viria a dar nome a todos os nossos edifícios de habitação. Esta deveria representar o conceito que desenvolvemos, e que ainda hoje continuamos a aperfeiçoar.

Acima de tudo, representa qualidade. A aquisição de um apartamento Porto Renovato teria que representar uma garantia de conforto, tanto no dia-a-dia como na segurança de um apoio em tudo o que seja necessário no pós-venda.  Mas qualidade não pode ser apenas uma palavra usada em marketing. As nossas reabilitações não são meramente cosméticas, mas sim intervenções de fundo. Sendo mantida a fachada original do edifício, o interior é reconstruído para os nossos padrões de conforto moderno.  Investimos bastante tempo a estudar e a por em prática as melhores soluções na parte “invisível” da construção. Este é o investimento que pode não ser imediatamente aparente quando entrámos num edifício, mas que é o mais importante quando o habitamos. Apenas como um pequeno exemplo, podemos destacar o isolamento acústico, desde o início um dos nossos principais focos. As soluções que usamos só são habitualmente encontradas em hotéis de 5 estrelas, sem qualquer hipótese de ruido entre apartamentos ou do exterior, o que proporciona um conforto imbatível.

Mas a qualidade só por si não era suficiente para o que pretendíamos. Para o resultado final que procurávamos, importância teria também que ser dada à arquitectura e o design. Decidimos apostar numa imagem exterior dos edifícios que, sendo tipicamente Porto, fosse ao mesmo tempo inconfundivelmente nossa. Assim, optámos sempre pela aquisição de edifícios de traça tradicional da cidade, mas que nos permitissem imprimir a nossa identidade. Estando perfeitamente integrados na arquitectura do Porto, um edifício da Outside the Box é no entanto imediatamente reconhecível, como podemos comprovar nos empreendimentos já concluídos: ▪ Porto Renovato – Rua Duque da Terceira 141 ▪ Porto Renovato – Rua da Alegria 258 ▪ Porto Renovato – Rua D. João IV 376

Os interiores trazem um contraste de estilos. A mistura do antigo com o moderno permite resultados muito interessantes, e cada edifício tem sido um estudo diferente deste conceito. De cada vez são estudados em pormenor os novos materiais a aplicar que, sendo diferentes, devem manter sempre o mesmo estilo. Uma marca e um conceito demoram tempo a criar. Devido à atenção que dedicamos a cada projeto, optamos por um faseamento muito rigoroso na nossa promoção, sem demasiadas obras em simultâneo. Felizmente, passados 10 anos, vemos com satisfação que Porto Renovato e a Outside the Box são no mercado sinónimos de qualidade e design. É algo que nos vamos esforçar por manter e melhorar.

 Além da reabilitação, prevêem ter alguns projectos na construção nova?

Estamos neste momento a iniciar um novo empreendimento residencial, o Porto Renovato – Av. Fernão de Magalhães 210, que cremos que será o mais espectacular que já fizemos. Sendo ainda uma reabilitação, como todos os nossos edifícios terá muitos elementos de “construção nova”, dado que a opção por soluções de construção moderna é uma das características que nos distingue. Não temos neste momento previsto nenhum projecto de construção completamente nova, mas é uma das possibilidades para um futuro próximo. Temos algumas ideias que gostaríamos de aplicar.

 E além de habitação ponderam também trabalhar noutros segmentos de mercado?

A Outside the Box concluiu em 2016 o Hotel Eurostars Porto Douro e em 2017 os Apartamentos Turísticos Eurostars Porto Douro, os quais promoveu e dos quais é proprietária, encontrando-se a ser explorados pela cadeia Eurostars. Esta aposta em unidades hoteleiras foi iniciada já em 2010, tendo sido pela sua localização junto à escarpa das Fontainhas a obra mais tecnicamente desafiante até ao momento. O segmento do turismo continua a ser uma possibilidade para o futuro, existindo ainda espaço para unidades diferenciadoras neste sector.

 Com um crescimento notório na cidade do Porto, como veem o mercado da reabilitação para a cidade?

Tem sido um prazer sentir a transformação da cidade na última década, e ver que o centro passou a ser novamente uma zona apetecível para se residir. No entanto, tendo já sido reabilitada uma percentagem razoável dos edifícios, é de referir que uma grande parte do trabalho está ainda por fazer. Cremos que assistiremos na próxima década a uma espécie de “estabilização” do centro da cidade, a nível do tipo de utilização de cada zona e também dos preços nas mesmas.

 E o crescente aumento do turismo que tem vindo a impulsionar também a reabilitação do centro histórico? 

Seria de esperar que a criação de boas condições numa das mais bonitas cidades da Europa fosse resultar num aumento do turismo e do investimento estrangeiro. Estes por sua vez teriam que ter o efeito de potenciar ainda mais a reabilitação que já estava a acontecer. Enquanto falamos de turismo, creio que é de referir a capacidade do povo Português de se adaptar e criar novas ideias. É impressionante a quantidade de novos negócios que surgiram, direta ou indirectamente,  relacionados com o turismo, ideias originais ou adaptadas de outros locais, mas que em poucos anos transformaram a cidade.

 Além do Porto, ponderam investir em projectos noutras cidades?

Estamos precisamente a procurar e a estudar algumas possibilidades noutras cidades, provavelmente numa primeira fase numa vertente habitacional, mantendo o nosso conceito habitual.

 Além dos empreendimentos já referidos, há algum que se encontra em desenvolvimento e em que fase está?

Temos neste momento em fase inicial de obra (fundações) o Porto Renovato – Av. de Fernão Magalhães 210. O edifício terá uma área bruta de construção de aproximadamente 7000m2 e representará um investimento a rondar os 15 milhões de euros. O projecto de arquitectura foi desenvolvido por José Pedro Santos.

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