Câmara de Braga estuda venda da “Pedreira” de Souto Moura

Por a 23 de Julho de 2018

O emblemático estádio municipal de Braga está em risco de ser vendido pela câmara municipal, por causa da dívida “avultada” que acarreta para a autarquia – e pela impossibilidade de gerar receitas devido às limitações da infraestrutura.
Além disso, nos últimos anos têm sido várias as batalhas jurídicas travadas entre a autarquia, o consórcio de construção e o atelier do arquitecto Souto de Moura, havendo o risco de a despesa do município derrapar em mais 16 milhões de euros.
Na hipótese de ser vendido, avançada por Ricardo Rio, presidente da câmara, parte dos proveitos (cerca de cinco milhões de euros) seriam canalizados para a reestruturação do antigo estádio 1.º de Maio.
Ricardo Rio explicou ao SOL que a decisão de vender o estádio ainda não está tomada, adiantando que é um cenário em cima da mesa. “Ainda não tomámos nenhuma acção proactiva de colocar o estádio no mercado ou de contactar potenciais interessados, mas é algo que equacionamos fazer”, confessa Ricardo Rio.
É que além da dívida bancária, a que se somam as despesas de manutenção asseguradas pela autarquia, o estádio “não gera receitas”, lamenta o autarca. “Não foi desenhado para gerar qualquer tipo de receita de natureza imobiliária ou comercial, como existe em Alvalade ou no Dragão. Há apenas umas zonas de interior que servem de apoio ao funcionamento. Não há comércio a funcionar e nem foi desenhado para tal”, salienta Ricardo Rio.
E conseguir verbas através de outras iniciativas, como espectáculos, é uma realidade que também não tem acontecido. “Houve apenas um concerto dos ‘The Corrs’, em 2004, e a verdade é que foi uma iniciativa que nunca teve reedição. Não sei dizer se as condições acústicas são as ideais mas, a verdade é que não houve mais nenhum promotor que quisesse utilizar o estádio para esse efeito”, aponta ainda o presidente da câmara eleito pelo PSD.
Reconhecendo o valor do estádio enquanto “peça de arte”, o autarca diz que ‘A Pedreira’ – que já recebeu vários prémios de arquitectura – “é um bem de luxo e o potencial adquirente não será um investidor tradicional que procura uma rentabilização do investimento”.

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