Arquitectura de fusão

Por a 10 de Agosto de 2018

© Fernando Guerra, FG+SG Fotografia de Arquitectura

Na obra de Miguel Arruda, a arquitectura e a escultura andam de mãos dadas na criação de obras híbridas que fundem as duas artes. Na Casa na Fuseta, devido às calotes esféricas que a compõem, existe um retorno à “Escultura Habitável” – a obra que desde 2010 está no Jardim das Oliveiras do CCB e através da qual Miguel Arruda transportou a memória formal de uma das suas primeiras esculturas, da década de 60, para a actualidade, conferindo-lhe escala e a experiência espacial da arquitectura. Esta habitação, localizada na Fuseta, no Algarve e que cruza a contemporaneidade com a arquitectura vernacular algarvia, é um dos edifícios finalistas aos WAF Awards 2018, juntamente com outros três projectos da autoria de gabinetes portugueses.

Semi-círculos
De acordo com a memória descritiva a que o CONSTRUIR teve acesso, esta é mesmo a primeira construção edificada a partir do conceito de “Escultura Habitável”, e essa noção é reforçada “por os segmentos circulares que desenham a sinuosidade do corredor com que estes dois volumes comunicam (a partir da habitação pré-existente), o qual tem o seu início na habitação pré-existente”, pode ler-se na memória descritiva do projecto. Efectivamente, escreve o arquitecto na descrição do edifício, “o léxico formal da esfera, do cilindro e do cone na leitura antropomórfica existente na ‘Escultura Habitável’ é aqui interpretado planimetricamente”.

Programa
O programa habitacional constitui-se por a ampliação de uma construção antiga através de dois volumes semi-circulares – o primeiro constituído por dois quartos e uma instalação sanitária -, e o outro por uma sala de estar com kitchenette. Os dois novos volumes articulam-se entre si e com a antiga construção através de um corredor “de expressão sinusoidal, resultante da necessidade de respeitar a presença de duas árvores (uma figueira e uma romãzeira ), existentes no seu trajecto”. O semi-círculo correspondente à área dos quartos, completa-se exteriormente com outro semi-círculo destinado a uma zona de estar e no caso da sala de estar, “a sua superfície plana é totalmente vidrada e confina igualmente com uma área exterior semi-circular”, revela o arquitecto na memória descritiva. Nesta área, continua, acede-se a uma piscina e a um terraço existente na cobertura, designado tradicionalmente por “açoteia”. À excepção do elemento de ligação entre os dois semi-círculos e a habitação inicial, os dois semi-círculos habitacionais têm a sua cobertura ajardinada, à excepção de um pequeno páteo existente no semi-círculo da sala de estar.

O tradicional reboco branco, no exterior e no interior, e os pavimentos em tijoleira tradicional da região, contribuem para uma implantação que se funde na envolvente e a destacar há ainda uma alfarrobeira de grande porte que determinou a implantação da piscina na área do semi-círculo exterior que confina com a sala de estar.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *