Opinião: “Pensar as novas cidades”

Por a 10 de Agosto de 2018

Os grandes centros urbanos e a dinâmica das cidades encontram-se em profunda metamorfose, levantando enormes desafios a nível de urbanismo e planeamento. Desafios que envolvem todas as facetas de uma cidade, desde a garantia da habitação, passando pelo desenvolvimento turístico e indo até ao mais ínfimo, e fulcral, detalhe da sustentabilidade do espaço público.

Nunca este debate esteve tão aceso e é ponto assente que não existe um retorno, sendo premente pensar o tecido urbano de forma concertada, inteligente, antevendo tendências de vivência e acima de tudo envolvendo os múltiplos players, nomeadamente os privados que são parte integrante do espaço público.
Hoje o debate centra-se na transformação da cidade de Lisboa e do Porto, motivado pelo boom turístico que veio deixar visível às várias entidades que pensam sobre as cidades os problemas estruturais e conjunturais, para os quais é urgente definir uma resposta. Lisboa e Porto são lugares vivos, repletos de personalidade, de emoções e vivências que não se podem perder e que devem ser preservados. Devem ser acima de tudo trabalhados para se conseguir acompanhar os inevitáveis processos de transformação da vida urbana.
Desde logo, quer em Lisboa, quer no Porto, é fundamental que exista uma valorização dos bairros por parte da própria cidade. Há que entender os bairros como órgãos vitais da identidade da cidade e olhar caso a caso para o dimensionamento das suas infraestruturas, para a gestão local, o conceito de vida associado, a animação cultural e social, bem como a forma como as pessoas se relacionam e interagem no espaço público. Afinal, os bairros, a cidade em si é das pessoas e para as pessoas. O Estado e as entidades públicas estão naturalmente obrigadas a intensificar o seu apoio a este trabalho, desenvolvendo projetos de valorização do espaço público que devem incluir o estímulo à interação entre os cidadãos.

É precisamente esta vivência e interação genuína entre as pessoas que define a oferta do turismo local, feito pelas suas pessoas, pertencentes a essa identidade local. Neste sentido, é importante o apoio às associações locais para dinamizarem os espaços públicos, a nível cultural, artístico e até gastronómico, evitando a entrada de players estrangeiros para assumirem este papel, demasiado profundo para ser gerido com distanciamento.
Felizmente, existem já casos de sucesso a este nível e que devem ser enaltecidos, apoiados e tomados como exemplo para a criação de novos projetos. Vejamos o caso da Associação Renovar a Mouraria, uma organização privada sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública, que está a celebrar há 10 anos e com um trabalho notável na revitalização do bairro histórico da Mouraria.

A par com este trabalho mais local é fundamental que os espaços públicos sejam também geridos numa perspetiva dos privados, que em certas áreas conseguem aportar valor acrescentado e uma capacidade de investimento mais forte e de rápida implementação.

Um dos exemplos mais recentes desta gestão privada de um espaço público é a reconversão do antigo Matadouro Industrial de Campanhã. Este será certamente um exemplo de metamorfose do espaço público, onde existirão empresas, espaços de arte, museus, auditórios e, bastante interessante, projetos de coesão social.
Pensar as novas cidades é um trabalho complexo e desafiante, mas extremamente importante para o desenvolvimento do próprio país e inclusivamente construir um mundo melhor e mais sustentável. Foi precisamente esta necessidade que levou a Ceetrus a evoluir rapidamente nos últimos anos. Cidades e bairros têm-se transformado com uma nova geração de edifícios que respondem a novos modos de vida. Os cidadãos mudaram o seu estilo de vida, as suas formas de consumo, têm novas preocupações ambientais e estão mais conectados do que nunca.

É para responder a estas novas necessidades que a Ceetrus trabalha diariamente. A Ceetrus capitaliza a sua experiência no setor imobiliário comercial para ir mais longe, desenvolvendo projetos multiusos e diversificados que contribuem para o desenvolvimento sustentável de áreas urbanas e para o bem-estar dos seus habitantes. Com base na sua Visão 2030, a Ceetrus está a crescer, sem perder a sua identidade original: o ADN do retalho, a capacidade de criar ligação com significado.

É através da nossa Visão 2030, que tem por missão “We link people by creating sustainable, smart and lively places, to brighten up everyday life”, que queremos criar conexões/relações para construir um futuro melhor e reforçar o nosso compromisso em criar vínculos e aumentar a coesão social. Estas ligações serão possíveis através da conceção de novos espaços de vida que pretendemos criar e gerir. Com o lema “with citizens, for citizens”, somos uma empresa que funciona com e para os cidadãos.

A nossa ambição enquanto Global Urban Player é criar de espaços mais sustentáveis, inteligentes, vivos e multiusos, numa estratégia de diversificação de áreas de negócio que vai muito além da gestão de centros comerciais. Assim, e enquanto mantemos a gestão de cerca de 400 centros comerciais em todo o mundo, a Ceetrus está atualmente orientada para co-construir locais multifuncionais, capazes de responder as tuas e futuras necessidades dos cidadãos: habitação, escritórios, hotéis, creches, grandes infraestruturas urbanas, lazer, cultura e saúde.

Atualmente, a Ceetrus está já a desenvolver vários projetos em vários países que refletem bem este tipo de intervenção que pretendemos ter no tecido urbano.

Na Roménia, por exemplo, estamos a desenvolver o maior projeto de renovação urbana naquele país, o Coresi Shopping Resort. Com a ajuda de parceiros locais, a Ceetrus está a construir cerca de 3.000 apartamentos. 40 mil m² de escritórios em funcionamento e 60 mil m² em desenvolvimento completam a oferta deste bairro.

Outro exemplo, é o EuropaCity – um programa de desenvolvimento único na Europa em co-conceção Ceetrus e Wanda Group que vai dar uma nova dimensão à capital francesa. Será um destino de lazer, cultura, desporto, gastronomia e experiências múltiplas e intensas. Para o desenvolvimento deste projeto, a Ceetrus organizou uma série de consultas e workshops participativos com os habitantes da região, entre outros stakeholders.

Muito recentemente, ficamos também a saber que a Ceetrus será a empresa responsável pela metamorfose do principal terminal ferroviário na Europa, a Gare du Nord, em Paris. Tendo em vista a realização dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, pretende-se triplicar o volume da Gare du Nord tornando o tráfego, daquele que é o terminal ferroviário mais movimentado no espaço europeu, mais fluído, confortável e seguro para os passageiros.
Estes são apenas alguns projetos que refletem o nosso contributo na transformação de “novas cidades” e reforçam o nosso compromisso: o de proclamar as cidades vivas do amanhã, repletas de energia para criar um futuro melhor.

Nota: O CONSTRUIR manteve a grafia original do artigo

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