OH Lisboa 2018: Lisboa volta a “abrir portas” para celebrar a arquitectura

Por a 12 de Setembro de 2018

Hotel Ritz © Pedro Sadio

A 7ª edição do Open House Lisboa está marcada para o fim-de-semana de 22 e 23 de Setembro. O evento que celebra a arquitectura, abrindo as portas de diversos espaços na cidade, diz que quer “continuar a afirmar o seu compromisso enquanto bilhete gratuito para a (re)descoberta da capital”.

Mais uma vez, das casas privadas às infra-estruturas, dos espaços culturais aos escritórios e dos teatros às escolas, serão 84 os espaços anfitriões – 38 dos quais novos -, mas o programa do evento compreende também passeios e conversas com autores de projectos, urbanistas, historiadores e demais especialistas, que vão ajudar a perceber a cidade e os seus diferentes momentos de transformação através da arquitectura.

Nesta edição, a curadoria ficou a cargo do arquitecto, crítico e professor Luís Santiago Baptista, e da arquitecta e professora Maria Rita Pais, que são os responsáveis pelo desenho “de um renovado roteiro revelador de um novo olhar sobre a cidade”.
Sobre o desafio lançado pelo Open House Lisboa, Luís Santiago Baptista e Maria Rita Pais comentam: “Motiva-nos a possibilidade de compreender Lisboa a uma escala urbana alargada, através de projectos, obras e intervenções específicas, propondo uma leitura integrada das transformações recentes da cidade, nas suas diversas áreas e eixos estruturantes. E, finalmente, nesse mapeamento, evidenciar o papel crucial dos arquitectos na construção do passado, presente e futuro de Lisboa”, referem os mesmos.

Recorde-se que, em 2017, o Open House Lisboa registou mais de 44 mil visitas aos 87 espaços propostos no roteiro. Na edição passada foi ainda inaugurado o programa de acessibilidade com visitas dedicadas a pessoas cegas ou com baixa visão, surdas e com deficiência intelectual, programa que este ano continuará a ser desenvolvido, assim como os programas paralelos Open House Júnior, com actividades para toda a família, e Open House Plus.

Cineteatro Capitólio © Nelson Garrido

Conhecer a cidade
De acordo com a organização do Open House Lisboa: “Numa altura de grande transformação da capital portuguesa, é ainda mais relevante dar a conhecer e fazer entender como esta é projectada, construída e preservada”.

José Mateus, presidente da Trienal de Arquitectura de Lisboa, comenta a propósito: “Uma mesma realidade pode mudar profundamente e reforçar o seu fascínio quando observada de diferentes ângulos. No caso de Lisboa, se por um lado existem muitos lugares, espaços ou edifícios que nunca imaginámos que existissem, por outro lado, aquilo que parece ser óbvio e que julgamos já conhecer pode revelar-se em dimensões inesperadas. O perfil e experiência dos comissários do Open House Lisboa 2018, Luís Santiago Baptista e Maria Rita Pais, promete isso mesmo: um olhar plural, analítico e revelador, nesse processo de descoberta, seja através daquilo que julgávamos conhecer, ou em direcção àquilo com que nunca nos cruzámos”.
A iniciativa, que junta a Trienal e a EGEAC, procura mais uma vez promover um maior diálogo da Arquitectura com a comunidade, acreditando que este está na base de uma melhor vivência da cidadania.

“Esta parceria, que se tem alargado e renovado a cada edição, potencia o conhecimento dos espaços públicos e privados da cidade através de um olhar especializado, mas acessível a todas as pessoas. É com esse espírito de inclusão e promoção do património – contemporâneo e antigo – que temos pensado conjuntamente cada edição”, refere Joana Gomes Cardoso, Presidente da EGEAC.
Recorde-se que, o Open House é um conceito originalmente criado em Londres em 1992 por Victoria Thornton, fazendo o Open House Lisboa parte da grande família Open House Worldwide. Desde 2012, que a Trienal de Lisboa organiza o evento e desde 2015, que o faz em parceria com a EGEAC.

Blocos Habitacionais da Célula C, OLivais Sul © Pedro Sadio


“Habitar Lisboa em transformação”

Tal como tem acontecido nas edições anteriores, o Open House Lisboa volta a oferecer uma nova maneira de olhar a cidade. Nesse sentido, pelo comissariado foram definidas 9 zonas a partir de um “arco temporal, espacial
e elíptico que começa na zona histórica, e que tenta fazer um raio x zona a zona trazendo
a reflexão para a contemporaneidade”, pode ler-se no guia desta edição. O documento salienta ainda que, cada zona é acompanhada de um texto crítico e é possível fazer um Percurso Urbano acompanhado de um especialista.

Nesta edição, o cunho do comissariado é deixado pelo agrupar das áreas referidas, pelos percursos urbanos e pela escolha dos espaços, que vão desde casas no Restelo até à habitação colectiva Pantera Cor-de-Rosa em Chelas, da Garagem do Conde Barão até à Torre do Tombo, passando pelo Atelier Cecílio de Sousa.

Luís Santiago Baptista e Maria Rita Pais recordam, no texto curatorial, as fortes transformações que a cidade tem sofrido, que tem transformado, entre outros, os tecidos históricos consolidados, mas também os usos e as vivências. Desenvolvendo-se sobre esta estrutura urbana moderna, a Lisboa de hoje, que está nas “bocas do mundo”, tem enfrentado novos dilemas e desafios e é sobre estas questões que os comissários querem colocar os visitantes do Open House a reflectir.

Para Luís Santiago Baptista e Maria Rita Pais, estes processos de mudança “não acontecem na cidade de forma contínua e constante, mas vinculadas à natureza específica das suas diversas áreas urbanas e com diferentes intensidades e velocidades. Importará, pois, perceber as múltiplas energias e estímulos de cada uma dessas zonas, com os seus diferentes problemas, necessidades e possibilidades, nunca perdendo uma ideia de interdependência e coerência geral da cidade”.

Nesse sentido, a edição de 2018 do Open House, vai focar-se na “Lisboa metropolitana, aquela em que hoje habitamos, com as suas múltiplas propostas modernas e contemporâneas” e nesse âmbito, as obras escolhidas para integrar o roteiro são “compreendidas no seu enquadramento urbano, tendo em conta os diferentes modos de habitar a cidade, bem como as dinâmicas presentes na produção urbana actual”. À luz deste enquadramento, a 7ª edição do evento pretende mostrar o papel que os arquitectos desempenharam e continuam a desempenhar nesse processo de transformação e qualificação de Lisboa, celebrando a cidade que temos, mas reflectindo sobre que cidade queremos no futuro.

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