EPAL desenvolve aplicação para combater perdas de água

Por a 28 de Setembro de 2018

“Uma revolução no combate ao desperdício aparente”. É desta forma que a EPAL classifica a solução que acaba de promover em Tóquio, por ocasião do Congresso e Exposição Mundial da International Water Association. Trata-se do BILLMETER, uma aplicação informática pioneira que se assume como um reforço tecnológico no combate às perdas aparentes de água.

“Ao considerar variáveis como padrões de consumo, evolução dos erros de medição, custos associados ao contador e tarifário, o BILLMETER classifica, estatisticamente, os contadores pelo potencial de recuperação de água não facturada, prevendo o tempo óptimo de serviço no final do qual, para que este potencial seja maximizado, se recomenda a respectiva substituição”, pode ler-se na descrição desta solução, numa nota a que o CONSTRUIR teve acesso.

Atendendo a que, no nosso país, as perdas aparentes representam 1/3 dos cerca de 30% de perdas totais (físicas e aparentes), com um valor estimado de 42 milhões de euros, é fácil prever o potencial desta aplicação pioneira e a sua contribuição para uma maior eficiência e sustentabilidade da gestão da água por parte das Entidades Gestoras, a nível nacional e internacional.

“Este software, 100% EPAL e 100% nacional, é uma ferramenta essencial à gestão e optimização do Parque de Contadores, dotando as Entidades de capacidade de simulação de diferentes cenários nos quais, com base numa análise de custo/benefício, é possível definir prioridades de investimento para a renovação do parque, visando reduzir, ao máximo, as perdas económicas e atingir um maior equilíbrio entre a água fornecida, medida e facturada aos consumidores”, garantem os promotores desta solução.

Reforço

A EPAL tem vindo a reforçar, nos últimos anos, a sua acção para combater as perdas de água nos sistemas de saneamento e abastecimento. Exemplo disso é o sistema WONE, com base na Implementação de zonas de monitorização e controlo (zmc) e na análise dos respectivos dados de caudal e pressão, o que permite combinar processos e integrar a informação relevante para a gestão de redes e o controlo de perdas de água. A implementação do WONE, numa lógica de controlo activo de fugas, permitiu reduzir os níveis de água não facturada (ANF) na Rede de Distribuição de Lisboa de 23,5%, em 2005, para cerca de 8%, em 2015, posicionando a EPAL no grupo de elite das entidades gestoras mais eficientes a nível mundial.  De acordo com a empresa, a solução é vocacionada para uma estratégia focada na eficiência, na redução de perdas e na optimização do sistema de abastecimento, cujos resultados são relevantes em termos económicos, sociais e ambientais. O sistema contempla um conjunto de etapas, nomeadamente a análise da rede e planeamento da sectorização (Validação no terreno e análise de fronteiras alternativas; Confirmação da manobralidade e estanquicidade dos órgãos; Análise da informação cadastral), a Sectorização e monitorização contínua da rede de abastecimento (planeamento e implementação das ZMC, que abrange a criação de pontos de medição e telemetria, a validação do desenho e dos limites e os ensaios para implementação das ZMC, e a monitorização em contínuo, que Inclui o controlo de pressão e caudal, sistema de telemetria passivo, alarmes de pressão activos, registos de 15/15 min e comunicações diárias); a Análise integrada, permanente e sistemática de dados de diferentes sistemas (Telemetria, Sistema de Clientes, AQUAmatrix, SCADA, SIG, G/Interaqua GIS, Tele-Leitura ; Planeamento de intervenções no terreno e quantificação dos volumes de água a recuperar e a articulação com as equipas de reparação de fugas. O sistema assenta num interface intuitivo e de fácil utilização via internet com tecnologia cloud, permite múltiplos utilizadores em simultâneo, responde às necessidades de diferentes áreas da entidade gestora, permite a integração de alarmes e alertas, tudo isto resultando na antecipação de eventuais falhas e a sua atempada resolução.

Perdas significativas

A presença da EPAL em Tóquio surge poucos dias após o bastonário da Ordem dos Engenheiros ter alertado, em entrevista ao Económico, que apesar da melhoria bastante significativa ao nível das infra-estruturas de saneamento e abastecimento de água, há um conjunto de situações que necessitam de ser fechadas. No entender de Carlos Mineiro Aires,  “a questão das fugas e perdas de água nas redes é uma questão essencial, apesar de haver bons exemplos de empresas em Portugal que têm investido na busca dos pontos de fuga e de perda, e que têm efectuado reparações de forma a que [o desperdício] baixe significativamente”. O bastonário acrescenta que “há casos em que a taxa de perda de água nas redes anda à volta dos 40% ou 50%. Isto é, quase metade da água, que custa uma fortuna a produzir, perde-se antes de chegar às torneiras e quem paga, obviamente, é o consumidor”. No entender de Mineiro Aires, isso acontece em grande parte devido à existência de “redes antiquadas e, por vezes, recorre-se a soluções imaginativas em que se baixa a pressão da rede para que haja menos fugas, sendo que, depois, quem vive em pontos mais elevados, fica quase sem água”. Na mesma ocasião o bastonário dos Engenheiros recorda que há investimentos que importa que sejam feitos. “As tubagens não têm uma vida eterna e, naturalmente, tem que haver substituição. É um investimento avultado, mas que tem que ser feito, porque o consumidor não pode estar a pagar por uma gestão errada. Estamos a falar de desafios que precisam de décadas para serem solucionados, mas que, se nunca forem resolvidos, jamais serão concluídos”, conclui.

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