Opinião: Eficiência e gestão de energia nos edifícios do futuro

Por a 14 de Fevereiro de 2019

Rui Carneiro
Associação KNX Portugal

“Eficiência e gestão de energia nos edifícios do futuro” foi o tema escolhido para a Conferência realizada a 17 de janeiro passado, no auditório da Roca Gallery, em Lisboa, e que reuniu cerca de oitenta participantes de várias áreas relacionadas com a construção, energia e tecnologias de gestão de edifícios.

A Conferência foi uma iniciativa da Revista Anteprojectos e da ROCA, a que se associaram a ADENE e a KNX. Foram oradores a Arqta. Lívia Tirone, o Eng. Rui Fragoso e o Eng. Paulo Santos, ambos da Adene – Agência para a Energia, e ainda eu próprio.

O tema é muito atual e inesgotável. As cidades estão a mudar e as pessoas têm de estar no centro desta transformação. O meio urbano vai respondendo aos desafios de sustentabilidade e de bem-estar que as pessoas exigem, ainda que nem sempre ao ritmo que gostaríamos e que a regulamentação europeia exige. O desafio desta Conferência foi exatamente: como serão as cidades em 2050?

Os instrumentos de política europeia, como a Diretiva Europeia para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), recentemente revista, são determinantes para o futuro. Preparar e fazer acontecer o que aí vem, é crítico para a atividade de arquitetos, engenheiros, empresas e todos os agentes no mercado da construção e da reabilitação de edifícios, públicos e privados. E uma exigência dos cidadãos, das pessoas, dos “beneficiários”, como os designou a Arqta. Lívia Tirone na sua intervenção. Todos nós queremos e beneficiamos de mais eficiência energética, de mais sustentabilidade e de mais conforto nos nossos edifícios.

A transposição da EPBD até março de 2020 trará novidades importantes que vão desafiar o mercado até 2030 e até mais além. Edifícios eficientes e inteligentes, com bom desempenho energético e um eficiente controlo e gestão do consumo de energia, são o nosso futuro próximo. Sempre em paralelo com a exigência de maior conforto do edifício.
O protocolo ou tecnologia KNX para controlo e gestão de energia em edifícios vem contribuir com soluções para estes desafios, e isso mesmo tive ocasião de explicar nesta Conferência. O KNX pode conjugar e conectar todas as funcionalidades de um qualquer edifício, independentemente da sua finalidade. Pensar em KNX é pensar numa espécie de ‘Android da domótica’, é escolher um protocolo técnico aberto e multifabricante que encerra em si um conjunto de normas técnicas reconhecidas internacionalmente, agregando mais de 450 fabricantes que desenvolvem e fabricam equipamentos que falam a mesma linguagem. E que ainda “fala” com outros protocolos de gestão técnica, como o Dali ou o BACnet, mas também “fala” com programas de gestão de negócio, como por exemplo com programas de gestão hoteleira ou de recursos humanos.

Como referiu o Eng. Rui Fragoso, Diretor de Eficiência Energética da ADENE, mais de 75% dos edifícios no contexto europeu são ineficientes e não beneficiam de reabilitação. As taxas de renovação são muito baixas e as poucas renovações que ocorrem são pouco profundas, “existindo uma necessidade de alavancar os investimentos nesta área, promovendo cada vez mais as tecnologias eficientes”, considerou este especialista e um dos oradores da Conferência.
Vivemos, pois, um tempo de enormes desafios e de transição, como ficou claro nesta Conferência, pelas intervenções dos oradores e pelo debate alargado que se seguiu.

Simultaneamente, temos a necessidade de ter edifícios mais eficientes, de gerir mais sustentadamente as nossas cidades, temos os Regulamentos e a as Directivas (como a EPBD – Diretiva Europeia para o Desempenho Energético dos Edifícios, ali apresentada e o seu novo Smart Readiness Indicator) e temos a tecnologia e as soluções técnicas adequadas e eficazes, como o a tecnologia KNX. Precisamos agora de mais determinação e de maior empenho na decisão de integrar as soluções técnicas de inteligência nos edifícios novos e nos edifícios a reabilitar. E a KNX está na primeira linha destas soluções técnicas.

NOTA: O CONSTRUIR manteve a grafia original do artigo

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