Opinião: “MOLDANDO O MUNDO- O FUTURO NA CONSTRUÇÃO”

Por a 18 de Abril de 2019


Joaquim Nogueira de Almeida
Proconsultores

Uma das grandes industrias que tem fortes repercussões a nível económico, ambiental e consequentemente na sociedade no seu todo, é a Industria da Construção.
É uma industria com enormes consequências a todos estes níveis, uma vez que tem implicações no quotidiano de todos, afectando directamente a qualidade de vida, sendo fortemente influenciada pelo ambiente natural e pelas construções já existentes

Desde que o homem começou a construir, primeiramente para melhorar o seu abrigo e depois evolutivamente para o desenvolvimento das suas actividades. Obras como a grande muralha da China, as pirâmides do Egipto ou os jardins suspensos da Babilónia, que têm hoje a sua continuidade na construção das grandes cidades, nas linhas ferroviárias que atravessam os continentes, entre outras obras e que fazem deste mundo um planeta cada vez mais global, cada vez mais moldado às ambições e desejos do ser humano via a construção.

A indústria da construção serve de suporte à grande maioria das indústrias uma vez que qualquer criação de valor económico de alguma forma está sempre ligada ao imobiliário ou a outras “construções”. Para além desta industria ser responsável por aproximadamente 6% do PIB global, ela também é a maior consumidora mundial de matérias-primas. Tendo as “construções” uma pegada ecológica estimada em mais de 35% do total mundial na emissão de dióxido de carbono.

Após a reconstrução de Portugal durante os vinte anos a seguir à entrada na União Europeia, em grande parte com os apoios recebidos desta, surge em 2011 a crise que atingiu severamente o país. Crise essa que obrigou e ainda obriga a viver momentos de desalento na industria da construção civil. Os anos anteriores a 2011, foram tempos de grande actividade e dinamismo que criou e formou técnicos experientes, mas que de repente se viram sem actividade, criando uma ruptura abrupta de uma industria que era o sustento de uma grande parte da sociedade. O desalento instalou-se. No entanto, aos poucos os profissionais e as industrias adaptaram-se, apostaram mais na internacionalização e surgiu igualmente o crescimento de nichos como o da construção metálica e da reabilitação. Contudo, o país sofreu uma grande desqualificação profissional com a saída de Portugal de mais de 10.000 Engenheiros Civis e de mão de obra qualificada, bem como a perda de competências por falta de continuidade na actividade de muitos dos profissionais que se mantiveram no país. Timidamente Portugal retoma alguma actividade na construção consequência de alguma retoma económica e do boom na reabilitação urbana das principais cidades devido ao aumento do turismo e da procura de habitação para residência de estrangeiros com elevado poder económico.

Qual será o futuro na construção em Portugal?

São várias as grandes tendências globais que estão a moldar o futuro na construção. E Portugal tem de se requalificar e fazer uma rápida actualização para as tendências mundiais desta industria. Se não, corremos o risco de virmos a ser novamente grandes dependentes técnicos do exterior e deixarmos de ser um país que atingiu um elevado reconhecimento técnico da sua Industria da Construção para voltarmos a ser um país exportador de “pedreiros e serventes” e importadores de mão de obra não qualificada do 3º mundo.

Ao contrário de outras indústrias, a da construção tem uma inércia muito grande em adoptar novas tecnologias e certamente nunca passou por uma grande revolução, tendo tido na pré-fabricação a maior transformação nos métodos de construção no século passado. Como resultado, a produtividade estagnou nos últimos 40 anos, em alguns casos, até declinou em certas situações.
Esta situação parece prestes a mudar muito em breve e de forma muito dramática. De facto, mudanças profundas já estão a acontecer, embora ainda não em escala suficientemente ampla em muitos aspectos da indústria da construção.

Segundo o WEF (World Economic Forum) o futuro da Engenharia e Construção está essencialmente relacionado com o crescimento das cidades, o desenvolvimento das infraestruturas, o aumento da sustentabilidade (actualmente responsável por 30% das emissões globais de CO2), a visão dos líderes políticos e em muito com a inovação tecnológica.

O avanço tecnológico é fundamental para subirmos de patamar na industria da construção e a sua principal chave está na digitalização.
Cada vez mais os projectos de construção estão a incorporar sistemas de sensores digitais, máquinas inteligentes, dispositivos móveis e novos aplicações de software sendo que o desafio actual é conseguir a sua adopção generalizada e um desempenho adequado. Nos aspectos onde as novas tecnologias já penetraram adequadamente, as perspectivas são de uma redução de quase 20% nos custos totais do ciclo de vida de um projecto, bem como melhorias substanciais no tempo de conclusão, qualidade e segurança.
Os avanços tecnológicos estão a revolucionar quase todos as fases do ciclo de vida das construções, desde a concepção até à demolição.
Tecnologias como o BIM (Building Information Modeling), o aumento da automação e o aparecimento de robots, da impressão 3D, da IA (Inteligência Artificial) já estão a ser incorporadas em muitos aspectos da industria de construção civil, mas há também o aparecimento de exosqueletos para facilitar o trabalho manual dos operários da construção civil, novos equipamentos mais fáceis de utilização, de novos materiais de construção mais leves, mais resistentes, mais eficazes, mais sustentáveis, outros mesmo auto reparadores. Estes exemplos são o futuro que já está aí ou que chega a grande velocidade.

A industria da construção continuará a moldar o mundo e a ser o suporte da nossa sociedade e da sua qualidade de vida.
Portugal precisa de continuar a construir e para isso temos de continuar a evoluir em todas as áreas da Industria da Construção.

Um comentário

  1. António Alves

    18 de Abril de 2019 at 16:52

    Uma visão da I.C.C. que conduz, naturalmente, a uma racionalização de todo o processo construtivo,onde a SEGURANÇA,CONFORTO, FIABILIDADE e SUSTENTABILIDADE serão factores essenciais ao produto construtivo do futuro, este mais despojado do acessório e a responder ao essencial da vida humana em mudança.

    E esse paulatino processo terá que ser incrustado na fonte do CONHECIMENTO com profissionais à altura das necessidades humanas essenciais.

    Como realizar este desiderato, em termos sociais e económicos, eis uma resposta que tem que ser dada pela sociedade no seu todo e que não dispensará um novo paradigma de vida, a qual assentará necessariamente numa “economia circular”; como quem diz: numa grande e portentosa economia de recursos e que serão escassos.

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