Cerâmica Antiga de Coimbra distinguida pela Fundação Calouste Gulbenkian

Por a 6 de Maio de 2019

Inês d’Orey

O edifício da Cerâmica Antiga de Coimbra, que esteve quase a ser demolido, foi o vencedor do Prémio Maria Tereza e Vasco Vilalva, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian. O projecto de reabilitação daquele espaço é da coautoria da arquitecta Luisa Bebiano e do Atelier do Corvo (Carlos Antunes e Desirée Pedro).

Nesta 11ª edição, o júri, constituído por António Lamas, Raquel Henriques da Silva, Gonçalo Byrne, Santiago Macias, Luís Paulo Ribeiro e Rui Vieira Nery, decidiu, ainda atribuir uma menção honrosa ao Projecto Letreiro Galeria e outra à reabilitação e conservação da Livraria Lello.

“Do Mal o Menos (Eduardo Nascimento)”O vencedor do Prémio candidatou-se com um plano de intervenção que “pretende mostrar uma das seculares artes de Coimbra, inserida num espaço recuperado com as melhores técnicas de restauro, mantendo-se um diálogo em aberto nos processos de projecto e fabrico artesanal com uma linguagem contemporânea de intervenção”. Foi ainda tida em consideração a dinâmica cultural do projecto.

“A pertinência de uma intervenção no Terreiro da Erva, uma zona da cidade de Coimbra com sinais de degradação evidente e marcada por uma certa marginalidade”, assim como “a relevância cultural da fábrica, com uma prática continuada de recuperação de saberes que não está, nem pode estar, desligada da sustentabilidade económica do projecto” foram alguns dos aspectos a ter em conta pelo júri.

Outro dos aspectos salientados é o facto de se tratar de “um work in progress, em constante melhoria e projectado para o futuro”.

Em suma, o júri quis dar destaque “à excepcionalidade – de localização, de programa, de forma de concretizar” – do projecto de reabilitação do edifício da Cerâmica Antiga de Coimbra e à sua escala humana, esperando que este possa servir de exemplo a outras localidades.

A Cerâmica Antiga de Coimbra tem um espaço de restauração aberto desde Março de 2018 e a olaria em plena laboração desde Setembro de 2018.

Menções Honrosas

O Projecto Letreiro Galeria, que se tem afirmado na recolha, conservação e estudo dos letreiros impressos e luminosos, tabuletas, guarda-ventos com letterings e outros grafismos comerciais, fundamentais para a preservação da memória do espaço urbano lisboeta, a sua evolução ao longo dos tempos e para o conhecimento da história das artes gráficas, do design e das indústrias criativas em Portugal. Este projecto tem planeada a instalação de um “armazém expositivo”, que deverá contribuir para uma maior consciência colectiva da riqueza e necessidade de preservação deste património.

A reabilitação e conservação da Livraria Lello, estabelecida em 1906, que associa a requalificação do espaço arquitectónico com a revitalização e expansão da sua função como espaço de Cultura. A intervenção obedeceu a padrões exemplares de respeito pela concepção, técnicas e materiais originais, assegurando quer a reposição de elementos da traça inicial entretanto alterados, quer a documentação detalhada e a reversibilidade da presente intervenção.

À recuperação do espaço foi associada uma estratégia de reforço da sua vertente cultural, com vista à promoção do livro e da leitura, dos autores portugueses, da tradução de qualidade de e para o português e da ligação entre a Literatura e as Artes.

Prémio Maria Tereza e Vasco Vilalva

O Prémio Vilalva foi instituído em 2007, no seguimento da aquisição, à Fundação Eugénio de Almeida, do remanescente do Parque de Santa Gertrudes. Esta aquisição permitiu, quase 50 anos depois, reunificar o Parque, cuja maior parte é propriedade da Fundação Gulbenkian desde 1957. Criado em homenagem a Vasco Vilalva, o Prémio tem tido por objectivo assinalar intervenções exemplares em bens móveis e imóveis de valor cultural que estimulem a preservação e a recuperação do património.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *